Violência na República Democrática do Congo deixa mais de 3 mil mortos em oito meses - Mundo - A Notícia

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África20/06/2017 | 08h58Atualizada em 20/06/2017 | 09h56

Violência na República Democrática do Congo deixa mais de 3 mil mortos em oito meses

Desde setembro de 2016, a região de Kasai é abalada por uma rebelião que já causou o deslocamento de 1,3 milhão de pessoas

Violência na República Democrática do Congo deixa mais de 3 mil mortos em oito meses JOHN WESSELS / AFP/AFP
Voluntária leva alimentos para deslocados pelo conflito na região de Kasai (foto de 7 de junho de 2016) Foto: JOHN WESSELS / AFP / AFP
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Mais de 3 mil pessoas morreram desde outubro de 2016 na região do Kasai, no centro da República Democrática do Congo (RDC), de acordo com um documento da Nunciatura Apostólica no país. A nota técnica cita 3.383 mortes registradas desde outubro no Kasai, enquanto a ONU registrava um balanço estimado de "mais de 400 mortos".

O documento apresenta um "resumo dos danos sofridos pelas instituições eclesiásticas" baseado em relatórios a partir de 13 de outubro de 2016 — quando aconteceu um primeiro ataque a uma paróquia.

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De acordo com a nota com data de 19 de junho, várias estruturas eclesiásticas foram danificados ou fechadas, incluindo 60 paróquias, 34 casas religiosas, 31 centros de saúde católicos, 141 escolas católicas, cinco seminários e um bispado destruídos.

A nota também afirma que 20 aldeias foram "completamente destruídas", incluindo "10 pelas FARDC (exército congolês), quatro por milicianos e seis por agressores desconhecidos". Também são mencionadas 30 valas comuns. A ONU citava de 42 valas comuns.

Desde setembro de 2016, a região do Kasai é abalada pela rebelião de Kamwina Nsapu, chefe tradicional morto em agosto passado em uma operação militar depois de ter se rebelado contra o governo de Kinshasa.

A violência que envolve milícias, soldados e policiais no Kasai causou o deslocamento de 1,3 milhão de pessoas. Dois especialistas da ONU, enviados pelo secretário-geral para investigar a violência, foram mortos em março.

A ONU acusa os rebeldes Kamwina Nsapu de alistar crianças soldados e cometer atrocidades, enquanto denuncia o uso desproporcionado da força por parte do exército congolês.

O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad Al Hussein, acusou as autoridades da RDC de armar uma milícia que ataca os civis na região de Kasai.

— Estou consternado pela criação e armamento de uma milícia, Bena Mura, que apoiaria as autoridades na luta contra a rebelião Kamwina Nsapu, mas que executou ataques horríveis contra civis dos grupos étnicos luba e lulua — declarou Zeid no Conselho dos Direitos Humanos da ONU reunido em Genebra.

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