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Campanha17/05/2017 | 10h27Atualizada em 17/05/2017 | 10h27

Com maior rede de leite materno do mundo, Brasil ainda precisa de doadoras

A amamentação é o principal fator de redução da mortalidade infantil

Com maior rede de leite materno do mundo, Brasil ainda precisa de doadoras Dmytro Vietrov/Shutterstock
Foto: Dmytro Vietrov / Shutterstock
Agência Brasil
Agência Brasil

O Brasil tem a maior e mais complexa rede de bancos de leite do mundo, com 221 unidades e 186 postos de coleta, segundo o Ministério da Saúde. Apesar da estrutura e das mobilizações, o número de doações ainda é baixo, e a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano consegue suprir aproximadamente 60% da demanda para os recém-nascidos prematuros e de baixo peso internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) neonatais do país.

Para ampliar a conscientização sobre a importância da doação de leite humano e incentivar a prática entre as mães que amamentam, o ministério lançou nesta terça-feira a campanha Doe Leite Materno de 2017, em parceria com a rede de bancos de leite.

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— Nada é mais presente do que o senso de solidariedade de uma mãe que amamenta seu bebê. Se as mães não realizam a doação como a gente precisa, em verdade, é porque nós estamos sendo muito ineficazes no processo de comunicação com essas mães, sequer para apresentar o real significado da necessidade de doação — disse o coordenador da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, João Aprígio.

Mortalidade infantil

A amamentação é o principal fator de redução da mortalidade infantil, pois diminui a ocorrência de diarreias e infecções, principais causas de morte em recém-nascidos. Estima-se que o aleitamento materno reduza em até 13% a morte de crianças menores de 5 anos por causas preveníveis.

No Brasil, nascem aproximadamente 3 milhões de bebês por ano, e 14% deles são prematuros ou têm baixo peso (menos que 2,5 quilos).

— Ao trabalhar com essas crianças não estou preocupado apenas em recuperá-las mais prontamente para tirar da fase aguda, estou construindo um sujeito para vida toda — disse Aprígio, explicando que o aleitamento materno também diminui a chances de doenças crônicas não transmissíveis.

Desenvolvida há 32 anos, a estratégia de bancos de leite beneficiou, entre 2009 e 2016, mais de 1,8 milhão de recém-nascidos e teve apoio de 1,3 milhão de doadoras. O Brasil tem acordos de cooperação e exporta técnicas de baixo custo utilizadas na implantação de bancos de leite em 24 países. Segundo o Ministério da Saúde, em 2001, a Organização Mundial da Saúde reconheceu a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano como uma das ações que mais contribuíram para a redução da mortalidade infantil no mundo na década de 1990. De 1990 a 2012, a taxa de mortalidade infantil no Brasil caiu 70,5%.

A doação de leite humano também representa uma economia de R$ 180 milhões com a diminuição da necessidade de compra de fórmulas artificiais nas maternidades do Sistema Único de Saúde (SUS).

Referência brasiliense

Brasília é a única cidade no mundo que tem autossuficiência em leite humano, por isso foi a escolhida para o lançamento da campanha Doe Leite Materno deste ano.

— É o melhor exemplo que temos e nossa política é dar visibilidade às boas práticas para que isso possa se multiplicar dentre outros agentes públicos — disse o ministro da Saúde, Ricardo Barros.

Para a coordenadora dos bancos de leite do Distrito Federal, Miriam Santos, primeiro é preciso conscientizar as mães de que o leite que ela tira não vai faltar para o seu bebê. Pelo contrário, quanto mais a mãe estimular a produção do leite, mais ela o terá.

— Segundo, que qualquer quantidade é suficiente. Uma mãe que consegue encher um único pote acha que ele não vai fazer diferença, mas faz e muita. Um pote (300 ml) pode alimentar até 10 crianças — explicou. Este ano, o slogan da campanha é exatamente este: "Um pouquinho do que você doa é tudo para quem precisa".

Entre as ações que fizeram do Distrito Federal referência em doação de leite humano, estão a comunicação, a atuação do setor de saúde e o sistema de coleta em parceria com o Corpo de Bombeiros. São 15 bancos de leite no DF, sendo 10 da rede estadual, dois da rede federal e três privados.

Nos quatro primeiros meses deste ano, 3.643 crianças receberam leite materno em UTIs neonatais no DF.

— Temos corrido atrás para melhorar a coleta — disse Miriam. A meta, segundo ela, é chegar a 1,5 mil litros de leite por mês.

Em Brasília, para doar, a mãe pode ligar para o número 160, opção 4, e fazer o cadastro, ou entrar no site amamentabrasilia.saude.df.gov.br. A página tem orientações e vídeos explicativos sobre como fazer a coleta.

Como doar

Toda mulher que amamenta é uma possível doadora de leite humano, basta estar saudável e não tomar nenhum medicamento que interfira na amamentação. Quem estiver amamentado e quiser doar, pode procurar o banco de leite humano mais próximo ou ligar para o Disque Saúde, no número 136.Não existe quantidade mínima para fazer a doação, ou seja, a mulher não precisa se preocupar em encher o pote para fazer a entrega. Todo leite doado é analisado, pasteurizado e submetido a rigoroso controle de qualidade antes de ser ofertado a uma criança.

Antes da coleta, a doadora deve fazer uma higiene pessoal, cobrir os cabelos com lenço ou touca, usar pano ou máscara sobre o nariz e a boca, lavar bem as mãos e os braços, até o cotovelo, com bastante água e sabão. As doadoras devem lavar as mamas apenas com água e, em seguida, secá-las com toalha limpa. O leite deve ser coletado em local limpo e tranquilo. O leite humano extraído para doação pode ficar no freezer ou no congelador da geladeira por até 10 dias. Nesse período, deverá ser transportado ao banco de leite humano mais próximo.

 
 

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