Theresa May propõe dois anos de transição após o Brexit - Mundo - A Notícia

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Florença22/09/2017 | 17h05

Theresa May propõe dois anos de transição após o Brexit

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Determinada a relançar as negociações de saída da União Europeia, a primeira-ministra britânica Theresa May defendeu nesta sexta-feira um período de dois anos de transição e prometeu honrar os compromissos financeiros com o bloco.

"Nós atravessamos um período crítico, mas quando nos unimos, podemos alcançar bons resultados", declarou May em Florença, na Itália, no primeiro discurso sobre o Brexit desde o pronunciado em janeiro em Londres.

Ansiosa em tranquilizar seus parceiros europeus, ela repetiu que, apesar do Brexit, o Reino Unido "não virará as costas à UE". "O sucesso das negociações sobre o Brexit é do interesse de todos", insistiu, acrescentando querer um "futuro melhor" para todos os cidadãos europeus.

O chefe dos negociadores da União Europeia para o Brexit, Michel Barnier, saudou "o espírito construtivo" do discurso de May.

May "expressou um espírito construtivo que é também o espírito da União Europeia nesta negociação inédita", declarou Barnier em um comunicado. A UE, no entanto, espera detalhes sobre "as implicações concretas" deste discurso, acrescentou.

O presidente francês, Emmanuel Macron, destacou por sua vez os "avanços" e "aberturas" do discurso britânico.

Ponto chave de seu discurso, May propôs um período de transição de "cerca de dois anos" após o Brexit, durante o qual as relações entre o seu país e a UE permaneceriam intactas, a fim de assegurar uma saída "tranquila e ordenada".

Este período de ajuste permitiria ao Reino Unido continuar a fazer negócios livremente com o bloco europeu, um ponto exigido por seu ministro das Finanças Philip Hammond e empresários, preocupados com as consequências econômicas do Brexit.

"Sei que as empresas, em particular, vão receber favoravelmente as certezas que isso trará", ressaltou Theresa May.

- Pronta a pagar a conta -

No plano financeiro, parte essencial das negociações, May também comprometeu-se a "honrar" os compromissos britânicos assumidos no âmbito do atual orçamento europeu, cujo exercício termina em 2020.

"Não quero que os nossos parceiros temam pagar mais ou receber menos (...) por nossa decisão de sair", disse ela.

Contudo, as primeira-ministra não forneceu números sobre o montante que seu país estaria disposto a pagar. Os europeus calculam entre 60 e 100 bilhões de euros, tendo em conta todos os projetos com os quais Londres está comprometido.

Sobre outra questão central, os direitos dos cidadãos europeus, May afirmou que deseja que a Justiça britânica leve em conta as decisões do Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE).

"Quero que os tribunais de justiça britânicos sejam capazes de levar em conta as decisões do Tribunal de Justiça europeu", declarou, enquanto cerca de 50 pessoas, incluindo britânicas, protestavam em Florença para exigir garantias sobre os seus direitos.

Em uma primeira reação ao discurso da primeira-ministra, o chefe dos negociadores da UE para o Brexit, Michel Barnier, elogiou "o espírito construtivo" de May.

A líder britânica "expressou um espírito construtivo que é também o da União Europeia nesta negociação inédita", afirmou em um comunicado. A UE espera, no entanto, detalhes sobre "as implicações concretas" deste discurso, acrescentou.

- Críticas dos partidários do Brexit -

À espera das reações dos europeus, as críticas dispararam no Reino Unido entre alguns partidários de um Brexit radical.

"Hoje é um dia de vitória para Westminster e a classe política britânica. Eles exibiram um grande dedo do meio para 17,4 milhões de pessoas" que votaram pelo Brexit, tuitou Nigel Farage, ex-líder do partido eurofóbico Ukip.

Isso ilustra a delicada posição de May: enfraquecida internamente após seu fracasso nas eleições legislativas de junho, ela não quer desagradar os britânicos que votaram pelo Brexit a fim de "assumir o controle" de seu país nem de virar as costas aos euroecético de seu partido conservador alguns dias antes do congresso anual, que começa em 1 de outubro.

Também deve conter seus ministros pró-Brexit, em particular o borbulhante Boris Johnson, chefe da diplomacia, que provocou uma tempestade ao reivindicar na semana passada uma franca ruptura com a UE.

* AFP

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