Oposição venezuelana votará plebiscito simbólico como ofensiva final contra Maduro - Mundo - A Notícia

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Caracas14/07/2017 | 17h39Atualizada em 14/07/2017 | 18h39

Oposição venezuelana votará plebiscito simbólico como ofensiva final contra Maduro

País já conta com quase 100 mortos em protestos ao longo dos últimos quatro meses

AFP
AFP

Os opositores venezuelanos votarão, neste domingo (16), um plebiscito simbólico contra o presidente Nicolás Maduro. Esta será a ofensiva final depois de quase quatro meses de violentos protestos que aprofundaram o caos e a anarquia institucional.

Com um país estagnado e sobressaltado por quase 100 mortos nos protestos, a oposição e o governo travarão um intenso confronto a favor e contra a Assembleia Nacional Constituinte, convocada por Maduro.

O governo, em plena campanha para a eleição, em 30 de julho, dos 545 constituintes, promove a reforma constitucional como a única saída para a convulsão política e social e ao colapso econômico do país petroleiro.

— Nesse dia será definido o destino de Venezuela. Vamos à Constituinte para salvar a pátria da agressão dos fascistas, dos imperialistas e dos violentos — afirmou o presidente.

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A Mesa da Unidade Democrática (MUD) considera a iniciativa uma "fraude" com a qual o governo tenta se perpetuar no poder, após 18 anos de governo chavista.

— Maduro quer transformar a Venezuela em Cuba e não podemos permitir. Por isso, neste domingo, devemos todos sair para votar — convocou Julio Borges, presidente del Parlamento, de maioria opositora.

Sem o aval do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), acusado de servir ao governo, a MUD celebrará a consulta popular confiante de que milhões de pessoas votarão para demonstrar uma contundente rejeição à Constituinte.

Com a radicalização do conflito, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse nesta sexta-feira (14), em comunicado, que as partes devem dialogar de maneira "urgente" para erradicar a violência e negociar um "caminho constitucional".

Votação atípica 

Em meio à radicalização do conflito, em nenhuma das duas votações participarão as respectivas contrapartes. Portanto, ambos ganharão.

A oposição, o chavismo crítico — liderado pelo procuradora-geral Luisa Ortega— e a Igreja Católica rejeitam a Constituinte por não ter havido consulta prévia.

Em seu pedido para que a população se rebele contra o que chama de "ditadura", a MUD vê o plebiscito como a "hora zero", um detonante da fase definitiva em que espera tirar Maduro do poder, com protestos em massa e simultâneos, ou uma greve geral.

— Já estou cheia, cansada de não conseguir comida, medicamentos, o salário não me basta. Estamos lutando pelo país que queremos — disse uma enfermeira de 29 anos durante protesto.

Apoiado pelos poderes eleitoral e judicial e pelas Forças Armadas, Maduro acredita que terá a seu lado um "suprapoder" que regirá a Venezuela por tempo indefinido, podendo anular um Parlamento opositor e um Ministério Público rebelde.

No campo socioeconômico, o governo promete elevar a patamar constitucional os programas sociais, o controle de preços para frear a inflação — que o FMI calcula em 720% para 2017 — e o sistema de distribuição de alimentos subsidiados contra a grave escassez.

— Podemos estar insatisfeitos com a revolução por certas coisas que não estão funcionando. Não nos deixamos enveredar pela direita e vamos todos votar porque somos revolucionários — disse o dirigente juvenil Steven Márquez.

O que está em jogo 

Para Maduro, o objetivo é que a Constituinte, desaprovada por 70% dos venezuelanos, segundo o Datanálisis, tenha "legitimidade", detenha a fissura no chavismo e a rejeição internacional e consiga que "a revolução se mantenha, ainda que sendo minoritária", acrescentou.

— Será muito complicado para o governo dar viabilidade ou governabilidade a uma Constituinte que nasceria com uma grande abstenção, em contraste com uma consulta com participação alta — disse à AFP o analista Benigno Alarcón.

O plebiscito também perguntará aos venezuelanos se concordam com uma mudança dos poderes públicos, incluindo o governo, e sobre a exigência de que as Forças Armadas — principal base de sustentação de Maduro — respeitem a Constituição.

A oposição instalará para a consulta — apoiada pela ONU, pela OEA e com cinco ex-presidentes latino-americanos como observadores — cerca de 14,3 mil mesas de votação na Venezuela e aproximadamente 500 em 80 países, enquanto o poder eleitoral disponibilizará cerca de 2 mil urnas na simulação.

 
 

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