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Cancún19/06/2017 | 16h14

OEA nega que debater crise na Venezuela seja intervenção

Debater a crise política na Venezuela, que deixa mais de 70 mortos, não é intervencionismo, já que a democracia é um dos pilares fundamentais da OEA, disse nesta segunda-feira o secretário-geral Luis Almagro, no início da Assembleia Geral do organismo continental.

Ao meio-dia desta segunda-feira, os chanceleres dos países-membros realizarão uma reunião especial sobre a Venezuela depois que o encontro inicial de 31 de maio em Washington foi cancelado por falta de consenso.

Estas reuniões especiais sobre o país sul-americano são um ponto delicado, pois foram o estopim para que o presidente Nicolás Maduro, que denuncia uma suposta intervenção, anunciasse em abril o processo de saída da Venezuela da Organização dos Estados Americanos (OEA), o que levará dois anos.

Almagro disse em coletiva que analisar o caso da Venezuela "não é intervencionismo" porque "a defesa da democracia é o princípio essencial [da OEA]".

A Venezuela é sacudida por inúmeros protestos desde 1º de abril, depois que o Tribunal Supremo de Justiça diluiu os poderes do Legislativo, agravando a situação após o chamado de Maduro para uma Assembleia Constituinte.

Até o momento são reportados mais de 70 mortos nessas manifestações.

"As reuniões de consulta permanecem abertas por um longo período de tempo [...]. Outro cenário é que acordem os termos para que isto possa ser discutido durante a Assembleia Geral", disse o chanceler mexicano, Luis Videgaray, em coletiva.

Almagro e Videgaray assinalaram a necessidade do estabelecimento de um cronograma eleitoral por parte do governo, que o processo da Assembleia Constituinte fique sem efeito, que respeitem a divisão de poderes, libertem os presos políticos, acabem com a tortura e abram um canal internacional de ajuda ao país.

Videgaray comemorou o fato de a Venezuela, apesar do anúncio de saída da OEA, estar presente neste encontro e ter registrado a delegação mais numerosa.

Ainda não foi confirmada a chegada da chanceler venezuelana, Delcy Rodríguez, que deu início a um debate em Cancún depois de, na noite de domingo, denunciarem uma suposta agressão a delegados que chegavam a este destino turístico, onde uma dezena de venezuelanos residentes no balneário se manifestavam contra o governo de Maduro do lado de fora do hotel sede, que conta com seguranças da presidência.

Rodríguez disse no Twitter que o governo mexicano "deve esclarecer se apoia os [indivíduos] violentos que estão em Cancún para atacar a delegação venezuelana".

Entretanto, Videgaray diminuiu a importância da denúncia ao assinalar que "não foi um incidente que acabou em danos para ninguém, foi de caráter verbal".

- Em busca de consenso -

A OEA abordará a crise venezuelana com marcadas divisões e aliados firmes de Caracas, principalmente Nicarágua e Bolívia.

A missão dos chanceleres é adotar uma resolução de consenso a partir de dois projetos opostos.

Os 14 países da Comunidade do Caribe (Caricom), que durante anos se beneficiaram das entregas subsidiadas de petróleo venezuelano, propõem que a solução da crise venezuelana seja "interna" e "baseada em um diálogo" entre governo e oposição.

No outro extremo, Peru, Canadá, Estados Unidos, México e Panamá impulsionam a criação de um "grupo de contato" para acompanhar um novo processo de negociação.

Em coletiva de imprensa em Cancún, o deputado opositor venezuelano Luis Florido pediu aos países caribenhos que declinem em sua proposta, que "entendam que a crise na Venezuela não é mais suportada" e pediu à OEA "que se expresse com muita contundência".

Almagro, no entanto, se mostrou prudente sobre uma solução próxima à crise na Venezuela.

"Este processo não será concluído hoje ainda que tenhamos uma resolução muito forte. O tema na Venezuela vai continuar porque a crise na Venezuela tampouco irá acabar hoje".

* AFP

 
 

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