Estado Islâmico sofre derrota simbólica em cidade síria; Ocidente ameaça com sanções - Mundo - A Notícia

Versão mobile

Beirute16/10/2016 | 21h20

Estado Islâmico sofre derrota simbólica em cidade síria; Ocidente ameaça com sanções

Rebeldes sírios apoiados pela Turquia aplicaram neste domingo um duro golpe ao grupo Estado Islâmico (EI), ao reconquistarem uma cidade perto da fronteira turca, Dabiq, simbólica para os jihadistas, e ocidentais ameaçaram em Londres aplicar sanções ao regime sírio e a seu aliado, Rússia.

O revés do EI aconteceu enquanto americanos e europeus se reuniam em Londres em uma nova tentativa de deter o banho de sangue na Síria, onde os bombardeios continuavam neste domingo.

Em Londres, onde se reuniram neste domingo os países que apoiam a oposição síria, o secretário americano de Estado, John Kerry, afirmou que nos bairros rebeldes de Aleppo foram perpetrados "crimes contra a humanidade".

Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), que dispõe de uma ampla rede de fontes na Síria, "os rebeldes tomaram Dabiq após a retirada dos jihadistas do Estado Islâmico.

O diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman, assinalou que os rebeldes também capturaram Soran, uma localidade vizinha.

Um dos grupos rebeldes, a União Fastaqim, confirmou que Dabiq caiu após violentos combates com o Daesh, o acrônimo em árabe do EI.

A agência oficial turca Anadolu explicou que os rebeldes sírios estavam desativando bombas deixadas pelo EI. Segundo a Anadolu, nove rebeldes morreram e outros 28 ficaram feridos nos combates.

O ministro turco das Relações Exteriores, Mevlut Cavusoglu, afirmou neste domingo que os rebeldes apoiados por seu país avançariam agora para Al Bab, cidade em poder dos extremistas situada a aproximadamente 30 km ao sul de Dabiq.

O secretário americano de Defesa, Ash Carter, saudou a liberação de Dabiq, "que dá novo impulso à campanha para infligir uma derrota duradoura" ao EI na Síria.

Esta derrota tem um alcance simbólico para os jihadistas, pois, segundo uma das profecias do Islã, o exército dos muçulmanos seria dizimado, mas acabaria triunfando na cidade síria de Daqib.

- EI perde territórios -

O território controlado pelo EI segue diminuindo. Seu "califado", que se estendia por 90.800 km² no começo de 2015, abrange, hoje, 68.300 km² em Iraque e Síria, segundo a empresa americana IHS.

De acordo com a Anadolu, desde o começo das operações, em agosto, os rebeldes apoiados pela Turquia tomaram o controle de 1.130 km². As áreas recuperadas estavam nas mãos de curdos ou do EI.

Mas sangue continuava sendo derramado na Síria. Um dia depois de negociações sem resultado com a Rússia na Suíça, o secretário de Estado americano, John Kerry, reuniu-se na tarde deste domingo, na capital britânica, com os chanceleres britânico, Boris Johnson, e francês, Jean-Marc Ayrault.

A reunião na Suíça não permitiu elaborar um plano para restabelecer a trégua violada em setembro. Foi o primeiro encontro entre Kerry e o russo Serguei Lavrov desde o começo da ofensiva russo-síria, há três semanas, contra os bairros controlados por rebeldes no leste de Aleppo, norte daquele país. Estes bairros sofreram novos bombardeios aéreos neste domingo.

- Ocidentais ameaçam com sanções -

Em Londres, Estados Unidos e Reino Unido alertaram neste domingo que os aliados ocidentais pretendem impor novas sanções econômicas contra a Síria e a Rússia motivadas pelas ações em Aleppo, declarou o secretário de Estado americano, John Kerry, em Londres.

"Nós planejamos sanções suplementares e queremos ser claros, o presidente Obama não descartou nenhuma opção no momento", declarou Kerry após uma reunião sobre a Síria com países afins que apoiam a rebelião síria.

O ministro das Relações Exteriores britânico, Boris Johnson, disse em entrevista coletiva que foram propostas "várias medidas", "incluindo medidas suplementares contra o regime e seus apoios".

"Estas medidas afetarão os autores de esses crimes", advertiu.

Kerry minimizou a possibilidade de uma ação militar, acrescentando que seu dever era esgotar todas as soluções diplomáticas.

"Conversamos sobre todos os mecanismos à nossa disposição, mas não vejo nenhum interesse em ir à guerra em nenhuma parte da Europa", acrescentou o secretário de Estado americano.

O OSDH informou que morreram pelo menos 31 civis, a metade em bombardeios russos do bairro de Qaterji, onde uma dezena de famílias se encontravam presas sob os escombros. Ao longo do domingo, bombardeios contra os bairros de Sukkari, Hanano e Bustan Al Qasr deixaram quatro mortos, segundo a mesma fonte.

O regime de Damasco e a Rússia afirmam que bombardeiam Aleppo para eliminar terroristas. Moscou propôs esta semana que os rebeldes deixassem aquela cidade, garantindo a sua segurança. Já a ONU apresentou um plano para que saíssem os combatentes do Fatah al-Sham, ex-Frente al-Nosra, braço sírio da Al-Qaeda.

Mas tanto a oposição quanto seus apoios temem que, sob o pretexto de retirar os combatentes, o regime e a Rússia busquem apenas uma rendição completa de Aleppo.

burs-dc-jk/me/es/lb

 
 

Siga A Notícia no Twitter

  • anonline

    anonline

    Jornal A NotíciaFim de semana será de chuva em todas as regiões de Santa Catarina https://t.co/hwiw5PbHa7há 36 minutosRetweet
  • anonline

    anonline

    Jornal A Notícia'AN' testa o aplicativo Uber no primeiro dia de funcionamento em Joinville https://t.co/il68udAyxO https://t.co/6WUEYID981há 13 horas Retweet

Mais sobre

  •  
A Notícia
Busca
clicRBS
Nova busca - outros