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Qayyarah18/10/2016 | 13h38

Forças iraquianas avançam na direção de Mossul

Dezenas de milhares de combatentes iraquianos mobilizados para tomar Mossul do grupo extremista Estado Islâmico (EI) ganhavam terreno nesta terça-feira, no segundo dia desta ofensiva de uma magnitude sem precedentes, que aumenta o temor de um êxodo de civis.

Avançando com caravanas de veículos blindados pelas planícies áridas que cercam a segunda cidade do Iraque, e apoiados por bombardeios aéreos da coalizão internacional antijihadista liderada pelos Estados Unidos, as forças iraquianas entraram em localidades onde o EI tenta resistir, constatou um jornalista da AFP.

Grandes colunas de fumaça se elevavam ao céu a partir de poços de petróleo incendiados, perto da retaguarda das forças iraquianas em Qayyarah, 70 km ao sul de Mossul. O céu estava coberto por uma fumaça cinza ao longo de quilômetros.

As forças leais ao governo de Bagdá avançam a partir de Qayyarah, assim como a partir de Jazir (leste), em direção a Mossul, último grande reduto do EI no Iraque.

"Muitas localidades foram liberadas", indicou à AFP Sabah al Numan, porta-voz dos serviços antiterroristas iraquianos, uma das unidades de elite mobilizadas.

"Alcançamos nossos primeiros objetivos e inclusive mais, mas somos prudentes e nos agarramos ao plano", acrescentou.

Antes de alcançar as proximidades diretas de Mossul, onde entre 3.000 e 4.500 extremistas fortemente armados estariam entrincheirados, as forças iraquianas atravessarão territórios controlados pelo EI ao redor da cidade.

- 'Vingança contra a população' -

Em Mossul, um habitante descreveu a atmosfera estranha e as ruas vazias. "O céu está sempre preto pela fumaça dos pneus queimados pelos extremistas", explicou por telefone Abu Saif, de 47 anos.

"No fundo, estamos felizes porque estamos prestes a ser libertados, mas temos medo que o Daesh se vingue contra a população", advertiu.

A operação começou e o "primeiro dia todo correu como estava previsto", afirmou o Pentágono.

Acrescentou que 52 alvos foram destruídos por aviões da coalizão no primeiro dia da ofensiva.

No entanto, o EI prometeu a derrota dos Estados Unidos no Iraque em um vídeo divulgado por sua agência de propaganda.

As imagens divulgadas mostram um combatente extremista nas ruas de Mossul proclamando: "Respeito você, Estados Unidos (...) juramos por Deus que te venceremos no Iraque e faremos você sair derrotado e humilhado" deste país.

O ministro da Defesa francês, Jean-Yves Le Drian, advertiu, no entanto, que a batalha pode durar várias semanas ou até mesmo meses.

Seu colega britânico, Michael Fallon, considerou, por sua vez, que "não será uma operação rápida", e que acredita que o EI lutará com fúria.

Esta batalha de Mossul que se aproxima aumenta os temores de um êxodo em massa da população.

Um total de 1,5 milhão de pessoas ainda vivem em Mossul e podem ficar presas em meio aos violentos combates ou ser utilizadas como escudos humanos pelos extremistas, como fizeram em outras cidades que perderam no Iraque nos últimos meses.

Várias organizações humanitárias pediram a instauração de corredores de segurança para que os civis possam fugir dos combates.

A coordenadora humanitária da ONU para o Iraque, Lise Grande, declarou na segunda-feira que ainda não há muita gente fugindo de Mossul, mas se referiu à possibilidade de que ocorram "importantes movimentos populacionais (...) em cinco ou seis dias".

- 'Preparar refúgios' -

Duzentas mil pessoas podem ser deslocadas "nas duas primeiras semanas", número que pode aumentar significativamente à medida que a ofensiva avance, segundo a ONU.

"As agências humanitárias preparam refúgios em três regiões prioritárias no sul de Mossul onde os primeiros deslocados serão abrigados", acrescentou a ONU.

A Anistia Internacional (AI) pediu nesta terça-feira ao Iraque que garanta que suas forças de segurança e as numerosas milícias paramilitares não cometam abusos com os civis.

Segundo a ONG, as forças de segurança e as milícias detiveram de maneira arbitrária, torturaram e executaram milhares de civis que fugiam das zonas nas mãos do EI em ocasiões passadas.

A perda de Mossul pode produzir um fluxo para a Europa de combatentes extremistas dispostos a agir, advertiu nesta terça-feira o comissário europeu para a segurança, Julian King, em uma entrevista ao jornal alemão Die Welt.

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e a Organização Internacional para as Migrações (OIM) advertiram, por sua vez, que se preparavam para enfrentar um possível uso de armas químicas na ofensiva.

bur-jmm-iw/bpe/eg/age/ma

 
 

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