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Qayyarah18/10/2016 | 10h47

Forças iraquianas avançam na direção de Mossul

Dezenas de milhares de combatentes iraquianos mobilizados para tomar Mossul do grupo extremista Estado Islâmico (EI) ganhavam terreno nesta terça-feira, no segundo dia desta ofensiva de uma magnitude sem precedentes, que aumenta o temor de um êxodo de civis.

Avançando com caravanas de veículos blindados pelas planícies áridas que cercam a segunda cidade do Iraque, e apoiados por bombardeios aéreos da coalizão internacional antijihadista liderada pelos Estados Unidos, as forças iraquianas entraram em localidades onde o EI tenta resistir, constatou um jornalista da AFP.

Grandes colunas de fumaça se elevavam ao céu a partir de poços de petróleo incendiados, perto da retaguarda das forças iraquianas em Qayyarah, 70 km ao sul de Mossul. O céu estava coberto por uma fumaça cinza ao longo de quilômetros.

Um soldado iraquiano posicionado em um dos postos de controle explicou que os extremistas incendiaram os poços petrolíferos para tentar impedir a coalizão de realizar ataques aéreos e retomar Qayyarah. Mas a cidade caiu nas mãos das forças iraquianas em 25 de agosto e os incêndios não pararam desde então.

As forças leais ao governo de Bagdá avançam a partir de Qayyarah, assim como a partir de Jazir (leste), em direção a Mossul, último grande reduto do EI no Iraque.

"Muitas localidades foram liberadas", indicou à AFP Sabah al Numan, porta-voz dos serviços de contraterrorismo iraquianos, uma das unidades de elite mobilizadas.

"Alcançamos nossos primeiros objetivos e inclusive mais, mas somos prudentes e nos agarramos ao plano", acrescentou.

"Nossas forças utilizam um amplo espectro de meios a sua disposição contra os terroristas e ainda temos mais surpresas para eles quando chegarmos à cidade", disse o porta-voz.

Antes de alcançar as proximidades diretas de Mossul, onde entre 3.000 e 4.500 extremistas fortemente armados estariam entrincheirados, as forças iraquianas atravessarão territórios controlados pelo EI ao redor da cidade.

- "Como estava previsto" -

A operação começou e o "primeiro dia todo correu como estava previsto", afirmou o Pentágono.

Acrescentou que 52 alvos foram destruídos por aviões da coalizão no primeiro dia da ofensiva.

Situada no norte do Iraque e povoada majoritariamente por muçulmanos sunitas, Mossul caiu nas mãos do EI em junho de 2014 e o líder do grupo, Abu Bakr al Bagdadi, proclamou então um califado nos territórios conquistados rapidamente pelos extremistas no Iraque e na Síria.

A batalha de Mossul, que pode durar semanas, pode ser muito dura e aumentar os temores de um êxodo maciço de população.

Um total de 1,5 milhão de pessoas ainda vivem em Mossul e podem ficar presas em meio aos violentos combates ou ser utilizadas como escudos humanos pelos extremistas, como fizeram em outras cidades que perderam no Iraque nos últimos meses.

Várias organizações humanitárias pediram a instauração de corredores de segurança para que os civis possam fugir dos combates, principalmente levando-se em conta que a cidade pode ser submetida a um cerco por parte das forças iraquianas.

A coordenadora humanitária da ONU para o Iraque, Lise Grande, declarou que ainda não há muita gente fugindo de Mossul, mas se referiu à possibilidade de que ocorram "importantes movimentos populacionais (...) em cinco ou seis dias".

- 'Preparar refúgios' -

Duzentas mil pessoas podem ser deslocadas "nas duas primeiras semanas", número que pode aumentar significativamente à medida que a ofensiva avance, segundo a ONU.

"As agências humanitárias preparam refúgios em três regiões prioritárias no sul de Mossul onde os primeiros deslocados serão abrigados", acrescentou a ONU.

Por enquanto, os acampamentos existentes só podem receber algumas dezenas de milhares de deslocados, quando finalmente este número pode ser de centenas de milhares.

A Anistia Internacional (AI) pediu nesta terça-feira ao Iraque que garanta que suas forças de segurança e as numerosas milícias paramilitares não cometam abusos com os civis.

Segundo a ONG, as forças de segurança e as milícias detiveram de maneira arbitrária, torturaram e executaram milhares de civis que fugiam das zonas nas mãos do EI em ocasiões passadas.

A perda de Mossul seria um revés muito forte para o EI.

O grupo extremista perdeu muito espaço nos últimos meses nos dois países, mas segue controlando Raqa (norte da Síria) e realiza ataques suicidas.

Uma perda de Mossul pode produzir um fluxo para a Europa de combatentes extremistas dispostos a agir, advertiu nesta terça-feira o comissário europeu para a segurança, Julian King, em uma entrevista ao jornal alemão Die Welt.

* AFP

 
 

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