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Balneabilidade05/01/2018 | 21h51Atualizada em 05/01/2018 | 21h51

60% das praias de Santa Catarina estão próprias para banho, aponta Fatma

Primeiro relatório do ano foi divulgado na íntegra nesta sexta-feira e mostra que o Estado possui 129 pontos aptos e outros 86 impróprios para banho

60% das praias de Santa Catarina estão próprias para banho, aponta Fatma Marco Favero/Diário Catarinense
Foto: Marco Favero / Diário Catarinense

O primeiro relatório de balneabilidade da Fundação do Meio Ambiente (Fatma) de 2018 que foi divulgado na íntegra na sexta-feira mostra aumento no número de pontos impróprios para banho nas praias de SC desde a última análise, em dezembro. Uma parcial dos dados tinha sido publicada na quinta. 

Proporcionalmente, o salto na quantidade de locais impróprios foi de aproximadamente 79%. Na análise anterior, eram 48 pontos não indicados para banho, e agora são 86. O motivo do aumento, conforme a entidade de SC, foi a chuva na véspera das coletas e o maior fluxo de pessoas em Florianópolis. 

As amostras foram capturadas entre os dias 2 e 4 de janeiro, em 114 praias de 27 municípios catarinenses. O total de pontos próprios para banho foi de 129, ou seja, 60% dos 215 pontos analisados _ no último levantamento, o total de locais em condições ideais era de 167. 

O percentual atual preocupa tendo em vista que o Estado vive a alta temporada com o aumento do turistas nas praias e o número ficou abaixo da média histórica dos primeiros levantamentos da Fatma, que varia entre 65% e 75% de locais banháveis. 

Conforme a fundação, dos pontos avaliados na faixa litorânea sem contar as praias da Capital, 67,1% dos locais analisados, o equivalente a 94 pontos, estão aptos para os banhistas. Se comparado ao relatório anterior, 41 pontos em toda a costa de Santa Catarina passaram a ser impróprios e apenas dois mudaram para próprios. 

Nas praias de Florianópolis, dos 75 pontos avaliados, 35 (46,7%) estão próprios para banho. A região mais crítica foi o Norte da Ilha de SC onde todos os pontos de Jurerê _ incluindo a parte Internacional _ e Canasvieiras foram considerados impróprios. Nos Ingleses e na Ponta das Canas, apenas um ponto estava próprio para banho. 

Ainda na quinta-feira, a prefeitura de Florianópolis determinou uma contraprova nas praias do Norte pela agência reguladora Aresc. Os resultados estão previstos para terça-feira. Na mesma data, a Fatma fará novas análises parciais, que poderão ser consultadas no site da fundação. Em Jurerê Internacional, o Sistema de Água e Esgoto local, o SAE, fez um novo exame na quinta-feira cujos resultados apontaram que os nove pontos no bairro e os cinco em Jurerê Tradicional estavam próprios para banho.

— A Fatma tem 41 anos de experiência na área. O relatório é feito com base na resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). São feitas cinco coletas em cada ponto, sendo que, para que o local seja considerado impróprio, quatro deles precisam que a quantidade da bactéria Escherichia Coli, presente em fezes de animais e humanos, seja superior a 800 por 100 mililitros (ml) — explica Oscar Vasquez Filho, gerente de pesquisa e análise da qualidade ambiental da Fatma.

Veja no mapa abaixo os pontos avaliados (o texto segue após o mapa)

Especialistas apontam saídas

A reportagem consultou dois engenheiros sanitaristas, ambos com especialidade em saneamento, para entender os motivos da falta de evolução no quesito da balneabilidade no Estado. Historicamente, o índice de pontos próprios fica entre 65% e 75%. Porém, esse número já chegou a 55,6% em 3 de fevereiro.

Para Vinícius Ragghianti, ex-presidente da Associação Catarinense dos Engenheiros Sanitaristas e Ambientais, as explicações dadas pela Fatma para o mau resultado desta semana _ chuvas, encurtamento da faixa de areia, grande número de turistas e ligações irregulares _ fazem sentido do ponto técnico. Todos eles, no entanto, são previsíveis. Uma das maneiras de se minimizar o problema seria apostar, além do esgoto, no tratamento também das águas da chuva. 

