Casas, bares e fundos de quintais são fachada para jogatina ilegal  - Geral - A Notícia

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Caderno Nós20/11/2017 | 05h01Atualizada em 20/11/2017 | 05h01

Casas, bares e fundos de quintais são fachada para jogatina ilegal 

Os jogos mais praticados na clandestinidade em Santa Catarina são nas máquinas caça-níqueis, bingos e jogo do bicho

Casas, bares e fundos de quintais são fachada para jogatina ilegal  Felipe Carneiro/Diario Catarinense
As casas de fundo de quintal são apenas um capítulo pouco significativo da verdadeira dimensão dos jogos ilegais em SC Foto: Felipe Carneiro / Diario Catarinense

Residências, apartamentos, salas comerciais, bares e ambientes de fundo de quintal são palcos da jogatina ilegal que se mantém encoberta pela clandestinidade. A maioria sem qualquer dispositivo que possa trazer segurança aos frequentadores.

Na Grande Florianópolis, um dos últimos lugares estourados pela Polícia Civil, na Rua Felipe Neves, bairro Jardim Atlântico, parte continental de Florianópolis, era em uma casa murada. Dentro havia máquinas vídeo-bingo com cadeiras de escritório em que os clientes precisavam adquirir fichas para apostar. Após o flagrante, os envolvidos assinaram um Termo circunstanciado (TC) e foram liberados.

A Polícia Militar flagrou mês passado uma outra situação inusitada na Rua Marinho, na praia dos Ingleses: havia uma jogatina em pleno vapor no segundo andar de um bar. Onze máquinas caça-níqueis foram apreendidas. Em Itajaí, a PM encontrou 23 máquinas em uma sala no primeiro andar de um prédio no Centro, na terça-feira. Havia duas apostadoras, de 51 anos e 53 anos.

Segundo a polícia, ações como essas geralmente são motivadas por denúncias anônimas. De acordo com o delegado Marcos Assad, a Gerência de Jogos e Diversões da Polícia Civil em Florianópolis chegou a considerar um aumento dos relatos nos últimos meses durante a novela A Força do Querer, com o drama da personagem Silvana, a jogadora contumaz interpretada por Lília Cabral.

Cansados do vício dos parentes, filhos telefonavam para a polícia e forneciam os endereços dos lugares suspeitos. As informações diminuíram após o auge do tema em rede nacional. Em delegacias de bairros, não tem sido rotina atacar casas de jogos diante das ocorrências mais graves. Além disso, o próprio déficit de efetivo policial dificulta a ação.

Em Florianópolis, as denúncias costumam ser repassadas pela Gerência de Jogos às delegacias da área. Os distritos então ganham mais uma tarefa em meio aos boletins de ocorrências de outros delitos como furtos, roubos e agressões.

– Mas tem que agir se souber de informação ou algum endereço. O policial tem que ir lá e fechar, senão estará prevaricando – diz um experiente policial civil da Capital.

Os jogos mais praticados são nas máquinas eletrônicas, mas ainda haveria bingos. Apostadores ouvidos pela reportagem contaram que o jogo do bicho também é um dos mais procurados. Suspeitas indicariam casas de jogos no bairro Monte Verde e na região do trevo da Seta (caminho para o sul da Ilha). Aposentadas, normalmente acima dos 50 anos, constituiriam o perfil da clientela. Uma das queixas à polícia apontou que haveria até uma Van que buscaria senhoras para passar a tarde tentando a sorte em salas com café e bolo à vontade.

Investigação revela esquema milionário

As casas de fundo de quintal como se refere a polícia são apenas um capítulo pouco significativo da verdadeira dimensão dos jogos ilegais em Santa Catarina. Em dezembro de 2016, na Operação Castelo de Cartas, a Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic), revelou que milhões eram movimentados a partir de um esquema liderado por bicheiros em Araranguá, Criciúma, Balneário Arroio do Silva, Tubarão, Gravatal e Balneário Rincão. O Ministério Público de Santa Catarina denunciou 23 pessoas da região por crimes como organização criminosa e lavagem de dinheiro. Bens de até R$ 6 milhões foram bloqueados.

A lavagem de dinheiro ocorria com empresas de fachadas, aquisição de imóveis e veículos em nomes de laranjas, conforme a promotoria. No fim da primeira etapa da apuração, houve indícios que o grupo contaria com a facilitação de servidores públicos e a influência de políticos para manter a atividade.

Os principais envolvidos são de uma mesma família e teriam herdado a ligação com o jogo do bicho. Ostentação com casas e veículos de luxo, viagens internacionais para os filhos, aluguel de casas de veraneio, terrenos em loteamentos de alto padrão e outras barganhas são descritos pela polícia no inquérito.

Jogo do bicho ganha formato eletrônico

No Sul, as apostas do jogo do bicho não são mais feitas e registradas em blocos de papel. Hoje em dia são realizadas em equipamentos eletrônicos chamados POS (ponto de venda ou de serviço) semelhantes às maquininhas de compra e venda em estabelecimentos comerciais em débito ou crédito.

Entre os fatos investigados, a polícia apurou até um encontro entre um bicheiro de Tubarão com contraventores do Rio de Janeiro. O objetivo era a mobilização nacional com políticos em Brasília para buscar a legalização em projeto que beneficiasse o grupo do jogo do bicho e não todos os tipos de jogos.

“A exploração do jogo do bicho é mera contravenção penal (crime anão), de menor potencial ofensivo. No entanto, valores significativos vêm sendo movimentados em razão dessa infração penal e consequentemente para dar aparência lícita a esses valores pessoas que exploram essa atividade fazem uso de uma série de artifícios à margem da lei, trazendo graves danos sobretudo à ordem econômica financeira, além do fomento ao crime organizado”, ressaltam no inquérito os investigadores da Deic.

A Justiça de Araranguá recebeu a denúncia da promotoria e os incriminados são réus em uma ação penal com 6 mil páginas. Ainda não há conhecimento da parte que se refere aos políticos. 

Os estabelecimentos suspeitos seguem funcionando e ainda não houve sentença.

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