General fala em "intervenção" do Exército caso a Justiça não retire corruptos da "vida pública" - Geral - A Notícia

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Política18/09/2017 | 10h49Atualizada em 18/09/2017 | 10h55

General fala em "intervenção" do Exército caso a Justiça não retire corruptos da "vida pública"

Segundo Antonio Hamilton Mourão, ex-comandante militar do Sul, Força Armada já teria "planejamentos muito bem feitos" para a ação

General fala em "intervenção" do Exército caso a Justiça não retire corruptos da "vida pública" André ¿?vila / Agência RBS/Agência RBS
Mourão: "ou as instituições solucionam o problema político, pelo Judiciário, ou então nós teremos que impor isso (intervenção)" Foto: André ¿?vila / Agência RBS / Agência RBS
Estadão Conteúdo e Zero Hora

O polêmico general gaúcho Antonio Hamilton Mourão voltou a ser assunto nacional neste fim de semana após afirmar, em palestra realizada na sexta-feira (15), em uma loja maçônica de Brasília, que uma "intervenção militar" pode ser adotada no país caso o Poder Judiciário "não solucione o problema político" – a crise generalizada de corrupção nos altos escalões governamentais. Segundo Mourão, seus "companheiros do Alto Comando do Exército" entendem que essa "imposição não será fácil" e avaliam que ainda não é o momento para a ação, mas admitem que ela poderá ocorrer. 

Natural de Porto Alegre, Mourão foi exonerado do Comando Militar do Sul, na Capital, em outubro de 2015, depois de fazer duras críticas públicas à então presidente, Dilma Rousseff (PT). À época, o general permitiu que ocorresse em Santa Maria uma homenagem de subordinados ao coronel Brilhante Ustra. Já falecido, Ustra é considerado um dos símbolos do regime militar (1964 a 1985) – nos "anos de chumbo", ele comandou o DOI-Codi do II Exército, em São Paulo, onde teriam morrido 45 prisioneiros. Como consequência, Mourão acabou  transferido para Brasília, na função de secretário de Economia e Finanças do Exército, cargo burocrático que não lhe confere poder sobre efetivos armados.

Assista o vídeo da palestra:

De acordo com Mourão, em sua palestra de sexta-feira na capital federal, o Exército já teria "planejamentos muito bem feitos" sobre uma possível intervenção no país. 

– Até chegar o momento em que, ou as instituições solucionam o problema político, pela ação do Judiciário, retirando da vida pública esses elementos envolvidos em todos os ilícitos, ou então nós (militares) teremos que impor isso (intervenção) –, afirmou o general, em uma exposição que durou quase uma hora "Então, se tiver que haver, haverá (intervenção). – Mas hoje nós consideramos que as aproximações sucessivas terão que ser feitas.

Durante a palestra, realizada após o então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciar pela segunda vez o presidente Michel Temer por participação em organização criminosa e obstrução de Justiça, o general falou por três vezes na possibilidade de intervenção militar diante da crise enfrentada pelo país.

O general Mourão afirmou que "os Poderes terão que buscar uma solução. Se não conseguirem, chegará a hora em que teremos que impor uma solução… e essa imposição não será fácil, ela trará problemas". Por fim, acrescentou lembrando o juramento que os militares fizeram de "compromisso com a Pátria, independente (sic) de sermos aplaudidos ou não". E encerrou: 

– O que interessa é termos a consciência tranquila de que fizemos o melhor e que buscamos, de qualquer maneira, atingir esse objetivo. Então, se tiver que haver, haverá.

Posição de Mourão causa desconforto no comando do Exército

A atitude do general causou desconforto em Brasília. Oficiais-generais ouvidos pelo jornal O Estado de S. Paulo criticaram a afirmação de Mourão, considerada desnecessária neste momento de crise. 

Ao jornal O Estado de S.Paulo, o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, foi enfático e disse que "não há qualquer possibilidade" de intervenção militar. 

– Desde 1985, não somos responsáveis por turbulência na vida nacional e, assim, vai prosseguir – afirmou Villas Bôas, acrescentando que a Força defende "a manutenção da democracia, a preservação da Constituição, além da proteção das instituições".

Procurado neste domingo, Mourão explicou, no entanto, que não estava "insuflando nada" ou "pregando intervenção militar" e que a interpretação das suas palavras "é livre". Ele afirmou que falava em seu nome, não no do Exército, embora estivesse fardado durante a palestra. Ele permanece no serviço ativo no Exército até março do ano que vem, quando passará para a reserva. O general Mourão disse ao jornal O Estado de S.Paulo que não vai se candidatar, apesar de existir página nas redes sociais sugerindo seu nome para presidente da República. "Não. Não sou político. Sou soldado."

Depois de salientar que "internamente, já foi conversado e o problema está superado", o comandante do Exército insistiu que qualquer emprego de Forças Armadas será por iniciativa de um dos Poderes. No sábado (16), o ministro da Defesa, Raul Jungmann, conversou com o comandante do Exército, que telefonou para o general Mourão para saber o que havia ocorrido. O general, então, explicou o contexto das declarações.

Questionado, Mourão diz que não defendeu a tomada de poder pelos militares

Em 2015, o general Antonio Hamilton Mourão desagradou o Palácio do Planalto ao atacar indiretamente a então presidente Dilma Rousseff ao ser questionado sobre o impeachment dela e responder que "a mera substituição da PR (presidente da República) não trará mudança significativa no 'status quo'" e que "a vantagem da mudança seria o descarte da incompetência, má gestão e corrupção".

Neste domingo, ao ser procurado pelo jornal, o general Mourão disse que "não defendeu (a tomada de poder pelos militares), apenas respondeu a uma pergunta". Para o general, "se ninguém se acertar, terá de haver algum tipo de intervenção, para colocar ordem na casa". Sobre quem faria a intervenção, se ela seria militar, ele responde que "não existe fórmula de bolo" para isso. E emendou: "Não (não é intervenção militar). Isso não é uma revolução. Não é uma tomada de poder. Não existe nada disso. É simplesmente alguém que coloque as coisas em ordem, e diga: 'atenção, minha gente vamos nos acertar aqui e deixar as coisas de forma que o país consiga andar e não como estamos.' Foi isso que disse, mas as pessoas interpretam as coisas cada uma de sua forma. Os grupos que pedem intervenção é que estão fazendo essa onda em torno desse assunto".


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