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Escola29/01/2018 | 09h08Atualizada em 29/01/2018 | 10h59

Joinvilenses aproveitam compra de material escolar para incentivar o estudo dos filhos

Procon apontou variação de até 3.100% nos produtos que compõem a lista básica

Joinvilenses aproveitam compra de material escolar para incentivar o estudo dos filhos Cleber Gomes/Especial
Foto: Cleber Gomes / Especial

Mãe coruja, Nívea Medeiros perdeu as contas do quanto já gastou em material escolar para as duas filhas, Polyana e Marina, estudantes do 9º e do 6º anos do ensino fundamental. Só neste ano, a conta da família com a lista escolar bateu os R$ 380 – preço que considera baixo se comparado com o incentivo que esse gasto representa para o futuro das filhas. A percepção dela é um denominador comum entre os joinvilenses que partem às compras no período que antecede a volta às aulas nas redes particular, municipal e estadual de ensino.

— A escolha do material eu deixo a cargo delas porque dou prioridade aos estudos, então elas ganham o material bom, desde que façam por merecer e tirem notas boas na escola. Isso serve como um incentivo, então é um gasto que vale a pena — afirma Nívea.

Até a papelaria onde os materiais foram comprados foi escolhida a dedo pelas adolescentes, que se deslocaram do Morro do Meio, onde moram, até o estabelecimento no Iririú. Um trajeto ainda maior levou Juliane Vitorino a comprar os materiais do filho Juliano, de 12 anos, no mesmo local. Moradora de Itapoá, ela decidiu adquirir os produtos em Joinville devido ao preço, mais em conta no comparativo com a cidade do Litoral Norte.

No caso de Juliane, o gasto estimado é de cerca de R$ 100, valor menor resultante do reaproveitamento de produtos comprados no ano passado, como lápis de cor e canetinhas, dois dos vilões de preços das listas escolares. Outro fator que alivia os gastos da família é o "benefício escola" pago pela empresa onde ela trabalha. No entanto, segundo a mãe, o orçamento pode sair do esperado até o início do ano letivo, em fevereiro. Isso porque ela acaba cedendo alguns pedidos do menino, que tem preferência por itens com estampas dos seus personagens favoritos.

São justamente os produtos estilizados que acabam encarecendo a maior parte dos componentes da lista escolar. E as novidades do setor são muitas, segundo Fernando Andrade, gerente da unidade da Milium, no bairro América, que trabalha com parte do foco voltado à venda de material escolar nos dois primeiros meses do ano. Conforme ele, na loja, são mais de mil itens de materiais.

Motivação

— O mercado de material escolar sempre foi atrativo e é um setor que todo ano se reinventa, então, por exemplo, tem mochila personalizada, lápis e cadernos com personagens da moda, um mix de qualidades e variedades. Isso acaba entrando no mundo lúdico da criança e, querendo ou não, quando ela consegue o material que ela quer até o desempenho dela na escola tende a ser melhor — destaca.

Proprietária da Acapel, loja especializada no ramo de papéis e embalagens há mais de 30 anos, Kathiane Wegner compartilha da mesma opinião. Conforme ela, a escolha do material escolar, quando feita pelo aluno, serve para que o estudante comece os estudos mais empolgado. Além disso, acredita que o incentivo também é válido para os pais, que podem negociar com o filho a compra dos produtos de sua preferência desde que ele se esforce para ter um bom desempenho na escola.

— Esse é um momento muito esperado pelas crianças, e sempre digo para as minhas funcionárias que atendam bem a esses clientes porque elas não estão lidando só com a venda de material escolar, estão vendendo sonhos. As crianças têm muita expectativa até o dia que chegam aqui e não podemos tornar essa data frustrante porque esse é o momento delas — a comerciante.

Alegria para a criançada, resultado positivo para o comércio. De acordo com a Acapel, na papelaria são mais de dez mil produtos disponibilizados para todos os gostos e bolsos. No setor, a volta às aulas é considerada a melhor época do ano para as vendas. Somente neste estabelecimento, a expectativa é de que o movimento quadruplique até a primeira semana de fevereiro.

Fique de olho na variação de preços

Uma pesquisa de preços feita pelo Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) de Joinville apontou variação de até 3.100% nos produtos que compõem a lista básica de materiais escolares em 2018. Cinco estabelecimentos comerciais foram entrevistados (Acapel, Casa Sofia, Casa do Contabilista, Livrarias Curitiba e Milium) entre os dias 10 e 12 de janeiro, quando foram verificados os preços de 47 produtos, como caderno, lápis preto e de cor, borracha e apontador.

