Taxistas se defendem: ''Não dá para generalizar. Tem muito profissional honesto"  - Geral - A Notícia

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Viviane Bevilacqua22/09/2017 | 15h34Atualizada em 22/09/2017 | 15h34

Taxistas se defendem: ''Não dá para generalizar. Tem muito profissional honesto" 

Após repercussão negativa nas redes sociais da recusa de taxistas de levar uma criança ao hospital porque seus pais usaram Uber, os bons profissionais dizem que é preciso separar o "joio do trigo" 

Taxistas se defendem: ''Não dá para generalizar. Tem muito profissional honesto"  Patrick Rodrigues, Agência RBS/
Foto: Patrick Rodrigues, Agência RBS

 ''Tenho 18 anos de profissão. Sempre tive muito orgulho de ser motorista de táxi. Foi dirigindo meu carro que criei meus três filhos e comprei meu apartamento (pequeno, mas é meu). Neste tempo todo, ajudei a salvar muita gente, transportando para hospitais, algumas vezes nem cobrando a viagem, porque vejo que é caso de urgência. Fico feliz em servir a comunidade e fazer o meu trabalho bem feito. Tenho clientes fiéis, que mesmo com a chegada do Uber não deixaram de fazer corridas comigo, porque se sentem seguros e sabem que vou atendê-los da melhor maneira possível. Assim como está acontecendo com meus colegas, meu lucro também diminuiu com a chegada do aplicativo, mas isso não significa que vou descontar meus problemas na população, como aconteceu com aqueles taxistas que se negaram a levar a criança machucada até o outro hospital. Temos que tentar resolver isso de uma forma civilizada. O usuário tem direito de escolher quem oferece o melhor serviço. Estou com vergonha de ser taxista neste momento, mas é preciso deixar claro: A maioria dos profissionais de táxi são trabalhadores honestos, pais de família preocupados em levar dinheiro para casa e sustentar a família. Não se pode generalizar. O que precisamos urgentemente é resolver esta situação da concorrência, mas através da lei, de forma ordeira.''

Este é o desabafo de um taxista, que prefere não se identificar (para não sofrer represálias), e que se solidariza com a família do menino Eric. Na tarde da última terça-feira, a criança caiu, abriu um corte na cabeça e tinha que ser transportada de um hospital para outro, mas três taxistas se negaram a fazer a corrida porque os pais do menino haviam chegado ao hospital de Uber. O caso ganhou muita repercussão. A preocupação dos bons profissionais do táxi é que a atitude irresponsável e desumana daqueles três motoristas manche a reputação de toda a categoria.

''Como em todas as profissões existem os bons e os maus profissionais. E os maus advogados? Jornalistas? Professores?  O que precisamos é separar o joio do trigo'', escreveu outro taxista, indignado com a situação. Concordo. Neste episódio, especificamente, muitas pessoas que se manifestaram reclamaram dos serviços de táxi, explicando os motivos pelos quais estão migrando para o Uber, além do custo menor: carros sujos, motoristas se recusando a fazer a viagem porque o trajeto é curto, mau humor, rádio nas alturas... São muitos os problemas relatados. Então,  a conclusão é de que a mudança deve começar por aí: oferecer um bom serviço à população, provando que usar táxi é a melhor alternativa. Já que não dá para competir em preço com os motoristas de aplicativo (e aí já é outra discussão, que não cabe ao usuário), então que ganhem em educação e qualidade do serviço, como faz o taxista lá do início deste texto. Ele tem uma freguesia fiel.

Quanto ao caso do menino, um dos motoristas de táxi disse a uma rede de TV que se arrepende de ter se negado a conduzir a família até o outro hospital. Já é um começo. Negar atendimento é crime. O Código de Defesa do Consumidor é claro, no seu art. 39, inciso II: “É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras práticas abusivas: recusar atendimento às demandas dos consumidores, na exata medida de suas disponibilidades". Sendo assim, tendo a possibilidade de transportar o passageiro (consumidor), isto é, estando com o táxi livre, o taxista, na condição de fornecedor de serviço, não pode se recusar a prestá-lo, nem pode selecionar seus clientes. Ao disponibilizar o serviço, o taxista assume a obrigação de atender o passageiro, sob pena de incorrer, inclusive, em crime contra as relações de consumo, com penas que  variam de dois a cinco anos, ou multa.



 

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