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Tragédia03/12/2017 | 17h36Atualizada em 03/12/2017 | 17h36

Polícia trata atropelamentos em Lages como crime passional

Episódio foi testemunhado por dezenas de pessoas e registrado por câmeras de monitoramento na tarde de sexta-feira (1º)

Polícia trata atropelamentos em Lages como crime passional Leo Munhoz/Diario Catarinense
Foto: Leo Munhoz / Diario Catarinense

Se tivesse sobrevivido ao tiro recebido da polícia na tentativa de fuga, o motorista do Sandero que invadiu um calçadão no centro de Lages, deixando vítimas pelo caminho, seria autuado por homicídio qualificado.

É assim que a Polícia Civil classifica o episódio testemunhado por dezenas de pessoas e registrado por câmeras de monitoramento na tarde de sexta-feira.

Giovanni Oliveira Fornari, 41 anos, foi visto com o carro parado numa rua que dá acesso ao calçadão. Em seguida, avançou sobre a área restrita à passagem de pedestres. Assim, a linha de investigação é de que ele agiu propositalmente ou, ao menos, assumiu o risco de atropelar as vítimas.

Já em fuga após as colisões, Giovanni abandonou o veículo e acabou baleado ao tentar atacar policiais com uma faca. Ele morreu no hospital, ainda na tarde de sexta. 

Cinco vítimas atingidas no caminho, entre elas um policial militar, receberam alta entre sexta-feira e sábado. Janaína Antunes Correia, de 33 anos, permanece internada em estado grave no Hospital Nossa Senhora dos Prazeres.

Para a polícia, um histórico de problemas psicológicos de Giovanni pode estar por trás da ação de sexta. Depoimentos de familiares tomados pelo delegado Raphael Barboza, titular da investigação, indicam que ele sofria de esquizofrenia e tratava o distúrbio há pelo menos seis meses.

Boletins de ocorrência levantados pela investigação ainda apontaram situações em que Giovanni desapareceu e depois reapareceu devido a conflitos familiares. A Polícia Civil de Lages também apura a informação de que ele teria brigado com uma pessoa próxima instantes antes dos atropelamentos. Por isso, a principal tese é de crime passional provocado por violenta emoção. A polícia, no entanto, confirma que Giovanni Fornari não tem antecedentes criminais e que não há notícia de tentativas ou ações semelhantes cometidas por ele anteriormente.

As conclusões, diz o delegado, vão depender do encaminhamento do inquérito policial. A investigação busca esclarecer a motivação dos atropelamentos, além das circunstâncias da reação da Polícia Militar, que levou Giovanni a ser baleado. O comandante da PM, major Frederick Rambusch, destacou que a ação da PM se deu com um único tiro, em reação ao ataque dele com uma faca. E que foi imediatamente socorrido.

Ativo nas redes sociais
Nas redes sociais, Giovanni publicava quase diariamente informações sobre mudanças climáticas no planeta, notícias de tempestades e fenômenos naturais, além de conflitos internacionais. Ele também escrevia diariamente mensagens em referência a Deus, energia e ao universo. Na véspera do atropelamento, foram 19 publicações consecutivas no Facebook. Ele também manifestava interesse por notícias sobre o jogador Neymar e o tenista Novak Djokovic. 

Sepultamento rápido e discreto
A cerimônia de sepultamento de Giovanni ocorreu de maneira breve, ainda na manhã de sábado. O corpo foi enterrado no cemitério Parque da Saudade, em Lages. Apenas um pequeno grupo de pessoas esteve presente. Com medo de que houvesse manifestações de hostilidade, familiares pediram à funerária e à administração do cemitério que o horário e o local não fossem divulgados com antecedência.
Professora aposentada da rede municipal, a mãe de Giovanni recebeu mensagens de apoio e carinho nas redes sociais.

"Deus me deu uma oportunidade", agradece PM que sobreviveu 

Sobrevivente da sequência de atropelamentos, o sargento Joel Alves de Souza, de 48 anos, recebeu alta do Hospital Nossa Senhora dos Prazeres por volta do meio-dia de sábado.  
Ele participou da perseguição ao Sandero. Em uma mensagem de agradecimento gravada por celular, o sargento relembrou como foi arremessado por cima do veículo e, depois, arrastado pelo carro por alguns metros quando já estava caído no chão.

— Graças a Deus estou vivo. Deus me deu mais uma oportunidade... Ele acelerou para cima de mim. O meu corpo travou o carro, não deixava ir para frente. Ele deu uma ré e acelerou de novo, veio para cima de mim com tudo. Me levou de arrasto uns três a quatro metros, o que causou todos esses machucados. A bondade de Deus é grande e infinita, que me livrou da morte. Me deu mais uma oportunidade de viver — agradeceu Joel.

No depoimento, o sargento conta que continuou debaixo do carro mesmo depois de Giovanni abandonar o veículo, quase desmaiando. Foi quando recebeu a ajuda de pessoas que passavam pelo local.

— Eles tiveram um papel fundamental para que eu pudesse estar aqui dando meu depoimento nesse momento — agradeceu novamente.

Além das escoriações visíveis no rosto, o sargento disse estar com três vértebras fraturadas e dois coágulos de sangue no pulmão. 

Rotina volta ao normal no calçadão

A movimentação intensa de pessoas pelo calçadão Túlio Fiúza de Carvalho, no dia seguinte aos atropelamentos, indicava que a rotina de pedestres e comerciantes da região já estava de volta ao normal no sábado. Lojas abriram as portas como de costume e feirantes assumiram os lugares de sempre. Mas não havia outro assunto nas esquinas e rodas de conversa do calçadão: só se falava no caso do motorista que provocou um atropelamento coletivo na sexta-feira.

Figura já conhecida do local, onde vende picolés no mesmo ponto com um carrinho há 13 anos, o picolezeiro Alcindo de Lima, 67 anos, ganhou ainda mais acenos e cumprimentos. Isto porque o Sandero desgovernado atingiu em cheio o carrinho dele ao fazer uma curva para sair do calçadão. O carrinho foi parar no meio da rua, mas o picolezeiro, que estava em um banquinho, não chegou a ser atropelado.

Seu Alcindo não sabe explicar ao certo se caiu com o impacto ou se jogou no chão por reflexo, mas agradece que escapou praticamente ileso.

— Só bati o joelho no meio-fio. Até quiseram me atender, mas não precisava. Estava com o corpo quente e não sentia nada. Agora dói um pouquinho, mas graças a Deus minha esposa não estava junto — relembra.

A mulher dele, Helena Maria, costuma encontrá-lo para levar o almoço. Naquela hora, diz Alcindo, ela havia acabado de descer a rua para fazer compras.

Passado o susto, o picolezeiro fez questão de ocupar o mesmo local de sempre neste sábado. Só mudou de carrinho porque o do dia anterior ficou danificado.

— A partir de agora, ele vai ter que usar retrovisor — brincou um dos clientes que o cumprimentou no sábado.

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