Turbulência política da JBS causa apreensão para o agronegócio em SC - Geral - A Notícia

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Lava-Jato20/05/2017 | 03h56Atualizada em 20/05/2017 | 03h56

Turbulência política da JBS causa apreensão para o agronegócio em SC

Turbulência política da JBS causa apreensão para o agronegócio em SC James Tavares/SECOM
Em 2014, Joesley (D) assinou protocolo de benefícios fiscais com Colombo  Foto: James Tavares / SECOM

A delação premiada dos donos da JBS trouxe preocupação não só política para Santa Catarina, mas também no setor produtivo, já que a empresa é uma das responsáveis pelo Estado ser o maior exportador de suínos e o segundo em aves. A companhia mantém 14 unidades em 11 cidades catarinenses e 18 mil empregados.

A JBS entrou no Estado em 2013, quando comprou a Seara, que era uma das maiores marcas do setor do país, atrás da Sadia e Perdigão. Na época, a Marfrig aproveitou a capitalização com a venda por cerca de R$ 5,8 bilhões, para abater algumas dívidas. É dessa época que remonta a relação entre os irmãos Wesley e Joesley Batista com o governo do Estado, de acordo com a delação feita à Justiça.

A JBS queria aproveitar a força da marca em suínos e aves para vender também bovinos. Em 2014, a empresa assinou um protocolo de intenções com o governo de Santa Catarina para receber benefícios fiscais do Programa de Desenvolvimento da Empresa Catarinense (Prodec). A contrapartida era aumentar em 2 mil empregados o quadro que, na época, era de 12 mil funcionários.

O secretário de administração de Seara e ex-diretor da empresa, Neri Cosmann, lembra que a venda do frigorífico pelos irmãos Paludo permitiu o crescimento da empresa pois os novos proprietários tinham mais capital de giro para investimento. Depois vieram sócios internacionais, como a Bunge e a Cargill, que implementaram novas práticas. Ele afirmou que um dos motivos da venda pela  Cargill foram os passivos trabalhistas motivados pela legislação brasileira. 

Depois da Marfrig, Cosmann acredita que houve problema para gerir a aquisição de uma empresa tão grande quanto a Seara.  E considera que foi muito positiva a compra pela JBS.

— Foi uma grande sacada da JBS pois eles tinham boi e aí entraram no ramo de suínos e aves com uma marca grande e consolidada – afirmou.

O secretário diz que a história do município é atrelada à empresa e ela atualmente representa 64% do movimento econômico do município, que tem 17,4 mil habitantes. A unidade emprega 2,8 mil funcionários. Ele nem imagina uma empresa desse porte parando de produzir.

— Se um dia a empresa fechar vamos ter que sair de Seara — brincou. 

Apetite e novas aquisições em Santa Catarina

O apetite da companhia no Estado se manteve e a JBS acabou comprando outras empresas regionais que enfrentavam dificuldade por causa da crise do milho, como a Tramonto e a Agrovêneto. Também comprou a unidade de frangos da Tyson Foods (ex-Macedo), em São José.

– Eles compraram algumas empresas que estariam fechadas se não fossem adquiridas pela JBS – diz o diretor-executivo do Sindicato das Indústrias da Carne e Derivados (Sindicarne) e da Associação Catarinense de Avicultura (Acav), Ricardo Gouvêa.

A expectativa, no entanto, é que a crise política não influencie na produção. Gôuvea diz que a empresa é muito importante para a economia catarinense.

Unidade da JBS em Seara, no Oeste catarinense, foi comprada pela JBS em 2013 Foto: Divulgação / Seara

Em Itapiranga, no Extremo-Oeste, a empresa emprega 2,8 mil funcionários no frigorífico de suínos e na fábrica de termoprocessados, além de 600 no frigorífico de suínos. São 3,4 mil pessoas, de 14 municípios da região, alguns do Rio Grande do Sul, que trabalham na cidade de 16,5 mil habitantes. A unidade abate 200 mil aves e 2 mil suínos por dia.

Na região, a JBS está investindo na ampliação de laboratórios e também na fábrica de rações de São Miguel do Oeste, que foi adquirida da Sul Valle, agroindústria de empresários locais que sofreram com a crise do milho de 2012.

Em 2015, em visita a Santa Catarina, Wesley Batista afirmou em Joinville que a empresa tinha um plano de investimento de R$ 500 milhões no Estado. Parte desse aporte foi realizada em Seara. Entre 2015 e 2016 foram investidos R$ 75 milhões na unidade, ampliando a produção de 3,5 mil suínos para 5,3 mil suínos/dia. Além disso a unidade abate 194 mil aves por dia.

Veja a delação em vídeo:



 
 

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