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Washington13/09/2017 | 19h28

Universalização da cobertura de saúde pública ganha força nos EUA

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Universalizar a cobertura da saúde pública nos Estados Unidos, uma proposta apresentada nesta quarta-feira pelo senador progressista Bernie Sanders, ganha força no Partido Democrata, em especial entre os possíveis futuros candidatos à Casa Branca.

"Hoje lançamos a longa e árdua luta para acabar com uma vergonha internacional, o fato de que os Estados Unidos sejam o único grande país que não garante a seus cidadãos o acesso aos cuidados de saúde", disse Sanders, rodeado por legisladores, médicos e ativistas em uma sala do Senado.

Sanders, antigo adversário de Hillary Clinton nas primárias democratas presidenciais de 2016, fez deste tema a bandeira de sua "promessa de revolução". Hillary, no entanto, o considerou pouco realista e preferiu promover uma reforma gradual do atual sistema, que combina responsabilidades privadas e públicas.

Um ano depois, quando o presidente Donald Trump quer revogar o Obamacare, a emblemática reforma do sistema de saúde de seu antecessor, Barack Obama, a proposta de Sanders seduz a vanguarda democrata: Kamala Harris, Cory Booker e Kirsten Gillibrand, e também a veterana Elizabeth Warren, todos potenciais adversários de Trump em 2020.

"Se milhões de pessoas se expressam e se envolvem, não tenho dúvidas de que este país aprovará um sistema de cobertura pública universal antes do que se acredita, e a saúde finalmente se tornará um direito nos Estados Unidos", declarou Sanders, um "socialista" independente vinculado aos democratas.

Ao menos 17 dos 48 senadores da bancada democrata apoiam a iniciativa, considerada radical durante os debates do Obamacare em 2009 e que foi rapidamente marginalizada pela então maioria democrata. Mas em um Congresso controlado pelos republicanos não é factível que o texto seja aprovado, ou inclusive debatido.

- Quanto custa? -

A proposta de Sanders não será crível até que seu custo seja calculado, afirmou Hillary estes dias, em plena promoção do livro que lançou para explicar o motivo pelo qual Trump a venceu no ano passado.

Nos Estados Unidos, as pessoas contam com um seguro médico particular, geralmente pago pelos empregadores ou pelo Estado para as pessoas com poucos recursos (programa Medicaid) ou para os maiores de 65 anos (Medicare).

É precisamente o Medicare, uma instituição sagrada nos Estados Unidos, que Sanders quer estender à toda população.

O senador de Vermont publicou várias opções para financiar o seu "Medicare para todos": por meio das empresas, dos lares, ou somente dos lares de maiores recursos.

Para os republicanos, qualquer que seja a alternativa, o resultado é o mesmo: "excessivamente caro para todos", segundo o senador John Barrasso.

Consultado sobre o plano de Sanders e o apoio democrata, o representante republicano Tom Cole foi contundente.

"Estão cometendo o erro mais grave de suas vidas", afirmou. "Mas acredito que seu partido esteja se movimentando nessa direção".

- Contra o Obamacare -

No entanto, líderes democratas têm outras prioridades antes de apoiar Sanders.

Eles veem com preocupação como o Obamacare é sabotado pelo governo Trump, que diminuiu significativamente as campanhas de promoção e alguns subsídios.

A polêmica lei Affordable Care Act (ACA) conseguiu reduzir a um mínimo histórico o número dos que vivem sem cobertura médica nos Estados Unidos, 10% entre as pessoas com menos de 65 anos.

A maioria republicana tentou este ano revogar o Obamacare, mas fracassou pelas divisões internas no partido, desatando a ira de Trump.

Nesta quarta, um grupo de senadores republicanos fez uma última tentativa de manter esta promessa de campanha antes da data limite do final de setembro, quando termina o ano fiscal.

"Não estou disposto a me render", garantiu o senador Lindsey Graham.

Mas além de defender o Obamacare, os líderes democratas têm outra razão de peso para se distanciar de Sanders: querem ser maioria na Câmara nas eleições legislativas de novembro de 2018.

Isto implica em reconquistar as circunscrições que votaram majoritariamente a favor de Trump no ano passado, onde preferem ser percebidos como democratas moderados, mais do que como soldados de Bernie.

* AFP

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