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Investigação continua10/03/2018 | 19h11Atualizada em 10/03/2018 | 19h11

Sobrevivente de acidente aéreo em Joinville segue em estado grave

Médicos acreditam que apesar da situação grave, jovem de 18 anos tem boas chances de recuperação

Sobrevivente de acidente aéreo em Joinville segue em estado grave Salmo Duarte/A Notícia
Acidente ocorreu na última quinta-feira Foto: Salmo Duarte / A Notícia

O sobrevivente da queda do helicóptero sequestrado na última quinta-feira (8), em Joinville, Daniel da Silva, de 18 anos, continua em estado de saúde grave, mas tem boas chances de recuperação. O quadro clínico do paciente foi atualizado na tarde deste sábado (10) pelo Hospital Municipal São José e a Polícia Federal, que investiga o acidente.

Conforme a polícia, o rapaz está em um quarto sob escolta junto a outras nove pessoas. A administração do hospital revela que o paciente segue com ventilação artificial por conta de queimaduras na garganta devido a ter aspirado muita fumaça quente. Ele também recebe injeções de adrenalina para manter a pressão e permanece em situação grave.

A equipe médica da unidade, no entanto, acredita que devido aos demais órgãos estarem preservados as chances de que ele se recupere são grandes, porém não há expectativa de saída da sala de emergência. A Polícia Federal complementa que por esse quadro atual não há previsão de quando ele possa ser ouvido sobre o que ocorreu durante o voo entre Penha e Joinville, uma vez que ele "continua entubado e em coma induzido".

O que se sabe até o momento com relação a Daniel é que ele teria fretado a aeronave na companhia de outro passageiro, morto no acidente e ainda não identificado, e teria participação no sequestro da aeronave - sem objetivo esclarecido. O sobrevivente havia sido preso em 8 de fevereiro por tráfico de drogas e dano a patrimônio no Bairro Paranaguamirim, a mesma região onde aeronave caiu. No dia seguinte, 9 de fevereiro, entretanto, ele foi solto em audiência de custódia e teve direito à liberdade provisória mediante medidas cautelares.

A PF afirma que ele responderá por crimes de exposição de aeronave a perigo, agravado pela queda e ocorrência de mortes, e de porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, cujas penas máximas somadas podem chegar a 30 anos de prisão. 

Em busca de respostas

 JOINVILLE,SC,BRASIL,08-03-2018.Queda de helicoptero deixa três óbitos em Joinville,fata aconteceu na Servidão Adenilda Roeder,bairro Paranaguamirim (zona Sul).(Foto:Salmo Duarte/A Notícia)
Investigação começou nesta fim de semanaFoto: Salmo Duarte / A Notícia

 A Polícia Federal (PF) ainda está longe de afirmar o que de fato ocorreu durante o voo que culminou na queda de um helicóptero e matou três pessoas na última quinta- feira, em Joinville. O sequestro da aeronave momentos antes do acidente foi confirmado pela Polícia Civil e, diante da suspeita de outro crime ? de tomada ilícita do controle do helicóptero ?, a investigação passou a ser feita sexta-feira pela manhã por agentes federais.

A aeronave, de prefixo PR HBB, modelo Bell 206B, da operadora Avalon Táxi Aéreo, que presta serviços de voo panorâmico para o parque Beto Carrero World, foi alvo de sequestro durante um voo fretado de Penha, no Litoral Norte, para Joinville. O trajeto tinha retorno previsto ao mesmo local de decolagem, porém, por volta das 15h45min a aeronave caiu nas proximidades da Penitenciária de Joinville, no bairro Paranaguamirim, Zona Sul da cidade. Um dos ocupantes, identificado como Daniel da Silva, 18 anos, que segundo a polícia teria participação no crime, foi resgatado com vida. Outras três pessoas morreram no local.

A informação do delegado e chefe da Polícia Federal de Joinville, Alexandre de Andrade Silva, é de que neste primeiro momento os peritos estão concentrados em colher objetos e fazer registros fotográficos no local da queda. Esses materiais vão servir de apoio para as perícias técnicas, que devem indicar o que de fato ocorreu no helicóptero. Alguns vestígios já foram recolhidos pela polícia, como as duas armas de fogo que estavam em posse dos passageiros do avião. No entanto, a conclusão pericial ainda pode levar meses.

