Dia Mundial do Coração: Uma luta pela vida desde os primeiros batimentos, em Joinville - Geral - A Notícia

Versão mobile

 

Saúde29/09/2018 | 07h27Atualizada em 29/09/2018 | 07h27

Dia Mundial do Coração: Uma luta pela vida desde os primeiros batimentos, em Joinville

Theo, de apenas dois anos, nasceu com cardiopatia congênita e já venceu duas cirurgias cardíacas

Dia Mundial do Coração: Uma luta pela vida desde os primeiros batimentos, em Joinville Salmo Duarte/A Notícia
O menino de Joinville passou pela primeira cirurgia com apenas 22 dias de vida Foto: Salmo Duarte / A Notícia

Engana-se quem imagina que apenas maus hábitos mantidos ao longo da vida representam riscos ao coração. Para a família de Elaine Rocha Philippe, a luta pela vida do seu segundo filho, Theo, começou quando ele, hoje com dois anos e meio, ainda estava na barriga da mãe. Com 22 semanas de gestação ela descobriu num ultrassom que Theo iria nascer com um tipo de cardiopatia congênita (defeito na estrutura do coração), tendo as artérias do coração invertidas.

O diagnóstico era a certeza de que ele teria que passar por uma cirurgia de reversão nos primeiros dias de vida. E foi o que aconteceu em 27 de abril de 2016, no Hospital Infantil Dr. Jeser Amarante Faria de Joinville, 22 dias após o nascimento. Além da cirurgia, o bebê ainda passou por cateterismo e venceu uma infecção.

— Foi um susto porque ele é meu segundo filho e o primeiro (Mateus) não tinha nada disso, não tinha histórico familiar e nenhum outro problema. Era uma realidade que eu não conhecia, nem mesmo imaginava que bebês tão pequenos passassem por tudo isso e, de repente, aconteceu com o meu bebê. Não tive aquela coisa de maternidade, de receber visitas, de pegá-lo no colo. A bolsa dele era de UTI, não tinha fraldas, nem enxoval, nada foi fácil — recorda a mãe.

Conforme a cardiopediatra do hospital, Eliana Costa Pelissari, a cardiopatia atinge uma a cada 100 crianças, 20% delas graves e que exigem operação nos primeiros dias de vida, como ocorreu com o joinvilense. Na maioria das vezes, após a cirurgia a chance de o bebê levar uma vida normal é alta. Somente no Serviço de Cardiologia Pediátrica do Hospital Infantil, considerado referência estadual em Cirurgia Cardíaca Pediátrica de Alta Complexidade, são realizadas, em média, mais de três mil consultas laboratoriais e 300 cirurgias cardíacas por ano - com taxa de sucesso elevadas.

Porém com Theo foi diferente. Segundo Eliana ele é considerado um caso raro dentro do hospital e sua evolução é “sempre uma surpresa” até para os médicos. Ele tem um acompanhamento muito próximo desde o nascimento que não é o habitual, tendo a necessidade de realizar uma nova cirurgia.

A complicação indicava para o fechamento da veia cava superior (responsável por transportar o sangue a partir da metade superior do corpo para o átrio direito, uma das quatro câmaras do coração) e fez com que a família, que hoje reside em Papanduva, se divida entre as duas cidades. O procedimento cirúrgico foi realizado no início deste mês com o objetivo de desobstruir a veia.

Passados só alguns dias do procedimento, Theo volta aos poucos a brincar como qualquer criança, sem se dar conta das batalhas que venceu e demonstrando força para encarar novas surpresas, se elas vierem.

— Aqui dentro (no hospital) se você conversar com cada família, são guerreiros e crianças muito especiais, porque todos têm uma história difícil e é preciso abrir mão de várias coisas para que eles fiquem bem. Então todos têm a sua conquista, que é diária, e no caso dele não é uma gripe e eu sei que não vai ter a cura da forma como eu esperaria que tivesse, mas espero que a vida dele possa ser a mais normal possível e que a gente possa voltar logo para casa — espera a mãe, Elaine Philippe.

Sobre a Cardiopatia Congênita

Causas: a principal causa é a má formação congênita, na formação do coração do bebê ainda na barriga da mãe. Já nas primeiras seis semanas de gestação o problema pode ser detectado por meio de um ecocardiograma fetal. Estão entre as causas doenças genéticas, infecções maternas, histórico familiar e diabetes materno. Porém, na maioria dos casos não há causa específica. Também são inúmeros os tipos de cardiopatias.

Sinais de alerta: nos casos mais graves é necessário procedimento cirúrgico já nos primeiros dias de vida do bebê, mas em alguns casos, os sintomas de cardiopatia podem aparecer nos primeiros meses, dentre eles estão: cansaço para mamar; suor durante a amamentação; a criança não consegue ganhar o peso necessário por mês; cor arroxeada nos lábios e nas pontas dos dedos. Também merece atenção para uma possível cardiopatia associada a criança acometida por quadros de pneumonia e que tem chiado no peito.

Tratamento: depende do tipo e da gravidade da cardiopatia. Alguns bebês têm cardiopatias leves, curadas por conta própria ao longo do tempo. Em outros casos, pode ser necessário o tratamento medicamentoso ou intervenção cirúrgica. O paciente deverá manter acompanhamento contínuo ao longo da vida, de acordo com a frequência estabelecida pelo médico responsável. 

Leia mais:
Em 16 anos, número de mortes por doenças do coração aumentou 36% em Santa Catarina
Santa Catarina teve 33,2 mil internações por doenças do aparelho circulatório em 2017
Doença Cardiovascular: conheça os sintomas, fatores de risco, tratamento e prevenção

 
A Notícia
Busca