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Shenyang13/07/2017 | 22h51

Nobel chinês Liu Xiaobo morre aos 61 anos

AFP
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O Prêmio Nobel da Paz chinês Liu Xiaobo morreu aos 61 anos, nesta quinta-feira (13), perdendo sua batalha contra o câncer, um mês após ser transferido da prisão para um hospital na cidade de Shenyang, no nordeste da China - informaram autoridades locais.

Em um comunicado, o Gabinete de Assuntos Jurídicos de Shenyang confirmou o óbito, acrescentando que Liu faleceu três dias depois começar a receber tratamento intensivo.

Esse símbolo da luta pela democracia na China foi internado no Hospital Universitário N°1 de Shenyang após passar oito anos preso.

Afetado por um câncer de fígado em estágio terminal, ele obteve liberdade condicional para ser tratado.

O anúncio de seu óbito é delicado para Pequim, ao expor o tratamento reservado a dissidentes políticos no país.

A comunidade internacional lamentou a sua morte.

O secretário de Estado americano, Rex Tillerson, prestou uma homenagem solene ao dissidente chinês, considerando que "dedicou sua vida a melhorar a humanidade".

O secretário de Estado pediu, além disso, que a China liberte a esposa do dissidente, Liu Xia, de sua prisão domiciliar vigiada e permita abandonar a China, como é sua vontade.

O comitê do Nobel norueguês, que atribuiu ao dissidente o Nobel da Paz em 2010, reagiu duramente à notícia de seu falecimento.

A China tem uma "grande responsabilidade" na morte "prematura" de Liu Xiaobo ao privá-lo de cuidados médicos adaptados, estimou o comitê, nesta quinta.

"Consideramos profundamente perturbador que Liu Xiaobo não tenha sido transferido para um estabelecimento onde poderia ter recebido um tratamento médico adequado antes que sua doença entrasse em estágio terminal", declarou a presidente do comitê, Berit Reiss-Andersen.

A chanceler alemã Angela Merkel lamentou a morte "de um valente combatente em favor dos direitos Humanos e da liberdade de expressão".

No Twitter, o ministro alemão da Justiça, Heiko Maas, prestou uma homenagem ao opositor chinês.

"Sua resistência pela não violência o transformou em um herói da luta a favor da democracia e dos direitos humanos", tuitou.

O comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad Al Husein, declarou que Liu era uma "verdadeira encarnação dos valores democráticos".

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, disse estar "profundamente entristecido" pela morte de Liu.

O presidente norte-americano Donald Trump, que se encontrava em Paris, disse estar "profundamente entristecido", segundo um comunicado da Casa Branca. Seu anfitrião Emmanuel Macron elogiou a figura do ativista como a de um "combatente pela liberdade".

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, e o da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, reiteraram por sua vez o pedido da União Europeia "para que todos os presos políticos sejam libertados" na China.

Ye Du, um dissidente próximo da família de Liu, afirmou que Pequim desejava manter o opositor político preso "até a morte". Fora da China, Liu poderia se expressar politicamente, o que teria um impacto negativo sobre o Partido Comunista chinês e o país", declarou à AFP.

O famoso dissidente chinês refugiado nos Estados Unidos Chen Guangcheng acusou o Partido Comunista de ter "assassinado" Liu Xiaobo e pediu à comunidade internacional que aumente a pressão sobre Pequim para conseguir a libertação da viúva. "Foi assassinado pelo Partido Comunista da China, o mataram deliberadamente".

O nome do Prêmio Nobel é tabu na imprensa oficial, salvo nos jornais chineses em inglês que classificam Liu como "criminoso". Ele é desconhecido para grande parte da população de seu país.

Desde a chegada ao poder do presidente Xi Jinping no final de 2012, a repressão política no gigante asiático aumentou. Além de reprimir defensores dos direitos Humanos, o regime também perseguiu seus advogados, prendendo dezenas de juristas e militantes.

Nesta quinta-feira, o serviço em inglês da agência oficial de notícias Xinhua, informou a morte do dissidente, mencionando pela primeira vez o caso de Liu desde a sua hospitalização. A notícia não aparecia no serviço em chinês.

* AFP

 
 

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