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Saúde28/12/2017 | 19h13Atualizada em 29/12/2017 | 09h07

Greve na saúde impacta atendimento em hospital filantrópico de Joinville

Com servidores municipais em greve, população buscou solução na unidade mantida por uma instituição beneficente

Greve na saúde impacta atendimento em hospital filantrópico de Joinville Luan Martendal/A Notícia
O tempo de espera aumentou no Bethesda por causa do aumento Foto: Luan Martendal / A Notícia

O Hospital Bethesda, no Distrito de Pirabeiraba, enfrenta elevação 110% acima do normal no número de atendimentos realizados pela instituição na segunda quinzena de dezembro — a média diária chegou a passar de 100 para até 400 pessoas e, hoje, é de 250 pacientes. A situação é um dos reflexos da greve dos servidores que trabalham no recesso e que paralisa cerca de 90% dos funcionários das unidades de pronto atendimento (UPAs) de Joinville.

A interrupção das atividades ocorre nas UPAs Sul, Norte e Leste e completa 18 dias nesta quinta-feira (28). A greve foi deflagrada, segundo o Sindicato dos Servidores Públicos de Joinville (Sinsej), com o objetivo de reivindicar melhores condições de trabalho, segurança e contratação de novos profissionais, além da revisão da gratificação dos servidores. Até o momento não houve acordo com a Prefeitura de Joinville, conforme o sindicato.

Como consequência, o diretor do Hospital Bethesda de Joinville, Hilário Dalmann, relata que, em alguns dias, o pronto atendimento da unidade tem registrado superlotação. Segundo ele, o tempo de espera do atendimento, em média, de até duas horas, passou para até nove horas desde o dia 16.

Os impactos

O acúmulo de pacientes na unidade é entendido como um dos impactos da greve, uma vez que as portas das UPAs seguem praticamente fechadas, e os atendimentos nesses locais estão restritos aos casos de urgência e emergência. Os demais são distribuídos pela rede básica de saúde entre os hospitais Bethesda (filantrópico), o Municipal São José e o Regional Hans Dieter Schmidt.

— O comprometimento maior é a demora no atendimento porque nós temos uma estrutura que não está preparada para essa demanda. Embora nós tenhamos colocado mais médicos (2) e funcionários (8) e suspendido as férias de alguns deles, isso gera um transtorno muito grande para a instituição — explica Hilário.

Entre os problemas, está ainda a demora nas transferências de pacientes que procuram o local e precisam ser levados para o Regional ou o São José, uma vez que é preciso mais apoio médico e de ambulância — já solicitados ao município e sem resolução, conforme ele.

Como 97% dos atendimentos no Bethesda são realizados por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), outro impacto é o aumento dos custos, que não acompanha o aumento das receitas. Há relato ainda de contratação de segurança particular por causa da exaltação das pessoas durante a espera.

— Nesse período pedimos compreensão porque temos que priorizar os casos de urgência e emergência, apesar de fazer o possível para atender a todos. A gente jamais vai deixar a população  na mão, que é uma população que ajuda a instituição Bethesda e não tem culpa dessa situação decorrente da greve, nem nós — afirma.

Já no Hospital Regional, a demanda também é maior, em média de 20 a 30 pacientes a mais por dia. Porém, no local, estão sendo realizados atendimentos somente aos idosos e os casos de urgência e emergência, enquanto os demais são reencaminhados ao PA de origem.

Greve dos funcionários plantonistas em Joinville impacta atendimento do hospital Bethesda.Miguel Carneiro
Miguel precisou pedir carona para ir até Pirabeiraba levar a mulher ao Hospital BethesdaFoto: Luan Martendal / A Notícia

Transtorno para os pacientes

O transtorno atinge diretamente moradores de outros bairros, como o casal Miguel Carneiro, de 64 anos, e Eulália Ferreira Carneiro, de 83, que buscaram o PA Leste, no Aventureiro, para um atendimento a ela. Eles chegaram a ser recebidos na tarde desta quinta-feira, mas tiveram que se deslocar até Pirabeiraba porque não foi possível fazer a consulta.

— Estivemos em um postinho, ela foi medicada e não adiantou. Hoje buscamos o PA e a funcionária disse que havia poucos médicos e não tinham como nos atender. Encaminharam ela para cá e, para nós que não temos carro, é complicado porque tive que me humilhar atrás dos outros em busca de carona para poder trazê-la — desabafa Miguel, enquanto aguardava a mulher ser medicada.

A mesma orientação foi dada, no PA Leste, ao operador de rastreamento Guilherme Walison Matheus da Veiga, que recebeu um papel de indicação ao hospital filantrópico. Ao contrário de Miguel e Eulália, o rapaz decidiu esperar em casa.

— Não vou até o Bethesda ou o São José agora à tarde porque nesse horário estão lotados. Vou continuar com a medicação que tenho em casa e se não melhorar vou ter que ir até lá — disse ele ao sair da unidade de saúde, por volta das 14h30.

Outro paciente, José da Silva, morador no Iririú, está em tratamento para labirintite. Ele chegou a receber atendimento na UPA antes da greve, mas teve rejeição a medicação. Desta vez, recorreu diretamente ao pronto atendimento do Bethesda.

Manifestação da Prefeitura

A Prefeitura de Joinville reconhece a situação atípica em decorrência da greve e a restrição dos atendimentos nos PAs. Com relação ao aumento no fluxo de pacientes no pronto atendimento do Hospital Bethesda, o órgão informou que existe um sistema de plantão para apoio logístico emergencial para a unidade e que a própria instituição fica responsável pelo transporte dos pacientes.

"O Município já tem um convênio de R$ 110 mil mensais, que é repassado à instituição para que eles tenham a porta aberta para esses atendimentos (da rede básica). A demanda está aumentando por ser um problema pontual provocado pela greve, mas eles têm responsabilidade pelos atendimentos", afirma a Prefeitura em nota.

Sobre a paralisação dos servidores, a Prefeitura afirmou, também em nota: 

"A Prefeitura de Joinville lamenta a decisão do Sinsej em manter a paralisação que prejudica o atendimento à população.  O Município apresentou as propostas para o encaminhamento do fim da greve e para a manutenção do diálogo com o Sindicato. Infelizmente não houve a aceitação por parte do Sinsej.  O Município ressalta que diante desta decisão, os servidores paralisados terão os salários descontados".

 

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