Sonda Cassini se desintegra na atmosfera de Saturno após missão de 13 anos - Mundo - A Notícia

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Tampa15/09/2017 | 12h08

Sonda Cassini se desintegra na atmosfera de Saturno após missão de 13 anos

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A sonda Cassini da Nasa se autodestruiu nesta sexta-feira ao mergulhar na atmosfera de Saturno, concluindo uma missão de 13 anos de exploração que revolucionou o conhecimento sobre esse gigantesco planeta gasoso e transformou a maneira de vermos o Sistema Solar.

Cassini, um projeto internacional que custou 3,9 bilhões de dólares e reuniu cientistas de 27 nações, se desitegrou na atmosfera de Saturno a uma velocidade de 120.700 km/h.

O sinal final do artefato foi captado pelo centro de controle do Jet Propulsion Laboratory (JPL), em Pasadena, California, às 08H55 (de Brasília), 83 minutos depois de sua emissão, o tempo que demoraram as ondas de rádio para percorrer a distância entre Saturno e a Terra.

"O sinal da sonda desapareceu", afirmou Earl Maize, chefe da missão Cassini, depois que a sonda ficou sem combustível e se desintegrou na atmosfera de Saturno, como planejado pela Nasa para evitar qualquer dano às luas do planeta.

"Espero que estejam muito orgulhosos desse êxito extraordinário. Esta foi uma missão incrível, uma nave incrível e vocês, uma equipe incrível", acrescentou Maize, dirigindo-se aos colegas, que responderam com aplausos.

Cassini, uma sonda de 2,5 toneladas, foi lançada ao espaço em 1997, equipada com uma dezena de instrumentos. Em 22 de abril passado começou a primeira manobra que a fez mergulhar, nesta sexta-feira, na atmosfera de Saturno, onde se desintegrou.

Para isso, a nave se aproximou de Titã, aproveitando o empurrão gravitacional desta lua, para se colocar em órbita entre os anéis de Saturno e a parte superior da sua camada nebulosa. Tratou-se da primeira exploração deste espaço vazio de 2.700 km.

Cassini sobrevoou Titã pela última vez na terça-feira, e engenheiros da missão usaram informação coletada nesse encontro, que apelidaram de "beijo de despedida", para se assegurar de que a nave estava na trajetória correta em direção à atmosfera do planeta gasoso.

Outras três naves espaciais voaram junto a Saturno: a Pioneer 11 em 1979, seguido pelas Voyager 1 e 2 nos anos 80.

Mas nenhuma estudou Saturno tão detalhadamente quanto a Cassini, que leva o nome do astrônomo franco-italiano Giovanni Domenico Cassini, que, no século XVII, descobriu que o planeta possuía várias luas e uma brecha entre seus anéis.

- Descobertas -

Cassini foi lançada de Cabo Cañaveral, Flórida, em 1997. Viajou durante sete anos até alcançar a órbita de Saturno, onde permaneceu por outros 13 anos.

Nesse tempo, descobriu seis novas luas a seu redor, estruturas tridimensionais sobre os anéis e uma gigantesca tempestade que se estendeu por todo o planeta durante quase um ano.

A sonda de 6,7 por 4 metros também achou géiseres gelados e lagos de hidrocarbonetos compostos de etano e metano na lua maior, Titã.

Em 2005, a Cassini lançou até Titã uma sonda chamada Huygens, marcando a primeira e única alunissagem no Sistema Solar exterior em um corpo celeste além do cinturão de asteroides.

Huygens foi um projeto conjunto da Agência Espacial Italiana e da Nasa.

"A missão mudou a forma com que pensamos onde poderia ter se desenvolvido a vida além de nossa Terra", afirmou Andrew Coates, chefe do Grupo de Ciências Planetária do Laboratório de Ciências Espaciais Mullard, da University College de Londres.

"Assim como Marte, os satélites como Encelado, Europa e, inclusive, Titã, são agora os melhores aspirantes à vida em outros lugares. Reescrevemos completamente os livrois sobre Saturno", acrescentou.

Linda Spilker, cientista do projeto Cassini, comparou a missão a uma maratona. "Durante 13 anos corremos uma maratona de descobertas científicas, e estamos na última volta", afirmou.

Oito dos 12 instrumentos científicos da nave espacial estavam ligados, capturando dados, nos últimos momentos da Cassini, antes que a sonda se desintegrasse como um meteoro, explicou.

"Quem sabe quantas teses de doutorado sairão desses últimos segundos de dados?", questionou.

Cerca de 4.000 artigos científicos já se baseaream nos dados da missão, indicou Mathew Owens, professor de física espacial da Universidade de Reading, Inglaterra.

"Sem dúvida, os cientistas estarão analisando a informação de sua viagem final na atmosfera de Saturno durante os próximos anos", concluiu.

* AFP

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