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Fertilidade02/09/2017 | 06h18Atualizada em 02/09/2017 | 10h14

Procura por doador de sêmen estrangeiro cresce 2.625% no Brasil 

Dado faz parte do primeiro relatório de importação de amostras seminais divulgado pela Anvisa

Procura por doador de sêmen estrangeiro cresce 2.625% no Brasil  Lucas Correia/Jornal de Santa Catarina
Foto: Lucas Correia / Jornal de Santa Catarina

Hoje é domingo, teu pai é um gringo, fumando cachimbo... É possível que os mais velhos quando criança tenham brincado com esses trocadilhos e rimas das palavras. Mas os tempos mudaram e ter um pai biológico estrangeiro é uma realidade crescente. No Brasil, a procura por um doador de sêmen importado aumentou 2.625%. É o que apresenta o 1º Relatório de Importação de Amostras Seminais para uso em Reprodução Humana da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), com base nos anos 2011 e 2016. 

O objetivo do relatório divulgado em agosto é levantar elementos para discutir o aperfeiçoamento de modelos regulatórios e políticas de reprodução humana no país. São Paulo (657) e Rio de Janeiro (122) foram os Estados que mais importaram esperma para processos de reprodução assistida. Santa Catarina aparece em oitavo lugar, com 13 casos, à frente de Minas Gerais e do Paraná.
O relatório não detalha perfis por Estado, mas a tendência é de que catarinenses que buscaram doadores sigam a mesma ordem dos demais brasileiros: casais heterossexuais (43%), mulheres solteiras (38%) e casais homoafetivos (19%).

A escolha pelo doador estrangeiro pode ser feita pela internet por meio de sites de empresas ou de franquias brasileiras de bancos dos Estados Unidos. Os interessados podem escolher cor da pele, dos olhos, dos cabelos e até o tipo sanguíneo do doador. Com um pouco de paciência, é possível detalhar a busca, dando preferência ao signo, religião, talento e habilidades do progenitor.

Os dados das pessoas que buscam o sêmen são sigilosos. Mas no caso dos casais heterossexuais, o perfil mostra que a maioria que procura é quando o homem apresenta problemas de infertilidade como azoospermia (ausência de espermatozoides ativos no sêmen ejaculado). 

No caso de mulheres solteiras, trata-se principalmente da busca por gestação independente; enquanto casais homoafetivos são na maioria mulheres que pretendem gerar os filhos sem qualquer possibilidade de ligação com o pai biológico.

Com relação aos Estados, a Anvisa sugere que a predominância de São Paulo e Rio se justifique por serem mais povoados e contarem com o maior número de bancos de células e tecidos germinativos (BCTGs). São estabelecimentos de saúde responsáveis por selecionar, coletar, transportar, registrar, processar, armazenar, descartar e liberar células, tecidos germinativos e embriões para uso em reprodução humana assistida.

Sêmen Brasil
Infogram

As amostras seminais importadas que constam no relatório da Anvisa são provenientes de três bancos de sêmen norte-americanos. 
Os três fornecedores têm representantes no Brasil, responsáveis pela intermediação com BCTG nacional que recebem o material e realizam os procedimentos de reprodução na paciente. O diagnóstico da Anvisa mostra que nos últimos três anos, o grupo que apresentou maior crescimento na procura pelo banco estrangeiro foi o de casais homoafetivos de mulheres (279%), seguido pelas solteiras (114%) e casais heterossexuais (85%). 

Santa Catarina tem  banco nacional

O primeiro e único banco de sêmen de Santa Catarina fica em Itajaí. Inaugurada em 2015, a unidade tem uma demanda alta de material para inseminações e fertilização in vitro. O preço, em média 40% mais barato do que o sêmen importado, é uma vantagem para quem procura um método alternativo para a gravidez. Mas as restrições legais no Brasil ainda dificultam a ampliação no número de doadores.

Diferentes de países como os Estados Unidos, por exemplo, no Brasil o doador não pode receber nada em troca do esperma. Os laboratórios precisam contar com a boa vontade do candidato em ceder uma série de amostras, que passam por rigorosa bateria de testes antes que possam integrar o banco de sêmen.
Doenças ou espermogramas que apontem alguma deficiência na qualidade do sêmen descartam o doador de imediato. E mesmo as amostras que são liberadas na primeira fase precisam aguardar uma fase de quarentena para novos testes. Só então podem fazer parte do rol de doadores.

O banco de Itajaí tem hoje 10 doadores. Os clientes do laboratório recebem uma tabela com características físicas, profissão e gostos pessoais de cada um deles. O perfil mais escolhido, até agora, leva em conta característica física e cor dos olhos.

– Alguns preferem os bancos internacionais porque eles permitem ver fotos e vídeos do doador, ouvir a voz. Isso não podemos fornecer aqui, é totalmente anônimo – explica Vera Lúcia Lângaro Amaral, sócia da clínica.

As amostras de sêmen são processadas – diluídas ou concentradas, dependendo das características – e depois conservadas em nitrogênio a baixas temperaturas. A amostra custa entre R$ 2,5 mil e R$ 3,5 mil, dependendo da técnica que será aplicada para tentativa de gravidez. A Anvisa limita a venda a até dois nascimentos, de gêneros diferentes (um menino e uma menina) para cada região de 1 milhão de habitantes.

Enquanto a legislação ainda limita as doações, a maior demanda do laboratório ainda é para reserva de sêmen de pacientes terapêuticos. São homens vítimas de alguns tipos de câncer, ou que fazem vasectomia e conservam amostras para o caso de desejarem ter filhos no futuro.

*Colaborou Dagmara Spautz

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