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Washington18/10/2016 | 12h33

Hillary Clinton enfrenta dilema do livre-comércio

As idas e vindas da democrata Hillary Clinton sobre o livre-comércio alimentam dúvidas sobre suas convicções profundas e também os contínuos ataques de sua rival à presidência dos Estados Unidos, o republicano Donald Trump.

A três semanas da eleição, a ex-secretária de Estado não esclareceu ainda sua postura sobre o controverso Tratado Transpacífico (TPP), um tema que deverá ressurgir durante o terceiro debate presidencial com Trump, na quarta-feira.

Em outubro de 2012, quando estava à frente da chancelaria de seu país, Hillary Clinton afirmou que esse acordo, entre os Estados Unidos e 11 países da região Ásia-Pacífico, sem a China, era "um modelo de excelência para um comércio livre, transparente e justo".

Três anos mais tarde, este pacto que visa a abolir as barreiras comerciais entre os países signatários foi acusado de todos os males pela sociedade civil americana, pela ala esquerda do partido Democrata e por Donald Trump. A posição de Hillary Clinton teve então uma mudança de 180 graus. "Se me baseio no que sei hoje não posso apoiar" esse tratado, escreveu em outubro de 2015.

"O risco é muito grande de que, apesar de nossos esforços, (esses tratados) sejam mais ruins que bons para as famílias americanas que trabalham duro", acrescentou Hillary Clinton, que na época travava uma dura batalha contra Bernie Sanders, decidido opositor ao TPP, pela candidatura democrata.

Sua equipe de campanha sabia da mudança brusca da candidata e das dificuldades que a mudança traria, segundo os e-mails privados filtrados pelo Wikileaks.

"Trata-se efetivamente de um difícil equilíbrio, já que não queremos gerar provocações ao nos opôr de maneira muito radical a um acordo que ela antes defendia, ou ao ressaltar muito seus aspectos negativos enquanto a decisão (de nos opor) não foi evidente", escreveu em um desses e-mails Dan Schwerin, que escreve os discursos de Hillary Clinton.

Após as revelações do Wikileaks, a equipe de Trump atacou sem pena a adversária. "Agora sabemos que a mudança radical de postura de Hillary Clinton sobre o TPP era apenas uma estratégia político cínica empregada pela política mais cínica da história americana", diz um comunicado publicado neste domingo.

- Dúvidas -

O campo republicano não foi único a duvidar da sinceridade da ex-primeira-dama. Em 2008, Barack Obama reprovou sua inconstância em relação ao Nafta, o tratado de livre-comércio entre Estados Unidos, México e Canadá assinado em 1994, quando Bill Clinton ocupava a Casa Branca. Naquele ano, o atual presidente e sua futura secretária de Estado disputavam a candidatura democrata.

"Disse grandes coisas sobre o Nafta, mas mudará quando começar a disputar a presidência", denunciou na época Obama, que se comprometeu a renegociar o acordo caso ganhasse a eleição, coisa que nunca fez.

Hillary nega, mas é certo que mudou de posição também sobre este tratado, acusado de ter acelerado o processo de desindustrialização e de deslocalização de empregos nos Estados Unidos.

Depois de ter estimado que o Nafta permitiria "colher os frutos, e não o fardo, da mundialização", a atual candidata democrata modificou seu ponto de vista. "O Nafta foi um erro, na medida em que seus resultados não estiveram de acordo com o esperado", assegurou em novembro de 2007.

Essas variações não são necessariamente uma fraqueza e prova de falsidade, disse à AFP John Hudak, especialista político da Brookings Institution de Washington.

"Sem dúvida alguma (Hillary Clinton) evoluiu no que se refere a comércio quando se dispôs a pensar sobre os impactos (dos TLC) sobre os assalariados americanos", apontou. "Há nisso, claro, algum cálculo, mas achar que para um político toda evolução deveria ser por essência problemática é um erro".

De qualquer forma, uma pergunta continua válida: Qual é a postura real da candidata democrata sobre o livre comércio?

Como senadora por Nova York (2001-2006), Hillary Clinton votou a favor de todos os tratados comerciais, salvo o Cafta, assinado com cinco Estados da América Central e a República Dominicana.

Hoje, diz publicamente que quer acordos "bem pensados e equitativos", embora em discursos no âmbito privado tenha se mostrado menos em dúvida, segundo declarações reveladas pelo Wikileaks em que ela afirma "sonhar com um mercado comum que abarque o conjunto do hemisfério americano".

Em política, "é preciso ter uma mesma posição pública e privada", dizia em 2013 em um desses discursos.

* AFP

 
 

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