'Fatalidade? É claro que não! Se não fosse a burocracia e a falta de organização a morte poderia ser evitada', diz professor sobre morte de bebê - Geral - A Notícia

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Morte de criança 16/06/2017 | 15h25Atualizada em 17/06/2017 | 14h55

'Fatalidade? É claro que não! Se não fosse a burocracia e a falta de organização a morte poderia ser evitada', diz professor sobre morte de bebê

Professor de Mafra escreve sobre caso de menina que morreu após esperar 15 horas por uma transferência de hospital. A demora seria por por falta de combustível em ambulâncias

'Fatalidade? É claro que não! Se não fosse a burocracia e a falta de organização a morte poderia ser evitada', diz professor sobre morte de bebê Arquivo Pessoal / Reprodução/Reprodução
Heloisa Mathias Lisboa, de apenas um ano e 20 dias, morreu no último sábado no Hospital Infantil de Joinville Foto: Arquivo Pessoal / Reprodução / Reprodução

Uma morte de um bebê em Mafra, com repercussão na mídia estadual, face à burocracia do uso de ambulâncias SAMU, serviço terceirizado pela Secretaria de Estado da Saúde, retrata o quanto as pessoas são desassistidas. A criança, face ao agravamento do estado clínico (pneumonia) necessita ser transportada de Mafra para um hospital de Joinville, que já havia liberado uma vaga para internamento em função do quadro que o bebê se encontrava.

A ambulância não tem combustível para chegar ao destino. O pai se prontifica a pagar. É proibido, dizem. Aguardam uma ambulância de Canoinhas. Até aí tudo bem, só que inexplicavelmente, só pode ir até Rio Negrinho. De lá, acionaram uma ambulância vinda de Jaraguá do Sul. Com um atraso de mais de sete horas chegam com o bebê no hospital. Tarde demais!

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Após três paradas cardíacas, a criança vem a óbito. Triste, muito triste. Fatalidade? É claro que não! Se não fosse essa burocracia e a falta de organização para autorização de abastecimento (uma ambulância não pode ficar à mercê dos caprichos de uma burocracia, pois ambulâncias existem para salvar vidas, e, vida não tem preço) a morte poderia ser evitada. 

Eu diria: às favas com essa ordem de tráfego, essa autorização para abastecer a ambulância, quando uma vida corre perigo. Quem são os culpados? Os burocratas em seus gabinetes? Os gestores locais? A falta de uma UTI pediátrica em Mafra? Quem não resolveu tomar uma decisão por conta própria?

Resumindo, nesse País do "faz-de-conta", a culpa é, da "fatalidade", do "destino". Foi Deus que quis assim, entre outras desculpas que virão diante da repercussão. E, vai sobrar para quem? E a perda dos pais num projeto de vida, de um bebê que amanhã poderia vir a ser alguém que mudaria o destino desse País, uma aposta, uma vida que não tem preço, que esvaiu nas mãos de quem faz da burocracia uma razão de ser para garantir seus empregos.

Ficarão esses com remorso ou darão continuidade a esse projeto malévolo em que a burocracia impera diante dos múltiplos significados de vida? Com que coragem esses apedeutas tecnocratas olharão para um bebê, com a recordação de que amputam a esperança dos pais do bebê que precocemente nos deixou, lembrando pois que, quando se amputa a esperança é a mesma coisa que amputar um espírito, pois não existe prótese.

O sentimento é de solidariedade aos pais e, repúdio aos burocratas, políticos, cargos comissionados e, outras categorias que direta ou indiretamente contribuíram de sobremaneira para esse desfecho trágico e doloroso.

* Artigo de Arlindo Costa, professor de Mafra


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