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Campanha AME Jonatas03/08/2018 | 13h14Atualizada em 03/08/2018 | 14h55

Família de bebê de que sofre de doença rara enfrenta ação de despejo na Justiça em Joinville

Segundo advogado da dona do imóvel, o valor da locação não é pago há quatro meses

Família de bebê de que sofre de doença rara enfrenta ação de despejo na Justiça em Joinville Cleber Gomes/Especial
Campanha teve início em março e arrecadou R$ 3 milhões em dois meses Foto: Cleber Gomes / Especial
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A proprietária do imóvel onde moram Renato e Aline Openkoski, pais do bebê que tem uma doença rara em Joinville, entrou com uma ordem de despejo contra o casal. O motivo seria atraso de quatro meses no pagamento do aluguel da casa em que a família vive, no bairro Anita Garibaldi, na zona Norte da cidade. Até abril deste ano, o casal teria pago a locação com  valores arrecadados  em uma campanha em prol do menino (Campanha AME Jonatas). 

Os pais foram procurados pela reportagem, mas não atenderam às ligações. Já a advogada da família, Jocélia Vinholi Monteiro, estava em audiência na manhã desta sexta-feira. A secretária dela informou que a advogada não irá se manifestar à imprensa neste momento.

Segundo o advogado da proprietária da residência, Francisco Oscar Magalhães, o total da dívida do casal está em cerca de R$ 8 mil. Em junho deste ano, a Justiça chegou a autorizar o pagamento de dívidas de locação com o dinheiro da campanha, já que a família não pagava as parcelas desde janeiro. 

À época, o juiz da Vara da Infância e Juventude de Joinville, Márcio Renê Rocha, alertou que o dinheiro da campanha não deveria ser utilizado para este fim, mas que naquele momento o casal poderia retirar o dinheiro da conta para quitar as dívidas. Na decisão, o magistrado também esclareceu que próximos valores de aluguéis deveriam ser pagos pelos pais.

Na última sexta-feira (3), a Polícia Civil concluiu as investigações sobre o caso envolvendo a campanha, que arrecadou cerca de R$ 3 milhões em dois meses. A delegada Georgia Bastos, da Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (Dpcami), indiciou os pais do menino pelos crimes de estelionato e apropriação indébita. No relatório, ela ainda pede a prisão preventiva de Renato. 

No inquérito de mais de mil páginas, a delegada demonstra que o casal não comprovou nenhuma fonte de rendimentos. Mesmo assim, em março ela apreendeu, entre outros itens, joias e acessórios de luxo, aparelhos de TV e vídeo game, uma luneta, brinquedos caros e uma carabina utilizada para tiro esportivo avaliada em R$ 4 mil, além de um carro de R$ 140 mil. 

O menino tem uma síndrome chamada de Atrofia Muscular Espinhal (Ame) de tipo 1, a mais grave dentro do quadro desta doença. Em março de 2017, os pais dele deram início a uma campanha nos moldes de várias outras que começaram no país desde que o medicamento Spinraza foi lançado, no fim de 2016. Com custo inicial de R$ 3 milhões, entre aquisição das primeiras doses e importação, o tratamento era considerado inovador por retardar os efeitos da síndrome.

 
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