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Segurança04/09/2017 | 05h35Atualizada em 04/09/2017 | 05h35

Com ataque no Deap e disparos contra delegacias, Estado registra quinto dia de atentados

Secretaria de Segurança Pública admitiu pela primeira vez neste domingo que há uma situação de intranquilidade

Com ataque no Deap e disparos contra delegacias, Estado registra quinto dia de atentados Tiago Ghizoni/Diário Catarinense
Foto: Tiago Ghizoni / Diário Catarinense

Cinco noites consecutivas de atentados, incluindo tiros e bombas contra as unidades de segurança, dão a dimensão da onda de violência que não dá trégua em Santa Catarina. Em uma primeira entrevista desde o começo da série de crimes, a cúpula da segurança pública admitiu ontem que há uma situação de intranquilidade no Estado.

As duas bombas lançadas contra a sede do Departamento de Administração Prisional (Deap), em Palhoça, são consideradas por fontes policiais como o sinal claro da motivação novamente enraizada por questões carcerárias.

Foram ao menos 30 ataques desde a última quarta-feira, quando o policial militar da reserva Edson Abílio Alves, 51 anos, foi executado a tiros em Camboriú, Litoral Norte. Desde então, o próprio Estado passou a reconhecer que havia ordens do crime organizado e pediu o alerta máximo aos servidores da segurança e do sistema prisional nas ruas. Em agosto, três PMs e um agente penitenciário foram assassinados.

Nenhum plano macro de ação foi anunciado pelo governo. Em uma primeira manifestação do alto escalão, coube ontem ao secretário-adjunto da Segurança Pública (SSP), Aldo Pinheiro D¿Ávila, declarar que reconhece a gravidade dos fatos. Aldo ressaltou que há prontidão, reforço no policiamento e apuração especializada em andamento comandada pela Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic). Sobre motivos, o secretário suspeita de que sejam ¿revides¿ das facções por situações que os criminosos consideram injustas e também pelas perdas do crime diante de apreensões recordes de drogas nos últimos meses.

Os atentados considerados mais graves nos últimos dias foram na Grande Florianópolis. Na Capital, na madrugada de ontem, um policial militar ficou ferido com um tiro no pé em confronto com criminosos na Vila União, no norte da Ilha.

De acordo com o subcomandante-geral da Polícia Militar, coronel Araújo Gomes, o servidor foi atingido durante patrulhamento na Operação Mãos Fortes, o nome dado pela corporação à ofensiva contra os atentados – o PM está bem e não corre risco. Segundo o coronel, um criminoso morreu, outro foi baleado e está hospitalizado.

Na manhã do mesmo dia, às 6h30min, um artefato foi arremessado contra a sede do Deap, em Palhoça, e explodiu no pátio provocando estragos em uma viatura, mas ninguém ficou ferido. Ainda no departamento, a equipe de vigilância já havia localizado um artefato explosivo no local no começo da tarde de sábado em uma inspeção de rotina. Policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) detonaram o explosivo (veja todos os ataques na página ao lado).

Veja no mapa abaixo onde foram as ocorrências:

Transferências de presos como possível motivação

A reportagem apurou que a motivação dos atentados pode ter sido as transferências de líderes da facção catarinense que comanda crimes dentro e fora do sistema prisional. Um grupo de detentos que forma o 1o ministério do bando e estava abrigado na Penitenciária de São Pedro de Alcântara, espécie de QG (quartel general) da quadrilha, foi removido para penitenciárias de Criciúma, no Sul, e Chapecó, no Oeste.

Internamente, comparsas presos não teriam obtido a informação do destino deles e então associaram que as transferências foram para presídios federais e, descontentes, ordenaram a onda de crimes nas ruas.

A reportagem tentou neste domingo entrevistar a respeito o secretário-adjunto da Justiça e Cidadania, Leandro Lima, mas não obteve retorno – o Estado também não confirmou nem negou que removeu presos nos últimos dias seja dentro do Estado ou para prisões federais.

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