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Havana27/11/2016 | 09h21

Raúl Castro reverteu várias medidas emblemáticas de Fidel

O presidente cubano Raúl Castro reverteu medidas emblemáticas de seu irmão Fidel, ao eliminar um símbolo como o Ministério do Açúcar, acabar com proibições "excessivas" e restabelecer as relações com os Estados Unidos.

Raúl, que abriu espaço ao setor privado na economia embora diga que suas reformas são uma mera "atualização" do modelo socialista, sucedeu seu irmão e mentor no comando da ilha em 2006, depois de ter sido por quase meio século o número dois do regime e ministro das Forças Armadas.

Nomeado presidente pelo Parlamento em fevereiro de 2008 e primeiro-secretário do Partido Comunista em abril de 2011, em ambos os casos substituindo Fidel, Raúl demonstrou pragmatismo diante dos complexos problemas da ilha e para encarar as relações com Washington, que mantém um embargo econômico sobre a ilha desde 1962.

Em março passado, recebeu em Havana a histórica visita do presidente americano Barack Obama, com quem chegou a assistir uma partida de beisebol.

Nunca se soube de uma briga com Fidel, embora Raúl tenha dado passos em sentido contrário a seu irmão, a quem seguiu desde a tomado do Quartel Moncada em 26 de julho de 1953, a primeira ação armada da Revolução Cubana.

Enquanto Fidel dedicou sua aposentadora a cuidar de sua saúde e escrever artigos, Raúl, cinco anos mais novo, não descansou em introduzir reformas: suspendeu a proibição de compra e venda de casas e automóveis, cortou subsídios, ampliou a economia privada e reduziu o inchado aparelho estatal.

- Celulares e viagens -

Raúl também acabou com as proibições que ele mesmo classificou de "excessivas", permitindo aos cubanos adquirir celulares e computadores, alugar carros, hospedar-se em hotéis e viajar ao exterior.

Por proposta sua, o VI Congresso do partido aprovou em abril de 2011 mais de 300 "orientações" para potencializar o sistema econômico de corte soviético, que tem sido incapaz de dar prosperidade aos cubanos e faz que milhares deles emigrem em busca de uma vida melhor, às vezes em perigosas travessias em balsas pelo mar.

Essas orientações contemplam um maior espaço para a iniciativa privada, em um país onde Fidel nacionalizou em 1968 até os pequenos negócios de bairro e onde todos temiam ser acusados de "enriquecimento ilícito".

O Estado controla ainda quase 90% da economia e emprega mais de 80% dos trabalhadores, aos que paga em média cerca de 20 dólares mensais, mas, com a abertura, floresce um setor com altos rendimentos e um crescente nível de consumo.

Suas reformas têm buscado fortalecer a agricultura. Para isso, o governo entregou em usufruto mais de 1,4 milhão de hectares ociosas a mais de 163.000 agricultores privados e cooperativas, autorizados a vender diretamente seus produtos aos hotéis.

- Reduzir o aparelho estatal -

Em setembro de 2011 Raúl eliminou o Ministério do Açúcar, um símbolo da revolução criado por Fidel em 1964, e o substituiu por um conglomerado empresarial similar aos existentes em nações capitalistas, porém estatal.

Em janeiro de 2013 pôs em vigor uma reforma migratória que acabou com as restrições para viajar ao exterior, que seu irmão havia imposto aos cubanos meio século antes.

Outra reforma entrou em vigor em 1º de janeiro de 2012 para transformar funcionários de empresas estatais de serviços em trabalhadores privados, ao aprofundar um programa experimental que começou com cabeleireiros em abril de 2010.

Raúl, que reintroduziu em 2011 os créditos bancários e cortou subsídios criados por seu irmão, se empenhou em reduzir o inchado quadro de funcionários estatal, de cinco milhões de pessoas, o que significa que mais cubanos deverão ganhar a vida por "conta própria", uma modalidade praticamente eliminada por Fidel nos anos 1960.

Em 2015, já se contavam 477.000 profissionais liberais, mais do que o dobro em relação a outubro de 2010, quando Raúl ampliou o trabalho privado em Cuba, um dos cinco países comunistas do mundo junto com China, Vietnã, Laos e Coreia do Norte.

Raúl também realizou desde 2010 diversas libertações de presos políticos.

* AFP

 
 

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