Assad envia tropas de elite a Aleppo e Moscou propõe corredores humanitários - Mundo - A Notícia

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Alepo01/12/2016 | 18h24

Assad envia tropas de elite a Aleppo e Moscou propõe corredores humanitários

Centenas de soldados de elite do governo sírio tomaram posições em Aleppo para conquistar os bairros mais povoados deste reduto rebelde sitiado, enquanto a Rússia propunha corredores humanitários para retirar os feridos para a chegada da ajuda aos civis.

Com bombardeios aéreos, barris explosivos e incessantes disparos de artilharia há 15 dias, o exército tem semeado a devastação no leste da cidade de Aleppo.

Ajudado por milhares de combatentes estrangeiros - iranianos, iraquianos, palestinos e do Hezbollah libanês - "o governo estreita o cerco nas zonas sob o controle rebelde", disse Rami Abdel Rahman, diretor do Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

Centenas de soldados das unidades de elite da Guarda Republicana e da 4ª Divisão foram disponibilizados para entrar em "combate nas ruas" nas zonas mais povoadas, acrescentou.

Apesar de se tratar de combatentes aguerridos e com experiência, os rebeldes se viram superados pela potência de fogo de Damasco, que com os bombardeios da aviação e da artilharia, procura derrotá-los da maneira mais severa desde o início da guerra civil em 2011.

Menor ritmo de bombardeios

Dividida desde 2012 entre o setor oeste controlado pelo regime e os bairros do leste nas mãos dos rebeldes, Aleppo se tornou a principal frente do conflito sírio, que já deixou mais de 300.000 mortos em cinco anos.

O leste de Aleppo tinha 250 mil habitantes, porém mais de 50 mil foram forçados a fugir desta zona cercada há quatro meses e privada de comida, remédios e eletricidade, segundo o OSDH, que advertiu que o êxodo irá aumentar.

A tempestade de quinta-feira freou o fluxo de deslocados, ao mesmo tempo que obrigou a diminuir o ritmo dos bombardeios e os disparos da artilharia. Apesar disso, os combates em terra continuaram com a mesma intensidade, segundo a ONG e o correspondente da AFP no local.

Aliado do governo sírio, a quem oferece uma ajuda militar de grande valia na guerra, a Rússia deseja "abrir quatro corredores humanitários com nossa equipe para falar da forma como poderemos utilizá-los para retirar as pessoas, sobretudo, os 400 feridos que necessitam de ajuda médica imediata", declarou Jan Egeland, diante do grupo de trabalho sobre ajuda humanitária na Síria, após uma reunião em Genebra.

Esses corredores também poderão servir para transportar remédios, material médico e comida, acrescentou.

Russos contra ocidentais

Mais de 300 civis, entre eles 33 crianças, morreram no leste de Aleppo desde o início da ofensiva em 15 de novembro. Cinquenta pessoas morreram pela artilharia rebelde nos bairros de Aleppo controlados pelo governo.

"Essas pessoas estão cercadas há 150 dias e não têm os meios para sobreviver muito mais tempo", declarou Stephen O'Brien, responsável das operações humanitárias da ONU.

"Suplicamos aos combatentes que façam todo o possível para proteger os civis e permitir o acesso à parte cercada do leste de Aleppo antes que se converta em um gigantesco cemitério", disse O'Brien.

Diante do Conselho de Segurança da ONU, que realizou uma reunião de emergência na quarta-feira, o alto funcionário solicitou ao governo sírio que autorize a entrada "em total segurança" de medicamentos e alimentos.

Essa reunião, como as anteriores, terminou sem nenhum avanço, mostrando a impotência da comunidade internacional na crise síria.

Os ocidentais culpam a Rússia de ajudar militarmente e apoiar o governo do presidente Bashar al-Assad.

"O Conselho não responde aos pedidos de ajuda dos civis porque a Rússia não quer", acusou a embaixadora americana diante da ONU, Samantha Power.

O embaixador russo, Vitali Churkin, respondeu acusando os ocidentais de quererem "salvar os terroristas" (fazendo referência aos combatentes rebeldes) e "utilizar problemas humanitários para fins políticos".

A conquista da totalidade de Aleppo representaria a vitória mais importante do governo desde o início da guerra.

Também seria um golpe muito duro para os rebeldes, cujas regiões ficariam reduzidas à província de Idlib e algumas zonas em Deraa e próximo a Damasco.

mjg-burs/jri/tp.zm/app/aoc/jz/cb/mvv

 
 

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