Tropas de elite do regime sírio entram na zona leste de Aleppo - Mundo - A Notícia

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Conflito01/12/2016 | 10h14Atualizada em 01/12/2016 | 10h30

Tropas de elite do regime sírio entram na zona leste de Aleppo

Bombardeios das forças aliadas ao governo já forçaram mais de 50 mil pessoas a fugir da cidade síria em quatro dias

Tropas de elite do regime sírio entram na zona leste de Aleppo George OURFALIAN/AFP
Foto: George OURFALIAN / AFP
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O regime sírio enviou centenas de soldados de elite para conquistar os bairros mais populosos da zona leste de Aleppo e acelerar a queda do reduto rebelde, que pode, segundo a ONU, se transformar em um "gigantesco cemitério".

As tropas do regime, auxiliadas por combatentes estrangeiros, controlam 40% do leste de Aleppo, quinze dias após o lançamento de sua vasta ofensiva para retomar a segunda maior cidade do país, de acordo com Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

— O regime aperta o cerco sobre as áreas ainda sob controle rebelde — afirmou Rami Abdel Rahman, diretor do OSDH. 

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Depois de conquistar a parte nordeste do reduto rebelde, as tropas sírias avançam "no leste, em torno de al-Karm Jazmati, e ao sul", no vasto bairro de Sheikh Said.

Centenas de soldados das unidades de elite da Guarda Republicana e da 4ª Divisão foram mobilizadas para "batalhas de rua" nas áreas mais povoadas da zona leste de Aleppo, informou Abdel Rahman. 

— Eles avançam, mas temem emboscadas nas áreas em que os combatentes se misturam aos civis.

Embora aguerridos, os grupos armados rebeldes não são páreos para o poder de fogo do regime, que com seus ataques aéreos e bombardeios incessantes está determinado a reconquistar a cidade, no que seria sua principal vitória desde o início da guerra em 2011.

"Cerco de 150 dias"

Os bombardeios causaram enorme destruição e forçaram mais de 50 mil pessoas a fugir de Aleppo em quatro dias, de acordo com OSDH — êxodo que deverá aumentar nos próximos dias, uma vez que nas áreas do leste da cidade habitam cerca de 250 mil civis.

— Essas pessoas estão sob cerco há quase 150 dias e agora não têm os meios para sobreviver — alertou o chefe das operações humanitárias da ONU, Stephen O'Brien. 

Mais de 300 civis, incluindo 33 crianças, foram mortos na zona leste de Aleppo desde o início da ofensiva, em 15 de novembro, de acordo com OSDH. Quase cinquenta pessoas foram mortas no oeste da cidade — controlada pelo governo — por tiros atribuídos aos rebeldes.

— Suplicamos aos beligerantes para que façam todo o possível para proteger os civis e permitir o acesso à parte sitiada de Aleppo antes que se torne um gigantesco cemitério — disse O'Brien.

O'Brien fez o apelo ao Conselho de Segurança da ONU, reunido em caráter de emergência na quarta-feira. A reunião, no entanto, como as anteriores, terminou sem progresso, demonstrando a impotência da comunidade internacional neste conflito. Os países ocidentais acusaram a Rússia, que ajuda militarmente o regime de Bashar al-Assad, seu aliado na guerra pela crise humanitária.

— O Conselho não responde aos apelos de ajuda aos civis (de Aleppo), porque a Rússia não quer isso — resumiu a embaixadora americana, Samantha Power.

— Este Conselho é totalmente incapaz de agir — admitiu o embaixador britânico Matthew Rycroft. — Por quê? Porque a Rússia vetou, uma e outra vez.

Já o embaixador russo Vitaly Churkin respondeu acusando o Ocidente de tentar "salvar terroristas" e "utilizar questões humanitárias para fins políticos".

Representantes de grupos rebeldes em Aleppo se reuniram nos últimos dias com enviados da Rússia em Ancara para discutir o estabelecimento de uma eventual trégua.

Uma retomada completa de Aleppo representaria a maior vitória do regime desde o início da guerra e seria mais um duro golpe para os rebeldes que agora controlam apenas a província de Idleb, ao norte, e algumas áreas de Deraa, no sul, berço da sua revolta, e perto de Damasco.


 
 

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