No Dia Mundial sem Tabaco, conheça o joinvilense que parou de fumar depois de 57 anos - Geral - A Notícia

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+ Saúde31/05/2018 | 07h00Atualizada em 31/05/2018 | 07h00

No Dia Mundial sem Tabaco, conheça o joinvilense que parou de fumar depois de 57 anos

José Domingos Arruda fumava desde os 13 anos e parou no ano passado após duas tentativas

No Dia Mundial sem Tabaco, conheça o joinvilense que parou de fumar depois de 57 anos Salmo Duarte/A Notícia
José Domingos mudou de vida após largar o vício Foto: Salmo Duarte / A Notícia

O aposentado José Domingos Arruda, 70 anos, conviveu durante quase seis décadas ao lado de um inimigo em Joinville. É assim que ele define a relação que tinha com o cigarro e a forma com que ele encarou o vício para conseguir parar de fumar no ano passado. A luta não foi fácil, mas ele criou coragem para escolher uma data em que faria a mudança em prol da saúde e de qualidade de vida: 1° de junho de 2017. Coincidentemente, um dia antes é considerado o Dia Mundial sem Tabaco.

Domingos começou a fumar aos 13 anos, quando conseguia cigarros com os amigos e ia para um campinho de futebol fumar. Ao longo dos últimos 57 anos anos tentou parar outras duas vezes, antes de conseguir, finalmente, largar o cigarro. Nas duas primeiras tentativas, voltou a fumar depois de passar por problemas familiares. Porém, na última vez procurou ajuda profissional e frequentou um grupo de fumantes, que tinha como objetivo em comum eliminar o cigarro de suas vidas.

Domingos continuou fumando durante uma semana após começar a ir aos encontros. Depois parou e nunca mais fumou. Nem mesmo a perda de um filho fez ele ter uma recaída. Segundo ele, a determinação foi o fator preponderante para não voltar atrás da decisão.

— Não é fácil. Coloquei na cabeça que tinha um inimigo comigo. Quando dava aquela fissura de fumar, eu brigava comigo mesmo e com o cigarro — conta.

A maior motivação para parar de fumar foi recuperar a saúde, que já dava sinais de desgaste. Para subir as escadas até o primeiro andar do prédio onde mora, o fôlego já não era o suficiente. Hoje, ele frequenta a academia três vezes na semana e se sente uma nova pessoa.

— Passei a me sentir tão bem que comecei a academia. Sou um velho que recuperei a disposição — brinca.

Além disso, ele também não se sentia bem com o incômodo das outras pessoas com o cheiro do cigarro que ficava nele após fumar. Um ano depois, ele continua determinado a ficar bem longe do vício para manter a saúde e também não decepcionar todos aqueles que o apoiaram e ajudaram a largar o cigarro.

 JOINVILLE,SC,BRASIL,30-05-2018.Dia Mundial sem Tabaco,José Domingos Arruda,ex fumante hoje praticante de musculação.(Foto:Salmo Duarte/A Notícia)Indexador: Maykon Lammerhirt
Após parar de fumar, o aposentado começou a frequentar a academia três vezes por semanaFoto: Salmo Duarte / A Notícia

Os perigos do tabagismo

Um estudo realizado pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) em 2017 mostrou que 428 pessoas morrem diariamente no Brasil por causa do tabagismo. Os números representam 12,6% de todas as mortes anuais no país. No ano passado, 73,5 mil pessoas foram diagnosticadas com câncer provocado pelo tabagismo. 

O número de fumantes caiu 30,7% nos últimos nove anos. O problema é que mesmo assim ainda há 1 bilhão de tabagistas no mundo. Estudos já comprovaram que o hábito de consumo do tabaco está diretamente relacionado com vários tipos de câncer. Além disso, o tabagismo pode levar à doenças cardiovasculares, como infarto ou acidente vascular cerebral (AVC), que têm mortalidade até maior do que as doenças ligadas ao câncer.

A oncologista clínica Andrea Santin, do Centro de Hematologia e Oncologia (CHO), alerta também para os riscos do narguile e da maconha. Segundo ela, ambos têm substâncias ativas na causa de câncer, por exemplo, de testículos e do sistema nervoso central. Tabagistas de todas as idades estão sujeitos às complicações.

O caminho para evitar as doenças é parar de fumar. No entanto, Andrea explica que o cigarro atua como um antidepressivo e causa uma dependência química na pessoa. Isso pode levar a um quadro depressivo ou uma abstinência relacionada ao cigarro.

— O cigarro precisa ser substituído por uma coisa que produza endorfina. Então, atividades físicas ou prazerosas, que tragam algum bem-estar ou benefício são importantes. Às vezes, também podem ser necessários medicamentos para substituir esse antidepressivo — explica.

A dica da especialista é buscar a prática regular de exercícios por, pelo menos, 30 a 40 minutos por dia, além de uma dieta saudável e um sono de qualidade. Normalmente, depois de duas semanas sem cigarro, o fumante está desintoxicado. Em média, uma pessoa que fuma reduz em 6,2 anos a sua expectativa de vida. 

Estatísticas revelam que os fumantes comparados aos não fumantes apresentam risco:

- 10 vezes maior de adoecer de câncer de pulmão
- 5 vezes maior de sofrer infarto
- 5 vezes maior de sofrer de bronquite crônica e enfisema pulmonar
- 2 vezes maior de sofrer derrame cerebral

Se parar de fumar agora:

- após 20 minutos sua pressão sanguínea e pulsação voltam ao normal
- após 2 horas não tem mais nicotina no seu sangue
- após 8 horas o nível de oxigênio no sangue se normaliza
- após 2 dias seu olfato já percebe melhor os cheiros e seu paladar readquire a capacidade de identificar sabores
- após 3 semanas a respiração fica mais fácil e a circulação melhora
- após 5 a 10 anos o risco de sofrer infarto será igual ao de quem nunca fumou

 

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