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Bangcoc16/10/2016 | 10h58

Bangcoc se veste de preto em luto pelo rei

Na data do seu aniversário, os tailandeses se vestiam de amarelo; quando ele adoeceu, adotaram o rosa, outra cor da realeza; desde a sua morte, na última quinta-feira, todos usam preto.

A Tailândia mergulhou em um luto de um ano após o falecimento de Bhumibol Adulyadej, 88, que muitos consideravam um semideus, após décadas no trono.

Os símbolos são muito importantes no país do Sudeste Asiático, e a devoção de grande parte da população ao rei se reflete em suas roupas.

Após a morte de Adulyadej, os funcionários públicos receberam a ordem de renunciar às vestimentas coloridas por um ano, e muitas empresas privadas pediram a seus empregados que adotassem o preto por pelo menos um mês. Os jornais e sites sumiram com as cores.

Nas vitrines, os manequins estão de preto e, dentro das lojas, a disputa por peças desta cor é acirrada.

Em um boxe de Pratunam, importante mercado no coração comercial de Bangcoc, Somporn Sriwichai ganhou em dois dias muito mais do que nas últimas semanas.

"Preferiria não ter que vender roupas pretas", diz a vendedora, 45, cujo ponto costuma ser repleto de vestidos de criança. "Mas tenho pouco dinheiro e mercadoria disponível que posso vender."

Como outros vendedores, Somporn sempre acompanhou os acontecimentos ligados à realeza, vendendo camisas amarelas no aniversário do rei e violeta nos dias dedicados às princesas.

- 'Expressar nossa dor' -

A demanda elevada por roupa preta faz temer a falta de estoque. O governo prometeu trabalhar com os fornecedores e agir contra os vendedores que tentarem tirar proveito aumentando os preços.

"É um forma de mostrar nossos sentimentos, para que todo mundo saiba", explica Natthaphon Siriphanurak, que se sente como se tivesse perdido o pai.

Nas redes sociais, internautas criticam com firmeza quem não adotou o preto, publicando fotos dos mesmos, para que "os culpados" sejam identificados.

O apoio à monarquia tem sido um fator de união entre os tailandeses, divididos no campo político, onde as cores também importam.

Há uma década, a Tailândia está separada em dois campos: os Camisas Vermelhas - movimento populista que apoia a família Shinawatra, vencedora de todas as eleições recentes - e os Camisas Amarelas, as elites ultramonárquicas.

Além da roupa preta, os tailandeses buscavam neste domingo outro elemento carregado de simbolismo: os números de loteria ligados ao rei - 88, para a sua idade; 9, porque era o Rama IX; e 29, número da placa do carro que transportou seu corpo do hospital para o palácio.

ssm-tib/pt/app/es/lb

 
 

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