Veja detalhes sobre a operação que prendeu empresários, funcionário e professores da UFSC - Geral - A Notícia

Versão mobile

Ouvidos Moucos14/09/2017 | 13h13Atualizada em 14/09/2017 | 13h13

Veja detalhes sobre a operação que prendeu empresários, funcionário e professores da UFSC

Segundo a Polícia Federal, dos 12 conduzidos e detidos, dois são empresários, um funcionário da universidade e nove docentes

Veja detalhes sobre a operação que prendeu empresários, funcionário e professores da UFSC Cristiano Estrela/Diário Catarinense
Foto: Cristiano Estrela / Diário Catarinense
Diário Catarinense e Hora de Santa Catarina

redacaohsc@somosnsc.com.br

Dois empresários, um funcionário e nove professores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), incluindo o reitor Luiz Carlos Cancellier, foram presos ou conduzidos coercitivamente na manhã desta quinta-feira de forma temporária durante a operação Ouvidos Moucos. As informações foram repassadas em entrevista coletiva da Polícia Federal, em Florianópolis. Outras cinco pessoas foram conduzidas coercitivamente para prestar depoimento.

O foco da ação é o Programa Universidade Aberta (UAB), destinado a cursos de formação de professores a distância com o repasse de bolsas através da Capes. A proposta do projeto é que os formandos deem aula em cidades do interior do Estado. De 2006 até 2017, o governo federal destinou R$ 80 milhões para o programa. A investigação focou, no entanto, em R$ 40 milhões, usados de 2010 até 2017. Os investigadores da Controladoria Geral da União (CGU) pegaram contratos por amostragem dentro desse valor e detectaram irregularidades. Por isso não é possível identificar quanto teria sido desviado.

Entre 2010 e 2011, foram identificados problemas em 40 procedimentos de bolsas que totalizam R$ 350 mil. Também foram encontrados nomes de 100 parentes dos envolvidos no esquema como beneficiários. Nessa lista de familiares, o valor estimado em apuração é de R$ 3 milhões.

Segundo a CGU, a investigação iniciou após vistorias rotineiras feitas na universidade. Como detectaram indícios de crime, os agentes da controladoria encaminharam os dados para a PF. Desde que os problemas foram detectados, o órgão teria alertado a UFSC e pediu correções, mas elas não ocorreram, segundo o coordenador de operações da controladoria, Israel José de Reais Carvalho.

— A operação é uma fase da investigação para cessar a prática criminosa em andamento. As medidas visar atingir o grupo e tirar o acessos dos investigados — explicou a delegada responsável pela ação Érika Marena.

O reitor da UFSC chegou de Lisboa ontem e foi detido temporariamente por cinco dias por indícios de obstrução à investigação da Corregedoria Geral da UFSC. Ele ficará afastado da função durante o andamento da apuração da Polícia Federal, segundo a delegada:

— Os indícios, os fatos que estão sendo investigados, apontam para que, houve algumas ações de dificultar a investigação que existia no âmbito geral da UFSC. Eu enfatizo que os envolvidos terão a oportunidade de esclarecer seus atos — afirmou a delegada.

Os nomes dos envolvidos não foram repassados durante a coletiva de imprensa. Mas Érika descreveu que os presos são pessoas que atuam junto à universidade, enquanto os conduzidos coercitivos não trabalham mais na instituição. O caso, segundo a delegada, ainda está sendo investigado e está em segredo de Justiça. O DC apurou que, além de interferir nas apurações internas das irregularidades, Cancellier teria recebido bolsas para atuar como tutor em alguns casos.

O reitor em exercício, Rogério Cid Bastos, reafirmou que a universidade está apoiando as investigações. Explicou que o programa de Educação a Distância (EaD) existe desde 2006 e que envolve a formação de administradores e professores na área de ciências, biologia e química.

Com apoio da CGU e do Tribunal de Contas da União (TCU), a polícia desarticulou uma organização criminosa que supostamente desviou recursos para cursos de EaD. Cerca de 100 policiais federais cumprem mandados judiciais expedidos pela 1ª Vara da Justiça Federal em SC. A PF pediu ainda o afastamento de todos os envolvidos de seus cargos durante o período de investigação. A Justiça Federal concedeu essa autorização e todos os funcionários, incluindo o reitor, devem ficar fora dos cargos.

Como o processo está em segredo de Justiça, a polícia pediu à 1ª Vara Federal que o sigilo seja retirado. Ainda não há decisão nesse sentido. Rogério Cid Bastos, pró-reitor de Extensão, ficará à frente da universidade até o retorno da vice-reitora Alacoque Lorenzini Erdmann, que está em viagem ao México para participar de um congresso. Bastos assume a função porque é o decano entre pró-reitores.

— A UFSC está trabalhando em parceria com a PF, o CGU e o TCU para esclarecer esses indícios e, caso sejam comprovados, possam ser corrigidos — disse o reitor interino.

As sete pessoas presas temporariamente estão na sede da Superintendência da PF, na Avenida-Beira-Mar Norte. Os delegados ainda não decidiram para onde eles serão levados pelos próximos cinco dias, tempo da prisão temporária. No prédio da polícia há duas celas com espaço para quatro pessoas cada com camas de concreto e colhões.

A UFSC emitiu uma nota oficial sobre o caso no final da manhã:

" A UFSC foi tomada por absoluta surpresa com a condução do Reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo, que no momento está acompanhado pelo Secretário de Aperfeiçoamento Institucional, Luiz Henrique Cademartori, na Superintendência da PF em Florianópolis;

A Vice-Reitora, Alacoque Lorenzini Erdmann, encontra-se em missão no exterior, razão pela qual o Pró-reitor de Extensão, Rogério Cid Bastos, assume interinamente a Reitoria;

A Administração Central tinha conhecimento dos procedimentos de apuração, conduzidos pela Corregedoria-Geral da UFSC sobre supostas irregularidades ocorridas em projetos executados desde 2006. Sempre mantivemos a postura de transparência e colaboração, no sentido de permitir a devida apuração de quaisquer fatos de modo a atender as melhores práticas de gestão.

Por fim, aguardamos mais informações sobre a operação da PF para apresentar à comunidade universitária e à sociedade os esclarecimentos devidos".

Leia mais:

Irregularidades na UFSC começaram no curso de Física, segundo a CGU

Reitor da UFSC preso nesta quinta foi eleito em novembro de 2015

Pró-Reitor de Extensão assume interinamente o comando da UFSC


Siga A Notícia no Twitter

  • anonline

    anonline

    Jornal A NotíciaTerceirizada que administra prisões em SC suspende serviços por falta de pagamento https://t.co/xQ78IOoQlR #LeianoANhá 2 horas Retweet
  • anonline

    anonline

    Jornal A NotíciaLoetz: Ajorpeme quer mais prazo para para recolher FGTS https://t.co/TTVgcIDfyh #LeianoANhá 3 horas Retweet
A Notícia
Busca
clicRBS
Nova busca - outros