— Estamos muito atrasados. Os países mais desenvolvidos superaram esse mesmo processo que estamos passando agora nas décadas de 1970 e 1980 — avalia. 

Ragghianti reconhece que a Casan tem feito investimentos significativos em Florianópolis, porém ele crê que ainda falta um ente político que banque o custo da implementação de um sistema realmente efetivo de saneamento.

— Existe o problema, mas já se sabe como fazer para resolvê-lo. A questão é começar e ser efetivo. A sociedade também precisa se mobilizar para essa conversa — opina Ragghianti.

A professora Janete Feijó, coordenadora do curso de Engenharia Ambiental e Sanitária da Univali, diz que há uma questão de fundo quanto ao saneamento no Brasil. No país, adotou-se como modelo o sistema de separação, com uma rede de esgoto e outra para as águas pluviais (chuvas). Com isso, não é incomum que os donos de residências, até mesmo por desconhecimento, façam a conexão no lugar errado. Dessa maneira, os dejetos acabam, invariavelmente, indo parar nas águas, seja de rios ou mares. 

Ela concorda com a necessidade de se tratar as águas da chuva, porém diz que, com o sistema de separação, isso fica dificultado. A outra opção é o chamado sistema unitário, em que há uma galeria que leva diretamente às estações de tratamento.

O que diz a Casan

Questionada pela reportagem sobre a atual situação de balneabilidade do litoral catarinense, principalmente na região norte da Ilha de Santa Catarina, a Casan se posicionou sobre o tema:

Investimento x falta de melhoria significativa
No mundo inteiro, os relatórios de balneabilidade são apenas uma referência, já que reconhecidamente as chuvas alteram a condição de balneabilidade de uma praia no dia da coleta da amostra. Se parar de chover, o ponto pode ficar próprio para banho 24 horas depois. A não ser que exista um componente mais duradouro, como por exemplo a saída de um rio poluído.  Os índices das praias de Santa Catarina estão na média brasileira e, muitas vezes, melhores que as demais praias do país.

Prevenção para excesso de chuva
Quando a rede de drenagem desemboca na praia, não há o que fazer. No mundo inteiro é assim, as águas da chuva transportam de forma direta ou indireta toda sujeira gerada pela urbanização nas ruas (lixo, fezes de animais, esgotos clandestinos etc) até as águas superficiais sejam rios ou o próprio mar quando em regiões litorâneas.  Por isso que a placa da Fatma deve alertar para evitar o banho nas 24 horas seguintes à chuva. Uma alternativa: retirar os canais de drenagem das praias, como é o caso de Jurerê Internacional, onde a praia historicamente é própria para banho (exceção ocorreu dia 2/01 em função de muita chuva numa área de areia que temporariamente está estreita demais). Essa alternativa, porém, em uma Ilha como a nossa é mais difícil de ser adotada, pois são mais escassos os cursos de água (rios e lagoas). 

Tratamento da água da chuva
É o que Casan e prefeitura se propõem a fazer no Projeto de Balneabilidade da Beira-Mar. É um projeto caro que está sendo feito: R$ 17 milhões para 3,5 quilômetros de orla.  Mas essa alternativa também tem limitações, pois as variáveis climáticas nos dias atuais são cada vez mais difíceis de previsão. Mesmo nos países onde há o sistema unitário, existem os extravasores dos sistemas de coleta para os cursos de água pois em dias de chuva intensa não é possível coletar e tratar toda a água de chuva.

Ligações clandestinas
Prefeitura e Casan estão permanentemente unidas contra essa cultura da informalidade e da clandestinidade, fazendo campanhas de conscientização e de fiscalização. O Programa Floripa se Liga na Rede foi criado para minimizar esse comportamento que, infelizmente, não é exclusividade de SC. É um problema brasileiro.

Critérios de medição da Fatma
A Casan apenas questiona o modo como os relatórios são tratados, como se fossem comprovações definitivas de balneabilidade de uma praia. Não é assim que deveria ser, já que o relatório apenas aponta que aquele ponto específico da coleta da análise está próprio ou impróprio no dia da coleta e exatamente por esse motivo a influência direta das chuvas nos resultados.

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