Entre um estabelecimento e outro, o apontador registrou grande variação de preços. Enquanto em um local a unidade simples mais barata custa R$ 0,10, em outro estabelecimento um produto com as mesmas características chega a custar R$ 3,20, uma variação de 3.100%. Na sequência, aparecem o transferidor: custa de R$ 0,23 a R$ 5; e a borracha, que varia de R$ 0,12 a R$ 1,90.

Dos produtos de maior valor agregado, um caderno universitário espiral de capa dura com 96 folhas chega a custar entre R$ 4,75 e R$ 27 dependendo da marca e especificação do item. Normalmente, os licenciados são os mais caros. Já as mochilas, conforme consulta do jornal “A Notícia” a alguns dos estabelecimentos, chegam a ter valores que variam de R$ 28 a R$ 300. Opção para todos os gostos e bolsos.

O preço e a qualidade dos produtos têm peso maior na opção de compra dos joinvilenses. Jackeline Isabel Baumer fez as compras junto dos filhos Carlos (8º ano) e Isabelle (3º ano) depois de fazer muita pesquisa. Segundo ela, foram orçados os preços em quatro lugares. Para ela, o estabelecimento com o valor final da lista mais barato foi o escolhido.

Apesar da pesquisa, a influência dos filhos no momento da compra acabou contando para elevar o gasto previsto.

— Trouxe os dois comigo porque não teria com quem deixá-los e já percebi diferença. Iria comprar cadernos de R$ 1,99, mas ela quis um com adesivos e acabei comprando. Não tem jeito, eles ajudam a gastar mais — brincou a mãe.

Preço dos materiais escolares em Joinville
Foto: Arte / Reprodução

DICAS DE ESPECIALISTA

A economista Jani Floriano, especialista em finanças pessoais, dá dicas que podem servir para os pais que pretendem economizar com a compra dos materiais escolares:

PESQUISAR: A pesquisa de preços continua sendo a melhor aliada para quem deseja economizar. Uma das dicas é buscar locais próximos de casa, evitando gastos elevados com o transporte. Outra avaliação é considerar o impacto da diferença de preço entre um estabelecimento e outro por valor agregado do produto e não por um item em si.

COMPRA POR ATACADO: Materiais de menor durabilidade e que o estudante precise repor durante o ano (por perda ou desgaste), como lápis preto, caderno e caneta, uma opção viável é a compra de caixa fechada via atacado.

REAPROVEITAMENTO: Outros produtos como lápis de cor e canetinhas, que costumam ser mais caros, têm durabilidade maior, podendo ser reaproveitados no ano seguinte.

NEGOCIAÇÃO FAMILIAR: Como a maioria das crianças acaba optando por itens personalizados, o preço desses produtos tende a ser mais elevado. Para que haja equilíbrio no orçamento, os pais podem negociar com os filhos. Por exemplo, em vez de comprar os cadernos e a mochila estilizados, eles podem optar por apenas um dos itens com personagem. O restante do material pode ser simples, adquirido com cartelas de adesivo, que podem ser colados no material.

LOJAS ESPECIALIZADAS: Em itens que compõem a lista e que não são de primeira necessidade, como palitos de picolé e tinta guache, pode ser mais vantajoso comprar em separado em lojas especializadas, onde o preço tende a ser mais competitivo.

TROCA-TROCA: Os livros didáticos novos acabam pesando mais no bolso. Entre as alternativas para economizar estão a compra e venda, doação ou a troca desses produtos em grupos de pais e alunos da escola ou nas redes sociais.

COMPRA TRANQUILA: Em regra geral, quem deseja economizar deve ir às lojas sem os filhos, o que garante mais paciência e pesquisa no momento da compra. A medida também evita o risco de, caso a criança não abra mão de determinado produto, venha a causar constrangimento aos pais em meio a outros consumidores. Porém, ?se os pais levarem a criança e tiverem dinheiro ou quiserem fazer um agrado até para estimular o filho a estudar, a ideia é fazer uma negociação dos produtos que serão levados. Essa barganha também ajuda a fazer uma educação financeira para os filhos e incentiva a consciência dos valores que esses itens custam?, pondera. 

 

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