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Caracas13/11/2017 | 19h37

À beira do calote, Venezuela reúne credores para renegociar dívida

AFP
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Sob risco de moratória, a Venezuela fez nesta segunda-feira (13) uma reunião com os credores em Caracas para discutir uma renegociação da dívida externa, enquanto os proprietários de bônus em Nova York decidiram continuar na terça-feira sua análise sobre o atraso nos pagamentos.

Negociadores chegaram ao Palácio Blanco, frente à Casa de Governo, para o encontro previsto nesta tarde a portas fechadas e sob segurança estrita, disse à AFP uma fonte informada sobre a reunião.

Segundo a imprensa governamental, "414 credores, que representam 91% dos donos de bônus", estariam na reunião para avaliar a proposta do presidente Nicolás Maduro de renegociar a dívida externa, de quase 150 bilhões de dólares. Não se sabe se há estrangeiros entre eles.

"Eles jogam para que a Venezuela se declare em default. Nunca! O default nunca chegará à Venezuela. Nossa estratégia é renegociar e refinanciar toda a dívida", afirmou Maduro no domingo.

Analistas não acreditam na possibilidade de sucesso da reunião, pois as sanções dos Estados Unidos contra a Venezuela proíbem a seus investidores negociar dívida venezuelana. Quase 70% dos donos de títulos são americanos e canadenses.

Para complicar ainda mais o cenário, Maduro nomeou como principais negociadores o vice-presidente, Tareck El Aissami, e o ministro das Finanças, Simón Zerpa, que entraram em uma lista de sanções de Washington e com os quais os cidadãos americanos não podem tratar da questão.

Em Nova York, a Associação Internacional de Swaps e Derivativos (ISDA), que reúne proprietários de títulos da dívida, disse que nesta segunda-feira verificou informações "sobre se ocorreu uma interrupção de pagamento" de um bônus da PDVSA de 1,161 bilhão de dólares.

O governo garante que já transferiu os recursos, mas os credores não haviam recebido até sexta-feira. A avaliação vai continuar nesta terça-feira.

Uma falta de pagamento pode ser declarada pelas agências de classificação, pelo governo, ou pelos grandes credores. Por este motivo, uma avaliação negativa da ISDA resultaria em um default e no pagamento dos seguros CDS (Credit Default Swaps).

- Aposta em China e Rússia -

As agências Fitch, Standard and Poor's e Moody's rebaixaram a nota da dívida diante da possibilidade de uma interrupção de pagamentos do país a curto prazo.

Madurou acusou as agências de "politizar" a questão e afirmou que elas integram a "guerra financeira" comandada pelos Estados Unidos.

Analistas concordam que a Venezuela, com uma economia devastada e reservas internacionais de apenas 9,7 bilhões de dólares, terminará em default, mas divergem sobre quando isto vai acontecer.

Na sexta-feira, a Venezuela deveria ter pago 81 milhões em juros do bônus PDVSA 2027, mas o pagamento não foi anunciado. Nesta segunda, vencem outros 200 milhões em juros.

Até o fim do ano, o país deverá quitar pelo menos 1,47 bilhão de dólares.

Nesse cenário de dificuldades, Maduro anunciou avanços nas renegociações com seus aliados: as negociações com a China - para quem deve 28 bilhões de dólares - "estão perfeitas" e, nesta semana, será assinado um acordo que reestrutura 3 bilhões dos 8 bilhões de dólares em dívidas com a Rússia.

O deputado da oposição, Luis Florido, advertiu que uma reestruturação da dívida deve ser aprovada pelo Parlamento, controlado pela oposição, mas o governo ignora isso.

- Sanções da UE -

Maduro também enfrenta forte pressão internacional. Os governos de Estados Unidos e Europa acusam-no de desrespeitar a democracia, anulando o Parlamento e controlando os Poderes judiciais e eleitorais para permanecer no poder.

Somando-se a EUA e Canadá, os chanceleres da União Europeia (UE) adotaram nesta segunda-feira uma série de medidas. Entre elas, um embargo de armas e um marco jurídico sobre futuras sanções contra "responsáveis por graves violações dos direitos humanos", com o objetivo de "favorecer" o diálogo na Venezuela.

As medidas contemplam um "embargo de armas e de material relacionado que poderia ser usado para a repressão interna, assim como um marco legal para a proibição de viajar e o congelamento de ativos" para responsáveis por violações dos direitos humanos no país.

Desde o início dos protestos da oposição, em abril, que deixaram pelo menos 125 mortos em quatro meses, vários dirigentes europeus, entre eles o presidente da Eurocâmara, Antonio Tajani, pediram à UE que aprovasse sanções contra o governo Maduro.

Para o economista Luis Vicente León, Maduro quer que investidores americanos, interessados em receber seus pagamentos, pressionem o governo de Donald Trump para que flexibilize as sanções.

* AFP

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