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Karachi22/09/2017 | 11h35

TOPSHOTS Líder rebelde rohingya Ata Ullah, um herói para uns e uma calamidade para outros

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Para seus críticos, o comandante rohingya Ata Ullah é um imprudente que jogou seu povo na crise com uma rebelião em Mianmar. Para seus apoiadores, um herói intrépido que renunciou ao luxo para defender essa minoria vítima de uma repressão implacável.

Ata Ullah é o rosto mais conhecido do Exército de Salvação dos Rohingyas de Arakan (ARSA), um movimento rebelde que atacou dezenas de postos fronteiriços birmaneses, desatando uma repressão do exército que já forçou aproximadamente 420.000 rohingyas a fugir para Bangladesh.

"Ele é muito carismático", descreve à AFP Richard Horsey, analista independente radicado em Mianmar. "Fala de uma forma que ressoa com as queixas desta comunidade".

Se tornou conhecido em outubro do ano passado, reivindicando em vídeos várias operações armadas no estado de Rakine, no noroeste de Mianmar.

Várias pessoas do entorno do líder garantiram à AFP que Ullah dirige uma rede de grupelhos pouco treinados e mal equipados para o combate.

Nos vídeos, Ullah, cercado por homens armados e com rostos cobertos, denuncia os crimes cometidos pelo governo birmanês contra os rohingyas e promete libertar a comunidade de uma "opressão desumana".

- Uma vida desafogada -

A imensa maioria dos rohingyas, apátridas há décadas, vive em condições muito difíceis em guetos em Mianmar ou nos campos de refugiados de Bangladesh.

Ullah é uma exceção. Ele nasceu no Paquistão, em uma família de classe média. Seu pai estudou na prestigiada faculdade Darul-Uloom e foi professor na Arábia Saudita, afirma uma fonte que o conhece.

O jovem Ullah aprendeu a recitar o corão. Sauditas ricos o contrataram para que desse aulas a seus filhos, e ele entrou nesse circuito, participando de festas luxuosas e caças.

"Os sauditas gostavam muito dele e o tratavam como um dos seus", disse uma fonte próxima.

Ullah abandonou esta vida depois dos distúrbios no estado de Rakine em 2012, que provocaram o deslocamento de mais de 140.000 pessoas, na maioria rohingyas. Ele deixou a Arábia Saudita para lutar em Mianmar.

- Busca de armas -

Primeiro ele retornou ao Paquistão, com milhões de dólares no bolso, que seriam procedentes de simpatizantes da causa, principalmente sauditas e rohingyas residentes na Arábia Saudita.

Ullah foi em busca de armas, de combatentes e de formação. Para isso contactou grupos extremistas locais, segundo membros desses últimos que o conheceram nesta época.

Ele esteve em contato com pessoas próximas aos talibãs afegãos e paquistaneses e com grupos separatistas da Cachemira como Lashkar-e-Taiba. Em vão.

"Em público, estas organizações expressavam sua solidariedade com os muçulmanos de Mianmar e pediam a jihad, mais o acolheram com frieza", resume uma pessoa que trabalhava com Ullah.

A maior parte dos insurgentes paquistaneses o depreciou, outros roubaram o dinheiro que ele entregou em troca de armas.

"Os chamados à jihad em Mianmar por parte de diferentes grupos não são mais do que uma busca por publicidade e um meio de atrair a simpatia dos muçulmanos", estima o especialista em segurança paquistanesa Talat Masood.

Segundo fontes rebeldes que estiveram com Ullah no Paquistão em 2012, o jovem deixou o país decepcionado e muito receoso dos islamitas. Optou então por uma linha nacionalista.

Ele sentia desprezo por outros grupos rebeldes como a Organização de Solidariedade Rohingya (RSO, na sigla em inglês), quase inativo, lembra uma fonte que presenciou alguns encontros entre eles.

- Pior crise -

Com a recente onda de violência, os mesmos extremistas que ignoraram Ullah há anos tentam retomar o contato, mas ele não quis saber, apesar de a ARSA precisar de armas e medicamentos.

Teme "que sua missão seja prejudicada se envolver outros grupos religiosos", explica uma fonte em contacto com um campo de treinamento de Ullah em Bangladesh.

Noor Hussain Burmi, representante da RSO no Paquistão, conheceu Ullah em 2012 e acha que sua vaidade e inconsequência agravaram a situação dos rohingyas em Mianmar.

"Ele não quer que ninguém mais se meta em Rakine porque acha que o ofuscaria", disse à AFP.

A estratégia de Ullah é contraproducente, conclui o analista Horsey, "E gerou, provavelmente, a essa população a pior crise de sua história".

* AFP

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