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Saúde 01/11/2017 | 08h13Atualizada em 01/11/2017 | 08h37

Joinville tem casa de acolhimento para usuários de drogas e álcool em situação de rua

São apenas 38 dessas unidades em todo o Brasil, duas delas em Santa Catarina

Joinville tem casa de acolhimento para usuários de drogas e álcool em situação de rua Divulgação/Prefeitura Municipal de Joinville
Foto: Divulgação / Prefeitura Municipal de Joinville

Joinville tem uma unidade de acolhimento, um serviço de residência transitória para reabilitar usuários de drogas e álcool em situação de rua. Um estudo sobre o projeto foi vencedor na categoria Processos e Serviços Públicos, da Expoinovação 2017. São apenas 38 dessas unidades em todo o Brasil, duas delas em Santa Catarina: a de Joinville e uma em Chapecó.

"É vanguarda, é pioneiro, somos referência em todo o Estado. Nos inscrevemos no prêmio para dar visibilidade ao projeto e mostrar que no serviço público também tem pesquisa", disse o psicólogo da Secretaria da Saúde, Diogo Fiorello Foppa.  

O estudo sobre a unidade é parte do projeto de Mestrado dele na UFSC, que busca demonstrar que este é um método eficiente de reabilitação psicossocial. 

A unidade de acolhimento é como uma casa. Tem quartos coletivos e individuais, cozinha completa, lavanderia, banheiros, sala com TV e espaço de convivência. As portas estão abertas, a casa não é fechada, não é uma internação, os usuários têm livre acesso de ir e vir. Eles lavam as próprias roupas, podem fazer um lanche, têm incentivo para serem autônomos e independentes e cuidarem da higiene pessoal. Eles recebem as refeições do café da manhã, almoço, café da tarde e jantar. 

A capacidade é para atender 15 pessoas: usuários atendidos pelo CAPS AD (Centro de Atenção Psicossocial em álcool e outras drogas) que precisam de um cuidado mais integral, homens e mulheres, acima de 18 anos, em situação de rua. Desde que foi implantada, em agosto de 2014, a unidade já acolheu 43 pessoas. Quando entram na Unidade continuam sendo atendidos pela equipe multidisciplinar do CAPS AD e podem viver na casa por até seis meses. 

"Na casa, a intenção não é que o usuário apenas pare de usar álcool e drogas, mas que ele seja reinserido na sociedade. Muitos voltaram a estudar, a trabalhar, voltaram a ter vínculos com a família, voltam para suas cidades de origem, diminuem ou até param o uso de drogas. Os resultados são quantitativos e qualitativos. Um usuário nosso acabou de concluir o ensino médio, vai fazer o Enem e quer entrar na faculdade", disse Diogo. 

Para incentivar a continuidade dos estudos, a unidade mantém parcerias com instituições de ensino que possam oferecer bolsas de estudo. Usuários de lá já frequentaram cursos como informática, segurança, gastronomia, elétrica predial, entre outros. A maior dificuldade, no entanto, é a reinserção no mercado de trabalho. 

"Temos dificuldade em conseguir empresas parceiras. Muitos têm escolaridade baixa ou pouca experiência em carteira, com várias entradas e saídas, mas temos casos de muito sucesso. Quanto mais ele circular e ter acesso a serviços públicos e particulares, mais cidadão vai ser". Os profissionais estimulam a geração de renda como é o caso de um usuário que sabe fazer redes de descanso e fez – com muito talento - uma para a unidade. 

De acordo com uma pesquisa da Secretaria de Assistência Social de 2016, há em torno de 700 moradores de rua em Joinville. O perfil da maioria dos moradores da casa é homem, jovem e com baixa escolaridade. 

Além de mostrar a importância do projeto na vida dessas pessoas, a equipe quer também cadastrá-lo na coordenadoria de Saúde Mental do Ministério da Saúde para receber recursos e construir uma sede própria. 

Residancia para usua¡rios de drogas
Foto: Divulgação / Prefeitura Municipal de Joinville

Um dos usuários do programa tem 51 anos, duas filhas e uma neta. Está na casa há três meses e diz com felicidade que conseguiu parar de usar crack e bebida. "Aqui é maravilhoso, me ajudou muito. Me ajudou muito”, ele repete. Ele já era atendido desde 2015 no CAPS AD e esperava uma vaga para ficar na casa. Aqui eu consegui realmente parar, mesmo, de vez. Minha filha está mais feliz e eu quero trabalhar", disse.

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