Vacina contra o HPV esbarra no preconceito, diz Vigilância Epidemiológica de Joinville - Geral - A Notícia

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Saúde21/06/2018 | 14h20Atualizada em 21/06/2018 | 20h04

Vacina contra o HPV esbarra no preconceito, diz Vigilância Epidemiológica de Joinville

Das 20,6 mil pessoas que deveriam ser imunizadas no ano passado, cerca de 17 mil teriam realizarado a primeira aplicação e metade delas não voltou para a segunda dose

Vacina contra o HPV esbarra no preconceito, diz Vigilância Epidemiológica de Joinville Fernanda Ramos/especial
A vacinação é efetuada gratuitamente em todas as Unidades Básicas de Saúde municipais Foto: Fernanda Ramos / especial

O preconceito provocado pelo desconhecimento dos pais é apontado como o principal fator para o não atingimento da meta de vacinação contra o vírus HPV em crianças e adolescentes de Joinville no ano passado. É o que acredita a Secretaria Municipal de Saúde com base no número de vacinas ministradas no município no período. Das 20,6 mil pessoas que deveriam ser imunizadas com as duas doses da vacina, cerca de 17 mil (86%) teriam realizado a primeira aplicação e metade delas não voltou para a segunda. A Secretaria de Saúde informou às 20 horas desta quinta-feira, 21 de junho, que o número está passando por recontagem.

O número preocupa o setor de Imunização da Vigilância Epidemiológica, porque significa que do total de crianças e adolescentes vacinados, apenas 48% estão efetivamente protegidos do vírus, que é sexualmente transmissível. De acordo com a enfermeira Sandrine Teuber, dois fatores podem ter influência sobre o receio das famílias em buscarem a vacinação do público-alvo.

— Um deles é o fator religioso, em que alguns líderes religiosos disseminam informações incorretas, e por achar que as crianças estão muito novas para receber a vacina. Porém é comprovado que ela funciona melhor antes do início da atividade sexual. A aplicação das doses da vacina não provocam alterações no comportamento desses jovens — explica.

Outro fator que acaba pesando na negativa de muitos pais e responsáveis em autorizarem a vacinação é a imagem negativa que ficou da vacina quando ela começou a ser ministrada em meninas, em 2014. "Na ocasião foram relatados casos de reação como paralisia nas pernas e isso gerou impacto negativo, mas foi comprovado depois que se tratou de um efeito psicológico coletivo de aversão à injeção e não à vacina do HPV", justifica a Vigilância.

A importância de adesão à prevenção do HPV é defendida pelos profissionais da Saúde, considerando, por exemplo, estudos que apontam que 70% dos homens são potenciais transmissores do vírus.

— As pessoas não tem noção dos impactos e isso precisa ser desmistificado, porque essas duas doses hoje são suficientes para toda a vida. Serve para o futuro, para que no caso de haver contato com o vírus a vacinação proteja contra o desenvolvimento do câncer — salienta Sandrine.

Público-alvo
A vacinação é efetuada gratuitamente em todas as Unidades Básicas de Saúde municipais e deve ocorrer a aplicação de duas doses com o intervalo de seis meses uma da outra. O público-alvo são meninas na faixa etária de 9 a 14 anos e de meninos de 11 a 14 anos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que a vacina deva ser aplicada antes do início da vida sexual dos adolescentes. Mulheres vivendo com o vírus HIV, na faixa etária de 9 a 26 anos, também são alvo de imunização, e devem receber três doses dentro de um intervalo de seis meses.

Sobre o vírus HPV

A vacina protege contra dois tipos do vírus papilomavírus humano (HPV), causador de 70% dos casos de câncer de colo do útero - segunda causa de morte por câncer entre as mulheres da América Latina e do Caribe, segundo a OMS. O Ministério da Saúde adotou a vacina quadrivalente, que protege contra o HPV de baixo risco (tipos 6 e 11, que causam verrugas anogenitais) e de alto risco (tipos 16 e 18, que causam câncer de colo uterino).

 

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