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O futuro sem Fidel28/11/2016 | 14h31Atualizada em 28/11/2016 | 15h12

Trump ameaça acabar com a reaproximação EUA-Cuba sem "um acordo melhor"

Presidente eleito dos Estados Unidos cobra que os cubanos façam concessões na área dos direitos humanos e da economia

Trump ameaça acabar com a reaproximação EUA-Cuba sem "um acordo melhor" Gage Skidmore/Wikimedia
Foto: Gage Skidmore / Wikimedia
AFP e Zero Hora

O presidente eleito Donald Trump ameaçou nesta segunda-feira acabar com o processo de reaproximação entre Estados Unidos e Cuba, a não ser que Havana faça concessões em termos de direitos humanos e abertura de sua economia.

"Se Cuba não estiver disposta a alcançar um melhor acordo para o povo cubano, para os cubanos-americanos e os Estados Unidos como um todo, porei fim ao acordo", escreveu Trump no Twitter.

– Temos que conseguir um acordo melhor – havia declarado seu chefe de gabinete, Reince Priebus, em entrevista no domingo ao canal Fox.

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As manifestações de Trump desta segunda-feira ampliam as dúvidas sobre a relação entre Estados Unidos e Cuba. O professor Arturo López-Levy, da Universidade do Texas Rio Grande Valley, observou que, com a morte de Fidel Castro, ocorrida na sexta-feira, a tendência seria de aceleração das reformas econômicas em Cuba, na medida em que dirigentes de perfil mais pragmático, como Raúl, estariam à vontade para agir. 

A grande ironia é que, morto Fidel, um fator de risco muito maior mostra suas garras. E agora não está em Cuba, mas sim nos Estado Unidos: o futuro presidente Donald Trump. O magnata convertido em político não perdeu a oportunidade de ser incisivo tão logo a morte do líder revolucionário foi anunciada. Em contraste com palavras equilibradas de Obama, veio a público para definir Fidel como um "ditador brutal que oprimiu seu próprio povo durante décadas" — o que foi visto por especialistas não só como um desastre diplomático, mas também como ofensa a grande parte dos cubanos em momento de comoção.

Mais significativas, porém, foram as manifestações de Trump durante a campanha eleitoral. Repetidamente, atacou o acordo firmado por Obama e prometeu revê-lo. O problema é que ninguém sabe exatamente o que isso significa. O jornal The New York Times notou que o futuro mandatário apresentou sinais conflitantes: saudou o reatamento das relações diplomáticas, mas também criticou as "concessões excessivas" aos vizinhos.

Para Bruno Mariotto Jubran, pesquisador em assuntos internacionais da Fundação de Economia e Estatística (FEE), mesmo que Fidel não tenha sido empecilho para a reconciliação, era possível que sua morte ajudasse a azeitar o processo. A ascensão do republicano americano altera o cenário:

— Trump é um risco maior. A julgar pelas declarações dele, pode haver retrocesso. Antes a incerteza estava mais em Cuba ou era um troca-troca com os Estados Unidos. Agora, ela está no lado americano.

Sinais de que o recuo é possibilidade real foram dados neste fim de semana por pessoas próximas a Trump. Kellywanne Conway, ex-chefe de campanha, disse que o futuro presidente exige receber algo em troca pelo restabelecimento das relações diplomáticas, afirmando que não houve "nenhuma garantia de que as pessoas que ainda vivem na ilha terão de fato liberdade religiosa, política e econômica". Os senadores Marco Rubio e Ted Cruz, apoiadores de Trump e filhos de cubanos, defenderam abertamente regresso nas engrenagens acionadas por Obama. Cruz quer a manutenção do bloqueio econômico.

— Trump deixou claro que sente que os passos do presidente Obama em direção a Cuba foram equivocados — ressaltou Rubio.

De outro lado, indícios alimentam a esperança de reconciliação. Ao comentar a morte de Fidel, Trump ressaltou que fará de tudo para que "o povo cubano possa finalmente começar sua jornada em direção à prosperidade e à liberdade".

Fabiano Mielniczuk, professor de Relações Internacionais da ESPM-Sul, avalia que Trump pode aproveitar a morte de Fidel para "moderar o tom":

— Durante a campanha, Trump foi bastante duro ao criticar o presidente Obama pelo acordo, chamando-o de "fraco" e deixou claro que iria revê-lo para transformá-lo em pacto mais "forte". Essa postura foi fundamental para garantir o apoio da comunidade cubana na Flórida. Com a morte de Fidel, Trump pode rever essa postura sem necessariamente ser acusado de ter mudado de ideia, mas apontar a mudança do contexto interno de Cuba, agora sem Fidel, como motivo para dar continuidade à postura reconciliadora de Obama.

*Com a colaboração das agências de notícias

 
 

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