Cinzas de Fidel retomam viagem após parada no mausoléu do Che - Mundo - A Notícia

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Sancti Spíritus01/12/2016 | 17h27

Cinzas de Fidel retomam viagem após parada no mausoléu do Che

A caravana com as cinzas de Fidel Castro retomou sua jornada nesta quinta-feira, depois de passar a noite no mausuoléu de Che Guevara, em santa Clara, a escala mais simbólica deste trajeto, que terminará no sábado em Santiago de Cuba.

Depois de dois dias de homenagens em Havana, a urna de madeira que contém as cinzas do líder da Revolução cubana começou na quarta-feira um percurso por 13 das 15 províncias de Cuba, fazendo, de trás para frente, o caminho que o levou junto com seus companheiros até a entrada triunfal em Havana em 1º de janeiro de 1959.

Em Santa Clara, as cinzas de Fidel foram levadas ao monumento onde repousam os restos mortais do comandante Che Guevara. Ali permaneceram durante a noite antes de receber outra homenagem multitudinária na quinta-feira.

Santa Clara foi o local onde Fidel e o Che, ícones da Revolução, se viram pela última vez, em 1966, antes de o argentino ser executado na Bolívia um ano depois.

"Viveram como quiseram"

"Vão estar juntos no final, como há muito tempo estiveram na guerrilha", afirmou emocionada Madeline Villegas, de 31 anos.

Cinco ex-combatentes do exército rebeldes trouxeram suas medalhas para se despedir do "Comandante". Com o peito estufado, ouviram o hino nacional quando a caravana com os restos de Fidel Castro parou em frente à biblioteca José Martí, no centro da cidade.

"Viva Fidel!". O grito unânime foi ouvido em toda Santa Clara. Mais uma vez, lágrimas e memórias se multiplicaram.

Os mais jovens, como Talia Jimenez, uma estudante de 16 anos, sentiu que "nessa urna não ia Fidel", mas que o pai da Revolução Cubana tinha ficado com Che.

Secundino Diaz, um comerciante aposentado de 87 anos, simplesmente não podia acreditar: "Che" Guevara e Fidel juntos novamente. "É muito simbólico que seus restos descansem aqui", disse, acrescentando: "poucos como eles dois viveram como quiseram".

"É o encontro para a história de dois comandantes que mudaram a história de Cuba e da humanidade", disse Agnier Sánchez, de 32 anos, técnico de imagenologia médica.

O comboio com as cinzas de Fidel partiu na quarta-feira de Havana sobre uma estrutura adornada com flores brancas puxada por um veículo militar e se dirige a Santiago, no leste da ilha, onde seus restos serão enterrados no domingo, após uma viagem por quase mil quilômetros, que percorrerá 13 das 15 províncias de Cuba.

"Desandar o caminho revolucionário"

Fidel Castro conheceu Ernesto Che Guevara no México em 1955 por intermédio do atual presidente Raúl Castro.

Quando já estavam a caminho da vitória da Revolução em 1959, o argentino conquistou a cidade de Santa Clara em dezembro de 1958, depois de uma dura batalha. Poucas horas depois, Fulgencio Batista deixava o governo e fugia da ilha. Trinta anos depois de sua morte na Bolívia, em 1967, o icônico "Che" foi enterrado com honras em uma cerimônia em Santa Clara liderada por Fidel Castro.

A relação entre Castro e Guevara foi tão próxima que Castro chegou a admitir que sonhava com ele anos depois de sua morte.

"O tempo passa e às vezes você sonha com o companheiro que morreu, e o vê vivo, e conversa com ele", disse em uma entrevista com Ignacio Ramonet, publicada no livro 'Fidel Castro: biografia a duas vozes'.

As cinzas de Fidel serão depositadas finalmente no dia 4 de dezembro no cemitério de Santa Ifigenia, em Santiago de Cuba, onde descansam os restos do também mítico José Martí, herói da independência cubana.

A última viagem de Fidel Castro é carregada de simbolismo. Em 1959, um então enérgico líder guerrilheiro de 32 anos saiu de Santiago de Cuba rumo a Havana, onde proclamou a vitória da Revolução que derrubou o ditador Fulgencio Batista.

Na quarta-feira, seus restos percorreram um longo caminho ao contrário por boa parte do país que Fidel transformou com fórmulas de inspiração soviética e em aberto desafio aos Estados Unidos.

Incerteza

A morte de Fidel reaviva as perguntas sobre o futuro do socialismo em Cuba, e das relações com os Estados Unidos agora que Donald Trump assumirá a Casa Branca.

"O cubano não é político, a política não lhe importa, o que queremos são mudanças econômicas. Agora mesmo", disse José Arnocha, um taxista de 37 anos.

O modelo da economia planejada naufragou com o colapso do bloco comunista, e hoje Raúl Castro executa uma cuidadosa abertura ao trabalho privado e ao investimento estrangeiro, enquanto incentiva uma histórica aproximação com Washington.

O irmão caçula de Fidel assumiu o poder em 2006 a partir de uma doença intestinal que obrigou o máximo dirigente da Revolução a soltar as rédeas do país. A grande pergunta é o que vai acontecer a partir de 2018, quando o presidente Raúl Castro, de 85 anos, deixar o poder, assim como prometeu.

"De muitas maneiras, a morte de Fidel simbolicamente marca o fim de uma era e o início de uma era pós-Castro, uma vez que Raúl também se retire da vida pública. Sem a sombra de seu irmão mais velho, Raúl pode se sentir mais livre para colocar em andamento as modestas reformas que iniciou na última década", comentou à AFP Jorge Duany, diretor do Cuban Research Institute.

Entre elas a aproximação com os Estados Unidos. Mas Trump ameaçou cancelar o processo de aproximação com Cuba, a menos que a ilha aceite negociar um "acordo melhor", ou seja, atender as exigências de maior abertura econômica e em matéria de direitos humanos.

ml-vel/fj/app/ma/mr/mvv

 
 

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