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Berlim24/09/2017 | 18h50

Merkel vence eleições mas é ofuscada por avanço da ultradireita

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Angela Merkel e os conservadores alemães ganharam as eleições deste domingo, mas se viram enfraquecidos pelo avanço histórico da ultradireita e pela dificuldade para formar uma aliança de governo.

"Terremoto eleitoral", resumiu o jornal Bild em sua página na internet, apontando que, com 32,9% dos votos apurados, a CDU-CSU registrou "seu pior resultado desde 1949" e que os social-democratas do SPD (20,8%) "obtiveram seu pior resultado de todos os tempos", enquanto que os ultradireitistas do AfD (13%) se impuseram como "terceira força política" do país.

Merkel, no poder há 12 anos e três mandatos, admitiu que esperava um "melhor resultado", e advertiu que a entrada da ultradireita no parlamento impõe um "novo desafio".

A chanceler terá que buscar pela quarta vez um ou vários parceiros para formar seu próximo governo, já que os social-democratas anunciaram que não voltarão a governar com os conservadores.

O grande perdedor das eleições foi Martin Schulz, líder do SPD, que lamentou um "dia difícil e amargo para a social-democracia".

Ainda não se sabe como será partilha de entre 600 e 700 assentos, em razão da complexidade do sistema de votação alemão. Mas uma coisa é certa: a única maioria que Merkel pode esperar passa por uma aliança com os liberais do FDP e com os Verdes.

O principal obstáculo desta opção está no fato de ambos os partidos defenderem posições opostas em diversos temas, como a imigração e o diesel.

As negociações poderão durar até o final do ano, e Merkel não será nomeada chanceler até que forme uma nova maioria. Além disso, Merkel descartou qualquer governo que se apoie em maiorias flutuantes.

- Manifestações anti-AfD -

A vitória de Merkel foi ofuscada pelo histórico avanço da ultradireita do AfD, que conseguiu cerca de 13% dos votos, segundo as pesquisas de boca de urna.

"Vamos mudar este país [...] Vamos expulsar a senhora Merkel. Vamos recuperar nosso país", lançou Alexander Gauland, um dos líderes do AfD.

Será a primeira vez desde 1945 que um partido revisionista e contrário ao islã, às elites, ao euro e à imigração entra na câmara dos deputados alemã.

O AfD ficou à frente da esquerda radical de Die Linke (9%), dos liberais do FDP (10%) e dos Verdes (9%).

Nas regiões da antiga Alemanha oriental, os nacionalistas chegaram a se impor como segunda força, com 22,8% dos votos, atrás da CDU (28,6%).

Várias cidades alemãs foram cenário de protestos espontâneos anti-AfD, começando por Berlim, onde centenas de pessoas, custodiadas pela polícia, se concentraram em frente ao local onde o partido comemorava os resultados.

- Comunidade judia preocupada -

A AfD avançou vários pontos ao final da campanha, apesar de ter radicalizado seu discurso e de ter pedido aos cidadãos que se sintam orgulhosos dos feitos dos soldados alemães durante a Segunda Guerra Mundial. Algo nunca visto em um país cuja identidade desde o final da guerra foi construída com base no arrependimento pelo nazismo e na rejeição ao extremismo.

A comunidade judaica denunciou o programa "infame" do AfD, que quer pôr fim ao arrependimento alemão pelos crimes nazistas. "Voltam os fantasmas do passado", alertou a revista semanal Der Spiegel.

Durante a campanha, o partido chegou a dizer, entre outras coisas, que a Alemanha se tornou "refúgio de criminosos terroristas do mundo inteiro", além de denunciar a "traição" de Merkel, de 63 anos, por ter aberto as portas em 2015 a centenas de milhares de solicitantes de refúgio, na maioria muçulmanos.

Neste contexto, Merkel terá que dialogar com seus aliados bávaros da CSU e à ala mais conservadora da CDU, que pediram reiteradamente à chanceler que escutasse seus militantes da ala mais radical, que a acusam de ser muito centralizadora.

"Nos descuidamos de nossa ala direita e agora teremos que preencher o vazio com posições mais claras", declarou o chefe da CSU, Horst Seehofer.

O AfD "é competência da união [cristã-democrata] e da família conservadora em geral [...] se abre um período muito difícil para a chanceler", explicou Lothar Probst, cientista político da Universidade de Bremen.

* AFP

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