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Colômbia01/12/2016 | 08h21Atualizada em 01/12/2016 | 08h21

Congresso colombiano ratifica acordo de paz com as Farc

Pacto prevê desarmamento da guerrilha, erradicação do cultivo de drogas e programas sociais para integrar mais de 6 mil rebeldes à sociedade civil

Congresso colombiano ratifica acordo de paz com as Farc GUILLERMO LEGARIA/AFP
Foto: GUILLERMO LEGARIA / AFP
Agência Brasil
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O acordo de paz que acaba com meio século de enfrentamentos entre o governo colombiano e a maior guerrilha do país começa a ser implementado a partir desta quinta-feira. Os rebeldes das Forças Armadas Revolucionarias da Colômbia (Farc) tem 150 dias para entregar todas as armas às Nações Unidas.

O presidente colombiano Juan Manuel Santos comemorou a ratificação do pacto, na quarta-feira à noite, depois de dois dias de intensos debates e a aprovação do acordo de paz na Câmara dos Representantes e no Senado. Segundo Santos, o dia 1º de dezembro será o Dia D para dar fim ao período de 52 anos de violência, que resultaram na morte de mais de 200 mil colombianos e no deslocamento de mais 6 milhões.

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Santos ganhou o Prêmio Nobel da Paz por seus esforços para negociar o desarmamento do grupo guerrilheiro mais antigo da América Latina. Foi um processo que durou quatro anos e quase termina em fracasso. O primeiro pacto, assinado por Santos e pelo líder das Farc, Rodrigo Londoño (conhecido como "Timochenko") foi rejeitado em um plebiscito em outubro. Novas negociações resultaram numa segunda versão, menos tolerante com os rebeldes — como pediam os que votaram contra na consulta popular.

O segundo acordo manteve a promessa feita aos guerrilheiros, de que poderiam formar um partido político, disputar eleições e ocupar cargos públicos. A oposição, liderada pelo ex-presidente e atual senador Álvaro Uribe, queria que o documento fosse submetido a um novo plebiscito. No entanto, Santos decidiu submetê-lo à aprovação do Congresso, onde o governo tem maioria.

Tanto Santos quanto Londoño argumentaram que o acordo de paz foi o resultado de amplo debate e que era mais importante implementar a paz o quanto antes que colocar em risco a trégua entre o governo e a guerrilha e recomeçar de zero. 

A discussão mobilizou também os colombianos no exterior, como o barítono Alfredo Martinez, 30 anos, que canta em óperas em Buenos Aires. 

— Uma guerra tão longa deixa profundas feridas. Muitos achavam que não deviam perdoar os responsáveis pela violência tão facilmente, da noite para a manhã, e que eles deveriam responder por seus crimes — disse à Agência Brasil. — Mas, no fundo, todos os colombianos querem a paz. E o bom é que esse acordo abriu as portas para o debate e todos se informaram a respeito, para apoiar ou rejeitar o pacto. Não importa. O importante é que o debate se deu. 

Além do desarmamento das Farc, o acordo prevê a erradicação dos cultivos de drogas ilegais (que financiavam as atividades guerrilheiras, depois da queda do comunismo no Leste Europeu) e programas sociais para integrar mais de 6 mil mil rebeldes à sociedade civil. Opositores ao acordo argumentavam que a Colômbia iria gastar uma fortuna em um momento de desaquecimento da economia. E o tema fará parte dos debates nas eleições do próximo ano.

O acordo de paz colombiano foi mediado pelo governo cubano, que continua de luto pela morte do líder revolucionário Fidel Castro. Ele morreu na sexta-feira aos 90 anos. Suas cinzas estão sendo levadas, numa peregrinação pelo país. e serão enterradas no domingo.

 
 

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