Iraque inicia operação para reconquistar Mossul - Mundo - A Notícia

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Bagda17/10/2016 | 05h00

Iraque inicia operação para reconquistar Mossul

O primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, anunciou nesta segunda-feira o início da operação para retomar a cidade de Mossul do grupo extremista Estado Islâmico (EI).

"O tempo da vitória chegou e as operações para libertar Mossul começaram", declarou o chefe de Governo na televisão.

Em um discurso aos habitantes da região de Mossul, disse: "Hoje declaro o início dessas operações vitoriosas para libertá-los da violência e do terrorismo do Daesh", acrônimo árabe de Estado Islâmico (EI).

O primeiro-ministro, que também é comandante em chefe das Forças Armadas, leu o discurso ao lado de vários comandantes militares iraquianos.

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Ashton Carter, afirmou que as operações para recuperar Mossul são fundamentais para derrotar o Estado Islâmico.

"Este é um momento decisivo para infligir uma derrota duradoura ao EI", destacou Carter em um comunicado.

"Confiamos que nossos aliados iraquianos conseguirão impor-se ao nosso inimigo comum e libertarão Mossul e o resto do Iraque do ódio e da brutalidade do EI".

Al-Abadi não revelou detalhes sobre as operações militares iniciadas na madrugada de domingo para segunda-feira.

As tropas do governo iraquiano, auxiliadas por outras forças diversas, intensificaram nos últimos meses o cerco a Mossul, a segunda maior cidade do Iraque e principal reduto do EI no país.

Recentemente recuperaram posições importantes perto de Qayyarah, cidade localizada a 60 km de Mossul, como parte da preparação da ofensiva final.

O primeiro-ministro explicou no discurso que apenas o exército e a polícia entrarão em Mossul, apesar de numerosas forças de segurança participarem na ofensiva preparada para recuperar a cidade, incluindo peshmergas curdos e milícias sunitas e xiitas.

"A força que executa as operações de libertação é o valoroso exército iraquiano junto com a polícia nacional e ambos serão os que entrarão em Mossul, nenhuma mais", declarou Abadi.

Mossul, cidade de maioria sunita, caiu com relativa facilidade sob controle dos extremistas sunitas do EI em junho de 2014, em parte pela profunda desconfiança da população local a respeito das forças de segurança iraquianas, dominadas pelos xiitas.

Antes do início da ofensiva, a organização paramilitar Hashed al-Shaabi, dominada por milícias xiitas que contam como o apoio do Irã, anunciou a intenção de participar na operação para reconquistar Mossul.

Além disso, milhares de combatentes curdos iraquianos avançavam nesta segunda-feira em direção a localidades controladas pelo EI ao leste de Mossul.

"Quase 4.000 peshmergas (combatentes curdos) participam na operação em Khazir em três frentes, para 'limpar' os vilarejos dos arredores ocupados pelo EI", afirma um comunicado divulgado pelo comando geral das forças curdas.

A nota explica que o avanço foi coordenado com as forças federais iraquianas - que avançam pelo lado sul de Mossul - e tem o apoio da aviação da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos.

Preocupação da ONU com civis

O vice-secretário-geral para Assuntos Humanitários e Assistência de Emergência da ONU, Stephen O'Brien, expressou uma profunda preocupação com a segurança de 1,5 milhão de civis que vivem em Mosul

"Algumas famílias enfrentam um risco extremo de ficar no meio do fogo cruzado ou de se tornarem alvos de franco-atiradores", advertiu.

A ofensiva pode demorar semanas, de acordo com o comandante da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos, o tenente-general Stephen Townsend.

"A operação para retomar o controle da segunda maior cidade do Iraque provavelmente vai durar semanas, possivelmente mais", disse o militar.

"A batalha se anuncia longa e difícil, mas os iraquianos se prepararam e nós estaremos a seu lado", completou.

bur-jmm/fp

 
 

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