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Washington19/10/2016 | 16h56

Especialistas não acreditam em manipulação das eleições nos EUA

Donald Trump insiste em que esta eleição presidencial nos Estados Unidos será "manipulada" e, com isso, tenta reforçar a ideia de ilegitimidade, no caso de uma vitória de Hillary Clinton, mas os especialistas duvidam da possibilidade de acontecer fraudes.

"Há muitas proteções instaladas para impedir uma eventualidade como essa: de leis federais a legislações locais e dos Estados", disse à AFP a professora de Ciência Política Jo-Renee Formicola, da Universidade Seton Hall.

Sob qualquer aspecto, o sistema eleitoral americano está longe de ser perfeito - como já ficou demonstrado no escândalo pela recontagem de votos na Flórida nas eleições presidenciais de 2000, entre o republicano George W. Bush e o democrata Al Gore.

De maioria conservadora, a Suprema Corte selou o pleito a favor de W. Bush, mas nunca se conseguiu dissipar a impressão de uma eleição roubada de Gore, que obteve maior número de votos em nível nacional.

Os especialistas indicam, porém, que as possibilidades de que 16 anos mais tarde esse mesmo cenário volte a acontecer são remotas.

Nos Estados Unidos, a organização das eleições - inclusive de uma eleição presidencial como a de 8 de novembro próximo - cabe quase exclusivamente aos Estados, os quais se apoiam no condados e nas cidades.

Isso forma um mosaico, no qual os eleitores votam de formas muito diferentes, que vão do voto eletrônico à folha de papel. Para Formicola, isso funciona como uma garantia contra as fraudes generalizadas.

"A hipótese de uma fraude envolvendo todas as circunscrições é inviável, justamente porque há todo tipo de circunscrição", afirmou.

Além disso, acrescentou, na maioria dos estados-chave desta eleição, a contagem de votos será supervisionada por um funcionário republicano, o partido de Trump. É o caso de Colorado, Ohio, Iowa, Michigan e Arizona.

Finalmente, em cada seção eleitoral, representantes democratas e republicanos estarão presentes - pelo menos essa é a previsão - para garantir a transparência das operações.

Acusações sem fundamento

Zach Clopton, da Cornell Law School, disse ainda que "a fraude por substituição de identidade - quando uma pessoa se faz passar por outra - é incrivelmente rara".

Esse tipo de fraude - completou Clopton - "quase nunca acontece, e não há qualquer prova de que possa alcançar um nível suscetível de ter um efeito, inclusive em uma eleição muito disputada".

Além de fazer denúncias, Trump não apresenta provas que sustentem suas alegações de que há uma ameaça de fraude no horizonte.

"Trump, por exemplo, cita a Filadélfia como um lugar onde pode acontecer a manipulação, mas não existe qualquer evidência de fraudes cometidas pelos eleitores lá", reforçou Clopton.

O presidente Barack Obama já condenou as declarações de Trump.

"Nunca vi na minha vida, nem na história política moderna, um candidato buscando desacreditar o processo eleitoral antes que a votação aconteça", criticou o presidente.

Para Obama, esse gesto "não tem precedentes" na história do país.

Entre as vulnerabilidades identificadas por especialistas, estão as invasões de certas bases de dados de eleitores. Casos recentes atribuídos a "hackers" russos foram verificados nos estados de Illinois e Arizona.

Mas esses alertas serviram para que as autoridades federais reajam e ofereçam suporte às regiões menos protegidas em termos tecnológicos.

Ligadas a uma rede que pode vir a ser invadida, as urnas eletrônicas podem ser considerada uma brecha na armadura.

"É um eventual motivo de preocupação nas pequenas cidades que não dispõem de sofisticação técnica do Estado Federal", disse Clopton.

Os analistas se perguntam se Trump, ao denunciar preventivamente uma fraude, não tenta criar um cenário que possa ser usado em caso de uma derrota apertada.

"É pouco comum denunciar a fraude antes da abertura dos postos de votação", disse Pamela Smith, da organização Verified Vote.

Para Smith, esse gesto é "profundamente preocupante, porque põe em xeque o sistema democrático e a transferência de poder, à qual damos prosseguimento a cada quatro anos".

seb/ahg/cd/tt/mvv

 
 

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