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Paris23/04/2017 | 15h45

Presidenciais francesas: Macron e Le Pen lideram primeiro turno

O candidato de centro e pró-europeu Emmanuel Macron e sua adversária da extrema direita Marine Le Pen lideram o primeiro turno das presidenciais francesas, que contaram com uma alta participação dos cidadãos, apesar da ameaça terrorista, segundo as primeiras estimativas divulgadas neste domingo.

Macron liderava a corrida presidencial e teria 23% a 24% dos votos, à frente da chefe da Frente Nacional com 21,6% a 23% dos votos, segundo estimativas de três institutos de pesquisa.

Se confirmado, este resultado representará um revés para os partidos tradicionais que se alternaram no poder durante décadas: o socialista, do presidente em fim de mandato François Hollande, e os conservadores, liderados por François Fillon.

Aos 39 anos e à frente de um novo partido, Em Marcha!, Macron ganhou uma disputa que muitos davam por perdida até o início de 2017, quando começou a despontar nas pesquisas.

Marine Le Pen, de 48 anos, tampouco ficou atrás e repetiu a façanha de seu pai 15 anos depois, capitalizando o enfado dos franceses com o sistema.

Qualquer um dos dois candidatos fará história: Macron como o presidente mais jovem da França e Le Pen como a primeira mulher chefe de Estado no país.

As pesquisas realizadas antes das eleições deste domingo davam a vitória a Macron no segundo turno, em 7 de maio, contra Le Pen.

Caso as estimativas se concretizem, seria um alívio para a União Europeia (UE). Macron, ex-ministro da Economia do presidente socialista François Hollande, fez uma campanha com um programa abertamente europeísta e liberal.

No caso da vitória de Marine Le Pen, se aproximaria um período de grande incerteza para a UE devido a sua defesa da saída da zona do euro, que poderia supor um golpe fatal a um bloco já enfraquecido pelo Brexit.

A ultradireitista se beneficiou da mesma onda populista que impulsionou a vitória de Donald Trump nos Estados Unidos, com um programa centrado no "patriotismo" e na "preferência nacional".

A ida destes dois candidatos para o segundo turno confirma os que as pesquisas vinham anunciando há semanas, embora o suspense tenha se mantido até o último minuto devido à curta distância em relação aos dois principais rivais: François Fillon e Jean-Luc Mélenchon.

Apesar da ameaça de atentados extremistas que pairava sobre estas eleições, os franceses não se amedrontaram e compareceram em massa às urnas. A participação foi uma das mais altas dos últimos 40 anos.

A reta final da campanha foi abalada nesta semana por um atentado na emblemática avenida Champs Elysées de Paris e pela descoberta de um atentado iminente, em um país traumatizado por uma onda de ataques extremistas que deixaram mais de 230 mortos desde 2015.

Neste clima de tensão máxima, as autoridades não pouparam em termos de segurança em todo o território, com o envio de mais de 50.000 policiais e gendarmes, que contaram com a ajuda de 7.000 militares.

A nível interno, estas eleições são consideradas cruciais em um país com uma economia golpeada pelo desemprego e por um crescimento que não avança desde a crise de 2008.

A corrida ao Palácio do Eliseu foi atípica. Enfraquecido por uma impopularidade recorde, Hollande foi obrigado a renunciar de concorrer novamente, algo nunca visto na França em mais de 60 anos.

Seu primeiro-ministro, Manuel Valls, foi eliminado nas primárias socialistas, nas quais venceu um candidato mais à esquerda, Benoît Hamon, o grande derrotado do dia.

A campanha esteve marcada também pelos problemas judiciais de vários candidatos, o que relegou ao segundo plano o debate das questões importantes.

François Fillon perdeu sua condição de favorito depois que a imprensa revelou que sua esposa, Penelope, e dois de seus cinco filhos se beneficiaram de empregos públicos supostamente fictícios, pelos quais receberam centenas de milhares de euros.

Indiciado por desvio de recursos públicos e apropriação indébita de bens sociais, Fillon, que alega inocência, não abriu mão da candidatura.

Mas ele não foi o único com problemas com a Justiça. Marine Le Pen também é objeto de uma investigação por supostos empregos fictícios no Parlamento Europeu, onde ocupa uma cadeira, e por supostas irregularidades no financiamento de campanhas passadas.

Entretanto, ela se nega a ser interrogada pela justiça, invocando sua imunidade parlamentar.

A última surpresa veio da esquerda radical. Mélenchon, um ex-socialista que virou o símbolo do partido "França Insubmissa", subiu nas pesquisas com um discurso combativo contra o que ele considera "a casta" política.

Este admirador do venezuelano Hugo Chávez e do cubano Fidel Castro estava disposto a ignorar a UE caso não colocasse fim à política de austeridade.

Macron e Le Pen disporão agora de 15 dias para convencer os 47 milhões de eleitores de que são a melhor opção para comandar o país.

Aquele que vencer logo terá que criar alianças visando as legislativas de junho, que ocorrem em dois turnos, e que até então favoreceram os partidos tradicionais.

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