Joinville já registrou 152 casos de golpes nos bairros da região Central neste ano - Geral - A Notícia

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Segurança 12/06/2018 | 10h35Atualizada em 12/06/2018 | 18h15

Joinville já registrou 152 casos de golpes nos bairros da região Central neste ano

Dados são de boletins de ocorrência registrados entre janeiro a maio, na região da 3ª Delegacia de Polícia Civil da cidade 

Joinville já registrou 152 casos de golpes nos bairros da região Central neste ano Tiago Ghizoni/Diário Catarinense
Alguns golpes ocorrem após ligação de celular, o número muitas vezes é de outro Estado Foto: Tiago Ghizoni / Diário Catarinense

Uma ligação telefônica solicita dinheiro para resgatar familiares. Outra, para supostamente ajudar um parente que sofreu acidente de trânsito. Do outro lado da linha, quem pede as informações é um estelionatário. Os dois casos são exemplos de antigos golpes aplicados à população, mas que tem ocorrido com cada vez mais frequência em Joinville. Além disso, outros tipos de crime dessa natureza também tem se alastrado na cidade.

Segundo o delegado Luis Felipe Fuentes, da 3a Delegacia de Polícia (DP) da cidade, pelo menos 20 tipos diferentes de golpes foram aplicados contra a população neste ano.  

— Têm crescido muito os golpes aqui em Joinville. Desde o começo do ano, recebemos na delegacia muitas pessoas que foram vítimas e perderam dinheiro — afirma Fuentes. 

Conheça os principais tipos de golpes aplicados em Joinville

De janeiro a maio deste ano, segundo o delegado, foram registrados 152 golpes na região da 3ª DP, que atende a nove bairros localizados na área central de Joinville. As situações contadas pelos criminosos são as mais variadas e muitas vezes envolvem apelos emocionais para  enganar e tirar vantagens indevidas de outra pessoa.

Os golpes configuram o crime de estelionato, previsto no Código Penal, em que o golpista induz a outra pessoa ao erro usando meios ou situações fraudulentas. Para ganhar dinheiro, eles muitas vezes apelam para a ingenuidade, o envolvimento emocional com a vítima ou a relação dela com outras pessoas. Com esse apelo, os bandidos fazem com que ela deposite (ou pague) quantias em dinheiro em contas bancárias ou boletos pertencem a "laranjas". 

Em um dos golpes aplicados, o do falso militar americano, por exemplo, os estelionatários instigam as pessoas a criarem um relacionamento pelo telefone com um oficial de mentira e, assim, facilitar a transferência de dinheiro a ele. 

Já no golpe do bilhete premiado, o criminoso se aproveita da ambição da vítima em ganhar uma grande quantidade de dinheiro, e ela acaba "caindo" no conto do criminoso. 

Um dos principais aspectos que podem indicar que se trata de estelionato é a solicitação de depósito em agências bancárias situadas em locais muito distantes da onde o golpista alega estar. Por exemplo, um número de celular de São Paulo liga e informa uma agência bancária da Bahia. Outra situação em que as pessoas podem ficar atentas é a solicitação de pagamento antecipado por um produto ou por serviço, sem comprovante da remessa. 

Dados pessoais estão mais acessíveis

Para o delegado, a vítima precisa desconfiar das situações antes de depositar qualquer quantia de dinheiro. Além disso, é preciso pesquisar o número de celular, a agência do banco informada, a loja virtual antes de comprar qualquer produto ou outras informações que possam parecer suspeitas.

Fuentes orienta ainda que, para não restar dúvidas, a delegacia mais próxima pode ser procurada, para confirmar se se trata de um golpe (veja dicas na página ao lado). De acordo com a polícia, não existe um perfil pré-estabelecido das vítimas, qualquer pessoa pode passar por essa situação. Entretanto, os idosos e as mulheres estão entre os principais alvos dos golpistas.  O uso da internet e das redes sociais também contribuiu para "especialização" na ação destes criminosos.

— Hoje, os dados pessoais estão bem mais acessíveis. As pessoas ficam a mercê disso, os criminosos já sabem onde a pessoa mora, se possui filhos etc. — explica Fuentes.

Ainda que o número de casos em Joinville seja alto, o delegado acredita que a quantia possa ser ainda maior. Ele acredita que muitas pessoas não registram o boletim de ocorrência por vergonha de terem caído no golpe. Outras, por terem perdido dinheiro ou por desejarem esconder dos familiares que sofreram estelionato.

É muito difícil recuperar a quantia entregue 

A constituição prevê que o crime de estelionato seja investigado no local onde ocorreu o fato. Segundo o delegado Luis Felipe Fuentes, quando a vítima deposita em uma conta bancária onde a agência é de outro Estado, por exemplo, a polícia precisa enviar o inquérito para o local. Assim, a investigação fica a cargo de uma delegacia longe do domicílio da vítima, dificultando à pessoa que tenha conhecimento do desfecho das apurações. Este trâmite também pode fazer com que o processo  corra mais lentamente.  

Além disso, o delegado ressalta que muitas vezes a vítima não consegue recuperar a quantia que entregou ao criminoso. Por isso, é essencial que as pessoas fiquem atentas, pesquisem informações sobre a situação para evitar cair em qualquer golpe.

— Se o criminoso for preso, a própria legislação não prevê que a pessoa receba esse dinheiro de volta. A vítima tem que entrar com uma outra ação para tentar recuperar a quantia. Então, o melhor mesmo é evitar — alerta o delegado.  

Ainda conforme Fuentes, as investigações apontam que os estelionatários devam executar os crimes em grupo de diferentes Estados do país. Para ajudar nas apurações, é essencial anotar o número de telefone, meio de contato e dados de eventual conta bancária e agência informadas pelo golpista.

PARA PREVENIR:
— Antes de fazer qualquer depósito, verificar na internet onde se localiza a agência bancária informada. A pesquisa pode ser realizada nos sites dos respectivos bancos ou no site google, digitando o número da agência e o nome do banco;
— Geralmente, a vítima é que é procurada pelo criminoso oferecendo dinheiro, ofertas ou serviços, quando, na verdade, deveria ser ao contrário;
— Fazer o máximo de perguntas ao criminoso, com a intenção de desvendá-lo. Em casos de falso sequestro, por exemplo, pedir para o sequestrador ao "sequestrado" algo que só os dois saibam;
— Desconfiar de fotos enviadas pela pessoa, demonstrando uma situação real. Muitas vezes a imagem é facilmente encontrada em sites de busca;
— Solicitações de depósitos, transferências ou pagamentos antes da prestação do serviço ou venda, bem como confirmar com o banco qualquer valor depositado ou sobre bloqueio de contas ou cartões;
— Nunca fornecer dados pessoais por telefone;
— Pesquisar a localização de agência bancária fornecida para depósitos, caso ela não seja a mesma do local em que reside, desconfie;
— Pesquisar a procedência e avaliações de lojas virtuais ou fornecedores antes de efetuar qualquer compra;
— Nos golpes que envolvem familiares, procure conseguir o nome de quem ligou. Nunca forneça nomes de parentes ou informações que possam ajudar os criminosos a identificar pessoas da família. Na dúvida, desligue e ligue para o familiar supostamente envolvido. 

Foto: Arte NSC Total


 
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