Dois vereadores em exercício estão entre os 38 suspeitos de fraudar diárias no Planalto Norte - Geral - A Notícia

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Política14/09/2018 | 15h50Atualizada em 14/09/2018 | 15h50

Dois vereadores em exercício estão entre os 38 suspeitos de fraudar diárias no Planalto Norte

A Câmara de Vereadores de Rio Negrinho teve um prejuízo de aproximadamente R$615 mil com o esquema

Dois vereadores em exercício estão entre os 38 suspeitos de fraudar diárias no Planalto Norte Lisandra Oliveira/NSC TV
Polícia Civil está comandando a investigação em Rio Negrinho e São Bento do Sul Foto: Lisandra Oliveira / NSC TV

Entre os 38 indiciados por suspeita de fraudar diárias das Câmaras de Rio Negrinho e de São Bento do Sul, no Planalto Norte, há dois vereadores em exercício e 12 ex-vereadores. As investigações da Polícia Civil apontaram que, entre o período de 2004 a 2016, os envolvidos se matriculavam em cursos mas não frequentavam as aulas. Os cursos eram organizados por três empresas sediadas no Paraná.

— As pessoas compareciam aos locais, faziam as inscrições e depois iam embora. O curso, que deveria demorar pelo menos três dias, na realidade, demorava apenas algumas horas — explica o delegado Odair Sobreira.

De acordo com o inquérito policial elaborado pela Polícia Civil, os cursos aconteciam, principalmente, em capitais, já que as diárias pagas pelas Câmaras eram maiores. Uma testemunha relatou em depoimento que a lista de presença do curso era disponibilizada antecipadamente para que as pessoas assinassem e não precisassem mais retornar ao local. Depois da rubrica, os participantes retornavam aos hotéis, onde permaneceram por cerca de dois dias, mas sem frequentar os cursos.

— As testemunhas e alguns envolvidos assumiram claramente que os cursos eram, na grande maioria, apenas para justificar o recebimento das diárias — afirma o delegado.

As investigações ainda demonstraram o envolvimento de servidores e assessores das duas Câmaras de Vereadores. Ainda de acordo com Sobreira, em depoimento, as testemunhas e alguns envolvidos assumiram claramente que os cursos eram "somente justificava para o recebimento das diárias".

Nos relatos, uma das pessoas envolvidas mencionou que usava os valores que recebia com as diárias para complementar a renda pessoal. Segundo o delegado, a inscrição de cada curso custava cerca de R$ 400, que ficava com as empresas envolvidas nas fraudes. Já os vereadores e servidores recebiam diárias que chegavam a R$ 500. Os cursos tinham duração de três a quatro dias.

O inquérito é um desdobramento da Operação Iceberg, deflagrada pela Divisão de Defraudações da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic) em Tijucas, no final de 2015. O documento já foi enviado ao Ministério Público que irá decidir se denuncia os indiciados.

Prejuízo estimado em mais de meio milhão

A Câmara de Rio Negrinho teve um prejuízo de aproximadamente R$615 mil com a fraude das diárias. De acordo com inquérito da polícia, o vereador Artêmio Corrêa (MDB) teria recebido R$ 75 mil provenientes das diárias dos valores dos cursos fictícios. A reportagem tentou contato com o vereador, mas ele não atendeu as ligações. 

Em nota, a Câmara da cidade informou que aguarda o posicionamento da Justiça, por se tratar do indiciamento de indiciamentos de ex-vereadores, vereadores e servidores. Além disso, o Legislativo também ressaltou que "a Câmara de Vereadores não foi citada pela Justiça" e, de acordo com o período informado no inquérito, não envolvem a atual Legislatura.

Já em São Bento do Sul o gasto com a fraude foi calculado pela polícia em R$ 66 mil. O vereador César Augusto Godoy (PSB) é suspeito de ter recebido R$3.200,00 em diárias. Em seu perfil nas redes sociais, o vereador publicou uma nota informando que se inscreveu no curso promovido pela empresa investigada em 2014. Também afirmou que fez o curso, mas percebeu que "era fraco, com conteúdo também aquém das expectativas".

— Como era ruim, não voltei a me inscrever em cursos da empresa, apenas em outros, diferentes, mas que depois se apurou pertencer ao mesmo grupo, mas de instituições diferentes (o que não tinha como saber). Só soube que era fraco depois de ter ido, obviamente. Houve o curso, mas era muito ruim. O grande problema, descoberto depois, é que essa mesma empresa fazia cursos "fantasmas", em que políticos se inscreviam mas não era fornecido o curso — escreveu o vereador. 

Confira os contrapontos:

O vereador César Godoy fez uma postagem nas redes sociais a respeito das denúncias:

Postagem em 14 de setembro, às 13h47, do vereador César Godoy.

Quanto ao meu nome nessa lista de diárias:

Me inscrevi num curso promovido por uma empresa, em 2014, se não me engano. Fiz o curso e percebi que era fraco, com conteúdo também aquém das expectativas. Como era ruim, não voltei a me inscrever em cursos da empresa. Só soube que era fraco depois de ter ido, obviamente. Houve o curso, mas era muito ruim.

O grande problema, descoberto depois, é que essa mesma empresa fazia cursos "fantasmas", em que políticos se inscreviam mas não era fornecido o curso.

Friso também que o gasto que tive com diárias nessa oportunidade foi pequeno, não me recordo ao certo e irei informar em seguida, para não dar dados errados, mas não chega nem perto dos valores dos "recordistas" apontados nas matérias.

O problema da tal lista e que coloca no mesmo lugar o fulano que gastou mais de R$ 60.000,00 com o que utilizou R$ 500,00 de diárias, utilizadas uma única vez...

Sigo bem tranquilo quanto a isso. No caso da ASP, falaram um monte, fizeram um "auê" e um ano depois, está sendo demonstrado que não tinha nada com as acusações e que os que são de fato responsáveis, pagarão seu débito com a justiça.

A Câmara de Vereadores de Rio Negrinho emitiu uma nota:

Com relação aos desdobramentos da Operação Iceberg, divulgadas pela imprensa nesta quinta-feira, a Câmara de Vereadores de Rio Negrinho, por meio desta nota, tem a esclarecer que se tratam de indiciamentos de ex-vereadores, vereadores e servidores, portanto aguardamos até que haja o  posicionamento da justiça. Atentamos ainda para o fato de que a Câmara de Vereadores não foi citada pela Justiça.

Informamos ainda que o legislativo sempre colaborou com a investigação dos delegados fornecendo todos os documentos solicitados. Também salientamos que tal operação se refere à realização de cursos de empresa em Curitiba entre os anos de 2004 e 2016, portanto não envolvendo a atual legislatura. Aqueles que ao final do processo forem comprovadamente culpados, devem arcar com as consequências. Haverá um processo onde será exercido a ampla defesa, o contraditório e o devido processo legal para que os inocentes consigam ser absolvidos.

 

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