Em paralelo, dois investigadores do 5o Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa V) fazem diligências no local. O órgão, que representa regionalmente o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), visa a apurar as causas da queda com o objetivo de prevenir que novos acidentes com as mesmas características ocorram. Entre os trabalhos feitos pelo órgão está a retirada de partes da aeronave para análise e a reunião de documentos e relatos de testemunhas.

As operações começaram por volta das 10h. O Instituto Geral de Perícias (IGP) já havia verificado o local ainda na quinta- feira, quando recolheu os corpos de duas vítimas da tragédia foram identificados como sendo do piloto, Antônio Mário Franco Aguiar, 57 anos, e do auxiliar de voo, Bruno Siqueira, 20. O outro passageiro, que teria, conforme a polícia, participado do sequestro junto com Daniel, não foi identificado.

APURAÇÃO E LINHAS DE INVESTIGAÇÃO

As informações repassadas pela Polícia Federal revelam que o sobrevivente Daniel da Silva e a vítima ainda não identificada entraram em contato com a Avalon Táxi Aéreo na quarta-feira para saber informações para um serviço de fretamento. O objetivo da dupla era fazer um voo de aproximadamente 50 minutos para sobrevoarem um terreno em Joinville. Já na quinta-feira, os dois foram até o posto da empresa, que fica no parque de diversões, e fizeram o fretamento. Foram pagos R$ 3,1 mil em dinheiro.

Segundo a Polícia Federal, o que se sabe é que o piloto Antônio Márcio Franco Aguiar e o passageiro Daniel estavam na parte da frente da aeronave, enquanto o auxiliar de voo Bruno Siqueira e a vítima não identificada estavam atrás. Outra informação levantada pela polícia é de que a empresa responsável pela aeronave não percebeu a atitude suspeita vinda dos contratantes do serviço. Conforme relatado à PF, o piloto se comunicou com a empresa momentos antes da decolagem, às 15h20min, e aparentava tranquilidade. A dúvida a ser respondida agora é o que ocorreu após o helicóptero alçar voo, além do que levou à queda.

Ainda falta ser esclarecido pelo PF se o piloto realmente emitiu código para a empresa ou à torre de controle informando alguma atitude ilícita durante o percurso no ar. Até a tarde de sexta-feira, o Segundo Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta-2), em Curitiba, ainda não havia encaminhado resposta para a solicitação da polícia. Outra informação, repassada pela 2a Companhia de Aviação, é de que a torre de Joinville não recebeu plano de voo dessa aeronave e, em virtude do porte da mesma, esse procedimento é obrigatório.

Durante a apuração, os peritos recolheram também as duas armas que estavam no helicóptero: um revólver que ficou completamente queimado e passará por perícia, e uma pistola fabricada no Brasil, que havia sido exportada para órgãos de segurança do Paraguai. A suspeita é de que ela foi extraviada em algum momento e acabou parando na posse de alguém dentro do helicóptero.

Os resultados preliminares apontam ainda que não houve disparo antes de a aeronave atingir o solo. Isso porque, conforme testemunhas ouvidas pela Polícia Federal, estampidos foram ouvidos após o helicóptero tocar o solo e entrar em combustão, o que, segundo a investigação, ocorreu em fração de segundos. Uma das hipóteses ventiladas é que o objetivo final da ação seria ajudar a fuga de um detento sob alcunha de "Calango", da penitenciária ou presídio de Joinville.

Quanto à possibilidade de o sequestro ter sido motivado para que o helicóptero desse apoio ao possível resgate do detento no sistema prisional de Joinville, por enquanto não passa de um boato.

— Trata-se de um boato, um informe que ainda estamos longe de confirmar e, ao mesmo tempo, trata-se de uma hipótese que existe e não pode ser descartada — afirma o delegado da Polícia Federal.

Procurada pelo reportagem, a Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania (SJC) informou que "não se manifestará acerca do acidente aéreo, uma vez que o caso faz parte de um inquérito em andamento e compete somente à autoridade policial investigar e informar, a seu critério, acerca das causas e possíveis motivações da ocorrência". 

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