Congresso do partido anti-imigração alemão começa entre protestos e divisões - Mundo - A Notícia

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Berlim22/04/2017 | 12h19

Congresso do partido anti-imigração alemão começa entre protestos e divisões

O partido anti-imigração Alternativa para a Alemanha (AfD) começou neste sábado um congresso de dois dias, marcado por lutas internas a cinco meses das eleições legislativas e perturbado por protestos e incidentes com a polícia.

Dois policiais ficaram levemente feridos em confrontos com os manifestantes que, entre vaias e gritos de protesto, tentaram impedir que os 600 delegados do AfD entrassem em um hotel de Colonia (oeste), onde se realiza até domingo o congresso.

Está prevista uma manifestação que pode reunir até 50.000 pessoas neste fim de semana.

O partido se encontra em um momento de profunda divisão: de um lado estão os "realistas", que não desejam que o AfD seja assimilado pela extrema-direita, e do outro os que defendem uma posição mais dura, na qual possam abundar as expressões racistas, e uma "oposição fundamental" ao sistema.

Uma reconciliação parece pouco provável após o fracasso, logo no início do congresso, da codirigente do partido, Frauke Petry, em conseguir apoio para um programa moderado baseado na sua estratégia de "Realpolitik" para levar o AfD ao poder em 2021.

Os delegados se recusaram a votar sua moção, em um duro "revés" para Petry, segundo os meios alemães.

A busca de uma linha comum é importante porque esta disputa interna é acompanhada por uma queda de popularidade do partido, liberal no campo econômico e que se apresenta como anti-islã, eurocético e defensor dos valores familiares tradicionais.

O AfD registrou um avanço nas pesquisas durante a crise migratória de 2015-2016, quando a chanceler Angela Merkel abriu as fronteiras do país para mais de um milhão de solicitantes de asilo.

Frauke Petry, de 41 anos, surpreendeu na quarta-feira ao anunciar que não queria encabeçar as listas da formação nas eleições de setembro, deixando o partido em uma situação complicada pela falta de candidato.

Petry afirma que as "tensões internas" e os deslizes racistas criaram "uma erosão drástica do potencial eleitoral" do partido.

Seu principal adversário interno é Alexander Gauland, de 76 anos, que tem muito apoio no leste da Alemanha, o grande reduto eleitoral do AfD.

Até o momento, Gauland conseguiu resistir aos ataques e impediu a expulsão de dirigentes do partido que fizeram declarações polêmicas sobre o nazismo.

O jornal Süddeutsche Zeitung citou um possível confronto ou até mesmo uma cisão do AfD durante o congresso.

Até pouco tempo atrás, o AfD vinha acumulando êxitos, conquistando inclusive assentos em 11 das 16 assembleias regionais alemãs. As pesquisas davam então ao AfD até 15% das intenções de voto.

Desde janeiro, essa porcentagem caiu para entre 7% e 11%, o que continua sendo um nível histórico para um partido deste tipo na Alemanha do pós-guerra.

Ainda assim, o AfD parece estar longe de alcançar um resultado nas legislativas de setembro que lhe permita se tornar a terceira força política do país, atrás da CDU de Merkel e do social-democrata SPD.

dlc-alf/me/pa/db

 
 

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