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Meio Ambiente04/09/2018 | 17h01Atualizada em 05/09/2018 | 07h43

Estudo não aponta causa específica para degradação do mangue em Joinville

Pesquisadores da Univille encaminharam resultado de diagnóstico para o MPF

Estudo não aponta causa específica para degradação do mangue em Joinville Salmo Duarte/A Notícia
Mangue preto de Joinville enfrenta desequilíbrio ambiental pelo menos desde 2016 Foto: Salmo Duarte / A Notícia

O grupo de pesquisadores que buscava identificar o que provocou a morte de árvores da espécie siriúba (mangue preto) no manguezal da Baía da Babitonga, em Joinville, concluiu que não é possível apontar uma causa específica para a mortalidade de parte da vegetação. A análise foi feita no primeiro semestre deste ano no Espinheiros, onde o desequilíbrio ambiental começou, em 2016. O resultado da pesquisa foi entregue ao Ministério Público Federal (MPF).

O diagnóstico foi proposto pelo órgão federal no ano passado por conta da degradação em uma área de ao menos 800 hectares, o que já havia motivado a abertura de inquérito civil por parte do MPF (n. 1.33.005.000898/2016-45). À época, foi verificado que parte da vegetação foi desfolhada pela ação de uma lagarta e não se regenerou, intrigando ambientalistas. Uma das hipóteses era de que a destruição da vegetação podia ter relação com outros fatores, como a poluição.

Cerca de 15 professores e alunos participaram dos estudos no manguezal e nos laboratórios da Universidade Regional de Joinville (Univille). A avaliação técnica considerou além da área atingida, coletas em outro perímetro de mangue, distante cerca de um quilômetro do local e em condições normais.

Entre os fatores analisados nesses dois pontos estava a presença de químicos e metais pesados no solo e no tecido das plantas e o levantamento dos mecanismos de defesa da vegetação contra o ataque de herbívoros. Também foram estudadas as características das espécies dos dois ambientes e a composição da fauna.

Resultados

Segundo o professor João Carlos Ferreira de Melo Júnior, que liderou a pesquisa, foi percebido que o material do solo da região degradada apresentou maiores quantidades de metais pesados, de óleos e de graxa. Além disso, na área atingida ficou evidente uma fauna muito mais deficitária e com menor diversidade de espécies do que a presente na área de controle, bem como diferença na estrutura da vegetação.

— Esses resultados mostram vários fatores envolvidos, o que não é possível afirmar que um único deles tenha sido a causa dessa degradação no manguezal — explica o pesquisador.

O mesmo estudo revela que, apesar do desequilíbrio ambiental aparente, há início de autorregeneração do mangue preto na região, sendo observado rebrotamento e o crescimento de plantas juvenis. No relatório entregue ao MPF, o grupo de pesquisa da Univille aponta ainda para a necessidade de ampliar o tempo de monitoramento da evolução do problema ou da regeneração da área (de três a cinco anos).

— Ainda não é possível medir o efeito e o tempo da regeneração dessas plantas e se vai se dar naturalmente ou será necessária uma intervenção — aponta João Carlos.

De acordo com o procurador da República Flávio Pavlov da Silveira, a partir das conclusões científicas feitas pela equipe da universidade, o MPF estuda a possibilidade de adotar a sugestão encaminhada pelos pesquisadores. O órgão federal vai analisar também as formas de financiamento para o monitoramento, cujos custos ainda não foram detalhados.

O tema é considerado importante principalmente porque esse ecossistema é tido como o berçário da vida marinha e porque o mangue da Baía da Babitonga compreende 75% do total existente no Estado. São 80 quilômetros quadrados de manguezal e outros 160 quilômetros quadrados de lâmina d’água na baía, que é margeada pelos municípios de Joinville, São Francisco do Sul, Itapoá, Garuva, Araquari e Balneário Barra do Sul.

 

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