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Madri17/09/2017 | 15h28

Irritados com referendo, empresários catalães preparam planos alternativos

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Os grandes empresários da Catalunha começam a perder a paciência. Preocupados com a disputa em torno do referendo de 1º de outubro, empresários de diferentes setores estão discretamente freando projetos e até preparando planos B, apesar de considerarem a independência improvável.

"A situação atual provoca muito incômodo e preocupação", declarou esta semana em um fórum o diretor-geral do Banco Sabadell, quinto maior banco espanhol, com sede em Barcelona, como o CaixaBank, as duas grandes entidades financeiras catalães.

Segundo Jaime Guardiola Romajaro há várias empresas que estão preparando "planos de contingência". Uma informação confirmada pela principal associação patronal catalã, Foment del Treball.

"Todo aquele que vê que a sua atividade corre algum tipo de risco" está se preparando, explica Salvador Guillermo, diretor econômico da patronal catalã.

No caso "muito hipotético" de uma independência, o Banco Sabadell não tem como "não ficar sob o marco regulatório do Banco Central Europeu e da zona euro", já que isso lhe faria perder suas vias de financiamento, explica uma fonte da entidade.

Além disso, os mecanismos para deslocar a sede administrativa para Madri, por exemplo, "são muito fáceis" e rápidos, detalha esta fonte.

Outras empresas como agroalimentares exportadoras também estudam alternativas, já que teriam que pagar direitos de alfândega em caso de saírem da União Europeia (UE), aponta Salvador Guillermo.

Nos últimos meses, o diretor do Banco Sabadell foi o único grande empresário catalão que falou em público sobre a questão. A Catalunha, que colabora com quase 20% do PIB espanhol, conta com sete grupos cotados no IBEX 35, principal índice da bolsa de Madri.

Há alguns anos, o presidente da editora Planeta, uma das mais importantes na língua espanhola, já disse que estava disposto a abandonar a Catalunha em caso de independência. E o da Freixenet, líder no ramo de espumantes da Catalunha, qualificou esse caso como "desastre".

No início de agosto, a empresa de alimentação light NaturHouse deslocou sua sede de Barcelona para Madri.

"Se perguntarem a nós, empresários catalães, se queremos um mercado de 550 milhões de europeus, ou de 7,5 milhões de catalães, a resposta é clara", explicou o patrão do grupo, Félix Revuelta, em entrevista ao jornal El Mundo.

No entanto, o ministro da Economia, Luis de Guindos, assegura que não "identificou nenhum tipo de deslocamento (de empresas catalães), porque não há nenhum investidor nacional que considere que o cenário de independência vá acontecer".

- Insegurança jurídica -

Vários grupos "retardaram centenas de projetos logísticos ou de pesquisa e desenvolvimento" à espera de que o contexto político se esclareça, explica um economista de uma grande escola de comércio catalã, que prefere o anonimato devido à sensibilidade do tema.

Contudo, assegura, "a maioria deles acha que nada vai acontecer", mas tampouco estão "contentes com o que está acontecendo".

Contactados pela AFP, CaixaBank (terceiro maior banco da Espanha), Abertis (gestão de estradas) e Gás Natural se negam a fazer comentários, assim como o fabricante de produtos sanguíneos Grifols.

"Na Catalunha, os empresários sempre foram muito discretos. Temos um governo local e muito próximo. Então a pessoas não querem que se irritem com eles", analisa o especialista da escola de comércio.

Para serem ouvidas, as empresas preferem se amparar nas associações patronais. "Este cenário de referendo não se ajusta adequadamente à lei", explica Salvador Guillermo, da Foment del Treball, insistindo na necessidade de respeitar "o Estado de direito e a democracia".

"Queremos diálogo, negociação e acordo. Talvez tenham que ajustar o encaixe da Catalunha na Espanha", com uma autonomia econômica reforçada, detalha este diretor, chamado os políticos a olhar para além de 1º de outubro.

Pimec, a patronal catalã de pequenas e médias empresas, se posicionou a favor de um referendo acordado sobre a independência, e destaca as "frustrações não resolvidas" suscitadas pela falta de diálogo entre o governo de Madri e o Executivo catalão de Carles Puigdemont.

* AFP

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