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Reykjavik15/09/2017 | 17h13

Islandeses voltam às urnas após queda do governo

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O primeiro-ministro islandês anunciou, nesta sexta-feira (14), a convocação de eleições legislativas antecipadas, pela segunda vez em menos de um ano, após a saída de um partido da coalizão de centro-direita, o que levou à queda do governo.

O pleito vai acontecer antes do fim de 2017, provavelmente em novembro, um ano depois das últimas legislativas antecipadas, provocadas pelo escândalo dos Panamá Papers, afirmou Bjarni Benediktsson em uma coletiva de imprensa em Reykjavik.

"É uma decepção considerável, mas parece que estamos onde estávamos após as legislativas de 2016 (...) e não vejo outra alternativa senão chamar os eleitores às urnas", declarou o primeiro-ministro.

O partido centrista pró-europeu Futuro Radiante, que não está no governo, mas lhe apoiava no Parlamento, anunciou nesta sexta que seus quatro deputados deixaram de apoiar o executivo.

A decisão leva à queda do governo de Benediktsson e provoca uma nova crise política na pequena ilha do Atlântico norte.

A coalizão de centro-direita, formada há nove meses após negociações complexas, tinha 32 dos 63 assentos do Parlamento islandês de uma só câmara, o Althingi.

A frágil coalizão, a mais curta da história da Islândia, era formada pelo Partido da Independência (conservador, com 21 vagas), liderado pelo primeiro-ministro, Futuro Radiante (quatro vagas) e Renascimento ou Partido da Reforma (centro-direita, sete).

- Polêmica criminal -

O Futuro Radiante, como a maioria dos partidos políticos, acusa Benediktsson de ter encoberto seu pai em um caso que escandalizou os islandeses.

O código penal do país tem uma polêmica disposição legal que permite que, após cumprirem sua pena, pessoas condenadas apaguem seu registro de antecedentes criminais, desde que três pessoas consideradas moralmente corretas lhes respaldem por escrito.

Por causa desta lei, um homem condenado em 2004 a cinco anos e meio de prisão por estuprar quase diariamente sua filha adotiva ao longo de 12 anos recebeu uma carta de Benedikt Sveinsson, pai do atual primeiro-ministro.

Os opositores acusam o político de saber disso desde julho, mas não ter informado seus colegas da coalizão até que ser forçado a fazê-lo por uma comissão parlamentar.

Desde então, o governo prometeu revisar o código penal. Essa norma continua sendo muito polêmica, após a revelação de um caso similar, envolvendo um ex-procurador condenado também por pedofilia.

O próprio primeiro-ministro admitiu, nesta sexta, que a norma - cujo objetivo é restabelecer os direitos de presos quando saem da prisão - "é incompatível com a sensibilidade da opinião pública" e garante que ficou "escandalizado" ao saber do que seu pai faz.

"Não poderia ter escrito uma carta assim", garantiu, e criticou o Futuro Radiante pela "fraqueza dos que desertaram".

A popularidade de Bjarni Benediktsson já tinha sido abalada quando seu nome foi citado, em 2016, no Panamá Papers, que trouxeram à tona empresas de pessoas do mundo todo em paraísos fiscais.

O Partido pela Independência, que lidera a vida política islandesa desde os anos 1930, continua, contudo, na liderança de pesquisas e pode ganhar as próximas legislativas.

* AFP

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