Focos do mosquito da dengue atingem marca recorde em SC - Geral - A Notícia

Versão mobile

 

De olho no mosquito16/02/2018 | 05h47Atualizada em 16/02/2018 | 05h47

Focos do mosquito da dengue atingem marca recorde em SC

Mais de 2 mil casos em janeiro acendem alerta para não descuidar da prevenção 

Focos do mosquito da dengue atingem marca recorde em SC Salmo Duarte/Agencia RBS
Foto: Salmo Duarte / Agencia RBS

Santa Catarina nunca teve tantos focos de Aedes aegypti como nos últimos meses. Só em janeiro, foram registrados mais de 2 mil, o maior número acumulado em um mês no Estado. Apesar de ainda não ter casos autóctones de dengue, chikungunya e zika vírus, o aumento progressivo da população do inseto acende o alerta e aumenta o risco da transmissão das doenças. 

No primeiro mês deste ano, o Estado teve praticamente o dobro de focos do que o registrado em janeiro do ano passado, com aumento de 89%. Se comparado a 2016, quando SC teve o maior número de pessoas com dengue da história (4.376), o cenário é ainda pior, com salto de 121%. E a tendência é de alta. Na primeira metade de fevereiro deste ano já foram contabilizados 558 focos. Com esse resultado, em um mês e meio o Estado igualou o número de larvas encontradas em 2013 inteiro, quando houve a escalada da dengue em SC. 


Prova dessa presença maior do mosquito aparece nos municípios infestados pelo inseto. São 64 cidades nessa condição, incremento de 20,7% em relação ao mesmo período de 2017, quando eram 53.

João Fuck, coordenador do Programa de Controle da Dengue da Diretoria de Vigilância Epidemiológica de SC (Dive), diz que uma série de fatores impactou o acréscimo. Ele cita a troca de gestão dos municípios no ano passado, quando houve interrupção do trabalho de prevenção das equipes, e o clima, com dias de calor e chuva, condição ideal para o mosquito se reproduzir, além da falta de conscientização da própria população. 

– Isso acende uma luz de alerta pelo risco dessa situação. A presença cada vez maior do Aedes aegypti em SC gera um risco muito grande de transmissão não só de dengue, mas de chikungunya e zika, e a qualquer momento – alerta.


Condições favoráveis para a proliferação

O coordenador diz que, historicamente, os meses com maior número de focos são entre dezembro e março. No verão, além do clima favorável, há o excesso de turistas e a chance de chegar uma pessoa infectada ao Estado é maior. Depois, basta ser picada por um mosquito e a transmissão da doença começa. Médica infectologista e mestre em Medicina Tropical, Regina Valim considera o cenário “extremamente preocupante”:

– Esse é o grande problema dos surtos de dengue. Geralmente, eles ocorrem depois de um hiato, ou seja, tem uma diminuição do número de casos. Com isso, relaxam as ações preventivas e aí você tem a introdução de um sorotipo novo do vírus onde tem muito mosquito.

Para a especialista, é muito difícil alcançar a erradicação do inseto, por isso, o essencial são medidas e ações educativas e o trabalho em conjunto dos moradores e do poder público. 

Uma das ações dos municípios, apontada por Fuck, é o Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti (LIRAa), que, por determinação do Ministério da Saúde, terá de ser realizado até o dia 15 de março pelos 64 municípios infestados. A análise mostra mostra quais são os principais depósitos e focos de mosquito e os índices de infestação.

Municípios reveem planejamento para fortalecer combate

Dentre os 2.598 focos registrados em SC neste ano, Balneário Camboriú responde por 8% deles. A cidade do Litoral Norte tem 213 focos e 96% da área considerada infestada. No ano passado, o município liderou com o maior número de focos do Estado. O diretor de Vigilância Ambiental da cidade, Rafael Neis da Silva, reforça que o desafio está na conscientização da população:

– Assim como o poder público tem que fazer a sua parte, que estamos fazendo, a população também tem que fazer a dela. Se ela não fizer, a gente pode colocar 1 mil agentes na rua que a gente não vai dar conta.

Atualmente, são cerca de 30 agentes de combate a endemias nas ruas e mais 10 que estão afastados por motivo de doença. Além das vistorias nas residências, as equipes focam bastante nas construções, que são comuns na cidade. Em março, retomam palestras em escolas para reforçar as ações de prevenção. 

Já em Chapecó, segunda cidade em número de focos, com 162, são 98 agentes, sendo 12 deles bancados apenas pela prefeitura, sem repasse do Ministério da Saúde. Como a área urbana total do município é considerada infestada, os agentes precisam vistoriar todos os imóveis. Para dar conta, amanhã farão o primeiro mutirão do ano.

Foto:

Leia também:
Focos de Aedes aegypti aumentam 71,7% em 2018 em SC

144 cidades de SC somam mais de 11,5 mil focos do Aedes aegypti em 2017

35 cidades catarinenses estão em situação de alerta por infestação pelo Aedes aegypti

Leia as últimas notícias no Diário Catarinense

 SC registra 9,9 mil focos do mosquito Aedes aegypti até novembro deste ano

Diante do aumento de focos do Aedes aegypti, ações de combate devem ser intensificadas em SC

 

Siga A Notícia no Twitter

  • anonline

    anonline

    Jornal A NotíciaSaídas e mudanças: JEC começa a reestruturação da comissão técnica https://t.co/AlNIhr87cq #LeianoANhá 7 horas Retweet
  • anonline

    anonline

    Jornal A NotíciaJEC/Krona terá um desfalque no jogo de ida das semifinais da Copa do Brasil https://t.co/olZZYH34r7 #LeianoANhá 8 horas Retweet
A Notícia
Busca